Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Mamão pode virar anticoncepcional masculino
Pesquisadoras da Universidade Privada Franz Tamayo, na Bolívia, desenvolveram um anticoncepcional masculino experimental a partir de semente de mamão. Batizado de Carispermex, o produto é um granulado efervescente com sabor de café, que, quando tomado diariamente por cerca de 10 dias, pode reduzir temporariamente a produção de espermatozoides por cerca de um mês, gerando um efeito semelhante à azoospermia e permitindo, teoricamente, um controle de fertilidade reversível e não hormonal. O projeto, ainda em fase experimental e pré‑clínica, foi concebido como uma proposta acadêmica no curso de Bioquímica e Farmácia, com base em revisões de literatura e estudos anteriores em animais. As criadoras destacam que o objetivo é oferecer aos homens uma alternativa natural de planejamento familiar, mas o método precisa de ensaios clínicos em humanos para comprovar segurança, eficácia e adequação para uso em larga escala.
Molécula‑espelho freia células cancerígenas
Pesquisadores identificaram uma molécula-espelho a partir de uma versão invertida de um aminoácido chamada D‑cisteína, que tende a entrar com mais facilidade em células tumorais do que em células normais. Essa substância bloqueia uma enzima chamada NFS1, que atua na mitocôndria, reduzindo a produção de energia na célula cancerígena e levando a um colapso funcional que desacelera sua divisão e o crescimento do tumor. O mecanismo funciona como uma espécie de “fome metabólica” para o câncer: as células deixam de ter recursos para se multiplicar, o que abre espaço para uso da molécula como terapia complementar ou adjuvante, associada a tratamentos já existentes. Ainda em fase experimental, a abordagem precisa de ensaios clínicos em humanos para avaliar segurança, efeitos colaterais e eficácia real antes de poder ser incorporada à prática clínica.
Fiocruz produz remédio para transplantes no SUS

O Brasil passou a produzir totalmente no país o tacrolimo, medicamento essencial para evitar a rejeição de órgãos transplantados, como rim, fígado e coração. O avanço foi possível por meio de uma parceria entre a Fiocruz e a farmacêutica brasileira Libbs, dentro do programa Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que permite que o país domine todas as etapas de fabricação, desde o insumo farmacêutico ativo até o produto final, antes importado. O primeiro lote totalmente nacional, com mais de 1 milhão de unidades em diferentes dosagens, já foi produzido e passará por testes de qualidade antes de ter o registro atualizado na Anvisa.
O que MR publicou
Cientistas identificam faixa etária em que o envelhecimento se acelera

Pesquisadores descobriram que o envelhecimento humano não é linear, mas apresenta dois picos de aceleração molecular: por volta dos 44 e dos 60 anos. A observação foi feita a partir de mudanças em biomarcadores como RNA, proteínas e microbioma, que mostram desacelerações na capacidade de metabolizar substâncias como álcool e cafeína, além de alterações em pele, músculos e sistema cardiovascular. Após essas janelas etárias, aumentam também os riscos para doenças cardiovasculares, renais e diabetes tipo 2, o que reforça a importância de intervenções precoces em estilo de vida. Os cientistas recomendam, especialmente perto dos 40 e 60 anos, adotar hábitos mais saudáveis, como exercícios regulares e redução no consumo de álcool, para mitigar esses efeitos do envelhecimento acelerado.
Anvisa determina atualização das vacinas da Covid
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que as vacinas contra a Covid usadas no Brasil sejam atualizadas obrigatoriamente com a nova cepa LP.8.1 do Sars‑CoV‑2, que se tornou predominante no país. A agência exigiu que os imunizantes sejam monovalentes e utilizem apenas essa variante, alinhando‑se à evolução do vírus e ao objetivo de manter a proteção da população frente às novas cepas circulantes. A LP.8.1 é uma evolução da antiga JN.1 e não é considerada mais agressiva, mas a atualização visa reforçar a eficácia, especialmente em grupos de risco como idosos. Até a chegada em larga escala das doses ajustadas, a Anvisa permitirá, por até nove meses, o uso controlado de vacinas com a cepa JN.1 já aprovadas, desde que autorizadas pelo Ministério da Saúde.
Meninas têm menos vontade de viver que meninos

Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) mostra que meninas adolescentes relatam bem mais que os meninos sentirem que “a vida não vale a pena ser vivida”. Entre os 13 e 17 anos, 25% das meninas disseram ter se sentido assim “na maioria das vezes” ou “sempre” nos últimos 30 dias, ante 12% dos meninos, além de apresentarem níveis mais altos de tristeza e irritação. O levantamento também aponta que a vontade de se machucar intencionalmente é quase o dobro entre meninas (43,4%) em comparação a meninos (20,5%), com um padrão semelhante para irritação e mal‑humor. A insatisfação com o corpo também é maior entre elas, com 36,1% das meninas insatisfeitas, contra 18,2% dos meninos, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental de adolescentes, especialmente meninas.
11 minutos de sono a mais reduzem risco de infarto

Pesquisadores descobriram que dormir apenas 11 minutos a mais por noite, combinado com pequenas mudanças no estilo de vida, pode reduzir em cerca de 10% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. O estudo, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, analisou dados de mais de 53 mil adultos britânicos e mostra que, além do sono extra, cerca de 4,5 minutos a mais de caminhada acelerada e um acréscimo de vegetais na dieta aumentam ainda mais esse efeito protetor. Os autores destacam que essas mudanças pequenas e pró‑ativas são mais fáceis de manter no longo prazo do que grandes ajustes em apenas um único comportamento. A combinação de sono um pouco mais longo, atividade física leve aumentada e dieta ligeiramente mais saudável aparece como uma estratégia prática para reduzir, significativamente, o risco de doenças cardíacas em populações adultas.
Subnotificados, casos de Oropouche atingem 2% dos brasileiros
Dados sobre a Febre do Oropouche indicam que a incidência real da doença é muito superior às ocorrências notificados, com até 200 casos reais para cada episódio conhecido.
Entre 1960 e 2025 a doença já infectou 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe, das quais ao menos 5,5 milhões no Brasil. A febre do Oropouche é transmitida aos humanos pela picada de mosquitos do tipo Culicoides paraensis, conhecido na Região Norte como maruim ou mosquito-pólvora. Os dados foram reunidos por um consórcio de pesquisadores da University of Kentucky, Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).
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