Artigo analisa exposição de comunidades pesqueiras a derramamento de petróleo-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

21/01/2026

Os impactos do derramamento de petróleo ocorrido em 2019 sobre a saúde e as condições de vida das comunidades da pesca artesanal no Nordeste são analisados em um estudo desenvolvido pela Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e outras instituições de pesquisa e movimentos sociais. Foi o maior derramamento de petróleo ocorrido no Brasil e atingiu o litoral de 11 estados. Somente em Pernambuco foram recolhidas mais de 5 mil toneladas do produto. Um artigo publicado esta semana traz novas conclusões acerca desse desastre-crime.

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Além da exposição direta ao petróleo, as comunidades enfrentaram outros desafios, como dificuldades de acesso a serviços de saúde preparados para reconhecer e atender casos de intoxicação relacionados à atividade pesqueira (Foto: Felipe Brasil/Fotos Públicas)

Os resultados fazem parte da pesquisa Desastre do petróleo e saúde do povo das águas, coordenada pelas pesquisadoras Idê Gurgel e Mariana Olívia, da Fiocruz Pernambuco, e realizada em articulação com o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e o Fórum Suape – Espaço Socioambiental. O estudo investiga os danos ambientais, sociais e à saúde provocados pelo derramamento que atingiu toda a costa nordestina, com efeitos mais intensos sobre populações que dependem diretamente da pesca para sua subsistência.

Segundo José Erivaldo Gonçalves, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Pernambuco e coordenador de campo da pesquisa, o Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat) da instituição se mobilizou para compreender de que forma a exposição ao petróleo afetou a reprodução social e a saúde dessas comunidades. “O desastre não pode ser analisado de forma isolada, pois se soma a um conjunto de vulnerabilidades históricas que já marcam o modo de vida da pesca artesanal”, afirma.

A pesquisa contou com a contribuição direta da UFBA, especialmente no desenho metodológico e nas análises estatísticas. A parceria foi estabelecida a partir das articulações com as pesquisadoras Rita Rego, da Faculdade de Medicina, e Verônica Cadena, do Departamento de Estatística da universidade. Essa colaboração teve início durante a aplicação do inquérito epidemiológico no estado da Bahia, período em que foram alinhados os procedimentos de campo e os instrumentos de coleta de dados.

O questionário aplicado em Pernambuco, por exemplo, foi baseado em um instrumento previamente validado pelo grupo de pesquisa da UFBA. De acordo com José Erivaldo, a utilização de metodologias semelhantes possibilita análises comparativas entre os impactos da exposição ao petróleo nos diferentes territórios do litoral nordestino.

O estudo também aponta que muitos pescadores e pescadoras participaram voluntariamente das ações de limpeza do petróleo nos territórios atingidos. Essas atividades ocorreram, em grande parte, sem treinamento adequado ou uso de equipamentos de proteção individual, o que ampliou os riscos à saúde. “Foram os próprios pescadores que iniciaram a contenção e a retirada do óleo em praias, manguezais e rios, em um contexto de ausência de orientações e proteção”, destaca o pesquisador.

Além da exposição direta ao petróleo, as comunidades enfrentaram outros desafios, como dificuldades de acesso a serviços de saúde preparados para reconhecer e atender casos de intoxicação relacionados à atividade pesqueira. Esse cenário foi agravado pela pandemia de Covid-19, que aprofundou as fragilidades sociais e sanitárias já existentes nos territórios.

A partir dos resultados obtidos, novos estudos estão em desenvolvimento para investigar a associação entre os níveis de exposição ao petróleo e sintomas de saúde autorrelatados, como alterações respiratórias e neurológicas, observadas entre um e três meses após o desastre. A expectativa é que esses dados contribuam para a formulação de políticas públicas voltadas ao monitoramento e ao acompanhamento da saúde das comunidades da pesca artesanal, além da estruturação de redes de resposta para futuros vazamentos e desastres envolvendo petróleo no litoral do Nordeste brasileiro.

O estudo contou com o financiamento do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação – Inova Fiocruz.


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