Publicado 28/03/2026 10:27

O tema escolhido desta semana é motivado pelo artigo publicado pelo professor doutor Reinaldo Guimarães, do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, intitulado “A explosão global dos preços dos medicamentos”, constante do Cadernos Fiocruz Saúde Global #2-2026, relacionando-o com o Seminário “Panoramas demográfico e epidemiológico globais: situação atual e tendências”, realizado em 25 de fevereiro de 2026, sendo ambos, componente do Curso de Atualidades em Saúde Global e Diplomacia na Saúde 2026, ofertado pela Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, e somando-se a essa análise, outras três publicações do professor Reinaldo Guimarães, “Sobre a Farma e a Big Pharma”, de 2025, “A Big Pharma, uma invenção norte-americana”, de 2024, e “Os dilemas das Big Pharmas”, de 2014.
O autor resgata o papel histórico de conflitos armados propiciando ambiente para o surgimento e desenvolvimento de grandes indústrias farmacêuticas nos Estados Unidos. A Guerra Civil americana impulsionou três grandes empresas estadunidenses: a Pfizer, fundada em 1849, por imigrantes alemães; a Lily, fundada em 1876, por ex-combatenteda Guerra de Secessão; e a Squibb, fundada em 1858, por um médico naval que combateu na Guerra Mexicano-Americana.
No curso das duas grandes guerras do Século XX, os americanos apreenderam da Bayer, empresa alemã, o registro e os ativos da aspirina, a Merck teve a sua separação compulsória da sua matriz alemã, e o governo estadunidense adquiriu integralmente a produção industrial da recém descoberta penicilina, ao entrar de vez na 2º Guerra mundial, tendo a Pfizer, Squibb e Merck como principais produtoras do novo medicamento.
O autor revela que o mercado global de medicamentos em 2013 correspondia à R$5,32 trilhões, que as 10 empresas campeãs de venda detinham 45% deste mercado, ao ampliar para o top 20, essa fatia salta para 2/3 do mercado. Em uma década o mercado mundial cresceu 50%, chegando em 2023 à ordem de R$ 8 trilhões.
Em 2022, o mercado americano de medicamentos representava R$3,4 trilhões (42,6%). Ao colocar a lupa nas empresas, verifica-se que em 2021, das 10 maiores empresas de medicamentos, 6 eram dos Estados Unidos da América.
Em 2023, o autor revela que foram empregados em ações de lobby junto ao Congresso e o Governo americano, mais de R$ 2 bilhões, constituindo o setor farmacêutico como o campeão disparado na busca por influência legislativa e tomadas de decisões no âmbito do poder executivo norte-americano.
Essa transformação em uma década foi impulsionada, entre outras variáveis, pela reestruturação do setor, marcada por incorporações, demissões e pelo aporte e domínio de grandes fundos de investimentos, caracterizando à financeirização da indústria farmacêutica.
Fundos de investimentos como BlackRock, Vanguard Group, State Street Global, entre outros, se consolidaram em 2014 como os principais financiadores de empresas como a Johnson & Johnson, Merck & CO e Pfizer. Destaque para o fundo BlackRock, que em 2004 não figurava no top 5 de investidores destas empresas e em 2014, uma década depois, consolida-se como o maior investidor das três.
Em 2009, a Pfizer comprou a Wyeth e em 4 anos demitiu 51.000 trabalhadores. Na compra da Schering-Plough pela MercK, foram 24.000 demissões. Nessa esteira histórica, a AstraZenica reformulou suas operações e o resultado foi um corte de 13.500 postos de trabalho.
O autor da pistas sinalizando que as aquisições e fusões, refletiram, também em incorporações de produtos e tecnologias, tendo como consequência o baixo crescimento de investimentos em novas descobertas e inovações, registrando um crescimento agregado de 1,8% a.a. entre 2012 e 2018, contradizendo a estratégia de um setor que tem no centro a inovação tecnológica. Na outra ponta, observa-se um aumento na distribuição de dividendos aos seus acionistas dos respectivos fundos de investimentos.
A financeirização da indústria farmacêutica dá um salto, constitui-se a Big Pharma, transformando-a como um dos componentes centrais do Complexo Industrial da Saúde. Este, composto por um conglomerado econômico e industrial, englobando um conjunto de serviços em sua orbita. No contexto da indústria da saúde, destacam-se os setores de medicamentos e de vacinas, constituindo o seu carro chefe, somados os dois setores, representam 75% deste complexo.
A consolidação da Big Pharma traz consigo características que perpassam pelo seu forte poder político, pela hiper concentração empresarial, por seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, pelo hiper posicionamento geográfico e pela sua própria dimensão grandiosa.
Nas dimensões de hiper concentração empresarial e posicionamento global geográfico, o autor sinaliza que em 2023, o mercado de medicamentos tinha na sua liderança uma empresa suíça, uma francesa, duas britânicas e seis norte-americanas. O mercado de equipamentos médicos de imagem, diagnostico e outros, seguem na mesma direção destas dimensões, pois, das dez maiores empresas, seis são norte-americanas, uma francesa, uma suíça, uma alemã e outra holandesa.
Em ambas dimensões, percebe-se que somente quatro países de dois continentes, América e Europa, detém as dez maiores empresas de medicamentos e os mesmos dois continentes, com cinco países, abrigam as dez maiores empresas de equipamentos médicos de imagem, diagnostico e outros.
Em relação ao posicionamento global de mercados de medicamentos, em 2022, observa-se uma concentração excessiva, repousando em 10 países 72% do mercado mundial. Ao analisar o mercado estadunidense, identifica-se que este representa 42,6%, conforme já apresentado no texto.
Diante desse enredo, o autor crava um cenário mundial de explosão dos preços dos novos medicamentos e de outros já consolidados, destacando o papel central dos interesses da Big Pharma e a dinâmica do mercado norte-americano, que transborda seus tentáculos para o restante das nações no mundo.
Na contra mão deste movimento avassalador, o Brasil, através do governo do Presidente Lula (PT), intensifica um conjunto de ações diplomáticas junto à diversas nações, arquitetando cooperações-técnicas, assinado acordos e parcerias, resultando na busca do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Brasil.
Essas ações revelam resultados concretos na caminhada pela soberania nacional de medicamentos, no fortalecimento da indústria brasileira, no desenvolvimento de ciência e tecnologia e na produção em território nacional de medicamentos e vacinas, para atender o nosso povo e dar robusteza ao Sistema Único de Saúde.
A estrada é longa, com ladeiras, curvas sinuosas, cheia de obstáculos, mas seguimos firmes nesta caminhada histórica!
As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal Vermelho
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