Parceria entre países do sul global, território mais afetado pela doença, debate estratégias clínicas e laboratoriais de cada nação para o enfrentamento à tuberculose

Pode a cooperação em saúde cumprir um papel decisivo na erradicação de doenças socialmente determinadas, como a tuberculose? A instigante aposta rema no sentido contrário do nacionalismo que dificultou a resposta à pandemia da covid-19, há poucos anos.
Na semana passada, foi realizado no Brasil o treinamento Manejo da Tuberculose Resistente a Medicamentos para Países Lusófonos, com especial foco no uso da pretomanida para o tratamento da tuberculose multirresistente. Além de técnicos brasileiros, participaram da atividade profissionais de saúde de Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Na quinta-feira (29), Outra Saúde acompanhou uma visita da delegação internacional ao Instituto Adolfo Lutz, laboratório de análises ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, localizado na capital paulista. Na atividade, foram debatidas estratégias clínicas e laboratoriais para melhor identificar casos da doença, e destacou-se o papel essencial da rede de laboratórios de saúde pública.
“A tuberculose é uma doença do Sul Global. Essa cooperação, além da língua, também ocorre porque dividimos desafios. Os países da África lusófona têm muito interesse em conhecer e entender como organizamos os serviços para poderem aprimorar e expandir o cuidado com a tuberculose, mas nós também estamos aprendendo muito, já que eles têm respostas para alguns problemas que também enfrentamos. Essa troca de experiência é o que é grandioso nessa atividade”, avalia Nicole Menezes de Souza, consultora técnica do Ministério da Saúde que atua no Programa Nacional de Controle da Tuberculose.
Os diálogos proporcionados pela atividade também são enfatizados por Elsa Luís Kanduma, médica, mestra em Saúde Pública e trabalhadora do Ministério da Saúde de Moçambique. “Desde o primeiro dia, temos feito uma troca de experiência em que vemos o que se faz nos outros países e podemos implementar. Em nosso país, um dos desafios que temos é a adesão dos pacientes ao tratamento da tuberculose resistente”, conta a este boletim.
De fato, o Brasil ainda enfrenta um cenário complexo – os dados mais recentes, que crescem desde 2017, apontam para 86 mil casos e 6 mil óbitos anuais –, mas conta com um importante trunfo: “O SUS oferece todas as fases de diagnóstico, atendimento, cuidado e acompanhamento da tuberculose” de forma integral e gratuita, lembra Nicole.
Desde 2024, o país também conta com o programa Brasil Saudável, histórica iniciativa que busca eliminar 11 doenças negligenciadas e determinadas socialmente – entre elas, a tuberculose. Em artigo publicado neste boletim, Susana van der Ploeg (GTPI) avalia que o programa “representa um avanço” por identificar que a doença só pode ser enfrentada com “políticas intersetoriais, integrando saúde, assistência, moradia, saneamento e combate à pobreza”, mas ainda carece de “lugar central na agenda política”, “orçamento garantido” e “execução efetiva”.
Com apoio do Ministério da Saúde, a atividade da semana passada foi organizada pela TB Alliance e pela PeerLinc Knowledge Hub, organizações sem fins lucrativos que trabalham com o enfrentamento da tuberculose.
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