Pesquisa com mais de 6,4 milhões de crianças aponta impacto do calor no peso e crescimento
O aumento da temperatura no Brasil pode estar associado ao agravamento da desnutrição infantil. É o que indica estudo publicado na revista científica internacional The Lancet Planetary Health, que analisou dados de mais de 6,4 milhões de crianças entre 12 e 59 meses em todos os municípios do país.
Pesquisa publicada na revista The Lancet Planetary Health indica que o aumento de temperatura no Brasil agrava a desnutrição infantil. O estudo da Fiocruz analisou 6,4 milhões de crianças e constatou que cada grau acima de 26°C eleva em 10% o risco de baixo peso e 8% para desnutrição aguda e atraso no crescimento. Os maiores riscos foram identificados nas regiões Norte e Nordeste, áreas rurais e municípios com maior vulnerabilidade socioeconômica.
A pesquisa identificou que, a cada aumento de 1°C acima da média de 26°C, há crescimento no risco de diferentes formas de desnutrição. O levantamento aponta aumento de 10% na chance de baixo peso, além de 8% para desnutrição aguda e 8% para atraso no crescimento.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), com base em dados de saúde e assistência social coletados entre 2008 e 2017, incluindo informações do Cadastro Único, do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional.
De acordo com os pesquisadores, o impacto da temperatura sobre o estado nutricional das crianças ocorre em ritmos diferentes.
Os efeitos relacionados ao baixo peso e à desnutrição aguda tendem a aparecer em curto prazo, geralmente entre zero e três semanas após a exposição ao calor. Já o atraso no crescimento apresenta efeito mais tardio, associado à exposição prolongada às altas temperaturas.
Entre os mecanismos apontados estão a redução do apetite, alterações no metabolismo e maior ocorrência de episódios de diarreia, fatores que interferem diretamente na absorção de nutrientes.
A análise também identificou diferenças conforme o perfil social e geográfico. Os maiores riscos foram observados nas regiões Norte e Nordeste, além de áreas rurais e municípios com maior nível de vulnerabilidade socioeconômica.
O estudo também aponta maior incidência de desnutrição entre crianças de grupos historicamente mais vulneráveis, como filhos de mães indígenas.
Segundo os autores, ainda há poucas pesquisas que relacionam diretamente temperatura e estado nutricional infantil, especialmente em países da América Latina. O estudo destaca que o aumento das temperaturas pode atuar em conjunto com fatores socioeconômicos, ampliando os riscos para populações mais vulneráveis.
Os pesquisadores defendem que os resultados podem contribuir para o planejamento de políticas públicas voltadas à proteção da saúde infantil, especialmente em contextos de mudanças climáticas.
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