O crescimento infantil abaixo do padrão e o risco de obesidade entre crianças brasileiras acenderam um alerta nacional. Um estudo de grande escala, com dados de 6 milhões de crianças em situação de vulnerabilidade social, revela que meninos e meninas estão enfrentando, cada vez mais cedo, problemas de crescimento e peso fora dos parâmetros internacionais — um cenário que pode comprometer a saúde ao longo de toda a vida.
A pesquisa foi publicada na revista JAMA Network e contou com a participação de pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia). O objetivo foi acompanhar, de forma longitudinal, o histórico nutricional e o crescimento das crianças brasileiras, comparando os resultados com o padrão de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS), baseado em populações consideradas saudáveis.
O que os dados revelam
A investigação analisou registros da chamada Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, que reúne informações do Cadastro Único (CadÚnico), do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) e do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).
O crescimento foi monitorado a partir do índice de altura para a idade. Já o peso foi avaliado por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), considerando a faixa etária das crianças.
Os resultados indicam que, em diversas regiões do país, crianças em vulnerabilidade social apresentam crescimento abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, enfrentam maior risco de sobrepeso e obesidade — um fenômeno conhecido como dupla carga de malnutrição.
Segundo o pesquisador Gustavo Velasquez, do Cidacs/Fiocruz Bahia, crianças com altura abaixo do padrão ideal tornam-se mais suscetíveis ao excesso de peso. Quando há dois ou mais problemas nutricionais simultaneamente, caracteriza-se a dupla carga, condição associada a maiores riscos de doenças crônicas ao longo da vida.
Crescer é ainda mais difícil para crianças indígenas
Entre os achados mais preocupantes está a situação das crianças indígenas. O estudo aponta que elas não atingem a altura média adequada até os 9 anos de idade.
Esse déficit de crescimento, iniciado na primeira infância, tende a se tornar permanente. Os pesquisadores associam o problema a fatores estruturais, como privação crônica, desigualdade histórica, condições precárias de vida e saúde, além de insegurança alimentar.
Ao mesmo tempo, cerca de 30% das crianças brasileiras com até 9 anos apresentam sobrepeso. O dado mostra que o excesso de peso não está restrito a grupos com maior renda — ele também atinge quem vive em contextos de vulnerabilidade.
A pesquisadora Carolina Santiago, coautora do estudo, destaca que crianças expostas a ambientes desfavoráveis não estão protegidas da obesidade e, simultaneamente, enfrentam obstáculos ao crescimento saudável.
O estudo reforça a importância de políticas públicas integradas desde os primeiros anos de vida. Entre as recomendações estão:
- Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde com foco em crescimento saudável.
- Monitoramento contínuo do estado nutricional infantil.
- Políticas intersetoriais voltadas a territórios prioritários.
- Estratégias culturalmente sensíveis para povos indígenas.
- Enfrentamento da insegurança alimentar e da baixa qualidade da dieta.
Além disso, os pesquisadores destacam que fatores como ambientes alimentares desfavoráveis e desigualdades sociais persistentes devem ser considerados na formulação de políticas públicas.
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