Edição: sábado, 10 de janeiro de 2026
O país é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo

Vitor Cesar especial para o Diário
Hoje em dia, 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos são utilizados no planeta. No Brasil, o consumo anual de pesticidas tem sido superior a 300 mil toneladas, assim desde 2008, é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. A maior parte desses produtos são utilizados nas áreas rurais para o controle de pragas e no aumento da produção agrícola dos consumidores dessas ferramentas. Porém, também, a utilização deles pode causar problemas à saúde humana e à ecologia.
Um estudo conduzido em 2021 pela Louise Moura de Carvalho, mestre pela Fiocruz, encontrou uma concentração média mais elevada de organoclorados (pesticidas banidos por alta toxicidade) entre indivíduos que fizeram uso de agrotóxico, e uma maior chance, de ter sido exposta à agrotóxico para aquelas mulheres que desenvolveram o câncer de mama em Petrópolis. A pesquisa foi administrada por meio de um questionário, acompanhamento e amostras de sangue com pessoas com mais de 18 anos e que vivem há pelo menos dois anos na cidade.
No Brasil a região que mais utiliza esses pesticidas em larga escala é a Sudeste. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a região consome cerca de 38% dos produtos comprados ou produzidos pelo Brasil, seguida por Sul (31%) e Centro-Oeste (23%). O Estado do Rio não está entre os locais que mais utilizam os pesticidas, ocupando o décimo lugar no ranking nacional, porém, com uma indicação de aumento de 500% nos três anos anteriores da pesquisa, finalizada e publicada em 2016.
Um levantamento realizado pela Prefeitura de Petrópolis reuniu, entre os anos de 2017 e 2025, dados sobre intoxicação exógena (de fora do corpo) na rede pública de saúde. Os dados apontam 2.431 casos registrados até o ano passado. Por agrotóxicos, foram levantados 104 ocorrências, número que representa mais de 4% do total de intoxicados. O maior responsável por intoxicações na cidade durante esse período são medicamentos com 1.125 casos , representando 46% das ocorrências contabilizadas.
De acordo com nota publicada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Governo do Estado destacou a fiscalização e controle do uso de agrotóxicos por meio de drones. As operações registradas no sistema de Coordenadoria de Defesa Sanitária Vegetal são para regulamentar a aplicação de produtos em plantações e melhorar o controle sanitário no estado. Ainda segundo a pasta, o regulamento também estabelece obrigações no descarte correto dos agrotóxicos, que também podem ser observados pelos drones das operações.
A Lei dos Agrotóxicos, atualizada em 2023 pela Lei n° 14.785, é a regulação que rege a pesquisa, registro, produção, comercialização e uso de agrotóxicos, produtos de controle ambiental. A principal mudança para as leis anteriores (7.802/89 e 9.974/00) é a centralização na coordenação dos registros dos produtos no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), retirando a responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). No início de 2025, o Mapa foi responsável por aprovar mais 912 substâncias, 37% superior a 2024.
Carolina Rodrigues, engenheira agrônoma, cita alguns prejuízos ambientais que essas substâncias podem causar. “Os agrotóxicos podem contaminar o solo e os corpos d’água, afetando a biodiversidade aquática e a qualidade da água potável. Isso é especialmente preocupante em áreas rurais onde a população depende de poços e fontes naturais. O uso excessivo dessas substâncias prejudica espécies essenciais para o equilíbrio ecológico, como abelhas e outros polinizadores, além de afetar a fauna e flora locais”, alerta.
A cartilha Série Trilhas do Campo, produzida pela Anvisa, lista sintomas de intoxicação por contato tópico (na pele), ingestão ou inalação.
- Na pele: Irritação, vermelhidão, brotoejas com coceira e desidratação;
- Por inalação: tosse, dificuldade para respirar, dor no peito, ardência no nariz e na boca;
- Por ingestão: náuseas, vômitos, diarreia, irritação na boca e na garganta
- Alguns efeitos prolongados incluem tremores, fraqueza, e em casos mais graves, aborto, depressão e até óbito.
Em caso de suspeita, procure imediatamente assistência médica em postos de saúde e hospitais. O serviço Disque Intoxicação (0800-722-6001) também está disponível por 24h e oferece orientações gratuitas para os que ligam. O Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) também oferece informações e atendimento gratuito sobre intoxicações por agrotóxicos, produtos químicos ou acidentes com animas peçonhentos, auxiliando pacientes e profissionais da área com o objetivo de diagnosticar e tratar a quem foi intoxicado. Eles atendem pelo número (21) 2629-9033 e estão em Niterói.
Edição: sábado, 10 de janeiro de 2026
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