Marcado pela abordagem de temas como diversidade de gênero, ciência de dados, produção e inovação em saúde, responsabilidade social e ética, interseccionalidade e acesso a oportunidades para jovens estudantes, o II Seminário STEM na Saúde apresentou um saldo positivo. O evento marcou o primeiro ano do projeto STEM na Saúde: Mentoria para Promoção da Equidade de Gênero em Ciência, Tecnologia e Inovação, que visa ampliar a presença e a participação de mulheres e meninas em atividades científicas inovadoras.

A Rede é uma iniciativa inovadora que mobiliza todas as unidades da Fundação em torno de um objetivo comum: promover a formação e a mentoria de mulheres na ciência (Foto: Vanor Correia (Icict/Fiocruz)
Somando o público presencial e o online, o evento alcançou um público de cerca de 800 pessoas. “A ideia desse segundo seminário foi a de organizar mesas sobre temáticas importantes e estruturantes para o nosso projeto. A Fiocruz é uma instituição que abrange todo o território nacional e tem muitas áreas do conhecimento envolvidas. Agora, já temos um primeiro balanço de um ano do nosso trabalho de mentoria”, explicou a coordenadora de Divulgação Científica da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeci/Fiocruz), responsável pelo Seminário, Cristina Araripe.
Segundo Cristina, a Rede Nacional STEM na Saúde foi contemplada em 2025 pelo edital Ciências Exatas, Engenharia, Matemática e Computação para Mulheres, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para ela, a Rede é uma iniciativa inovadora que já mobiliza todas as unidades da instituição em torno de um objetivo comum: promover a formação e a mentoria de mulheres na ciência. “Desde seu início, o projeto organizou-se regionalmente para receber 68 bolsistas de diversos níveis, do pós-doutorado ao ensino médio, integrando-as ativamente às atividades”, salientou.
Cristina salientou que, com parcerias estendidas a institutos federais em estados como o Maranhão e o Piauí, a Rede reforça seu compromisso com a interseccionalidade e o amplo acesso às oportunidades. Para ela, o evento levantou desafios importantes, como a necessidade de aprofundar a interdisciplinaridade na formação das bolsistas e repensar modelos tradicionais de mentoria, visando inspirar trajetórias científicas inovadoras e com impacto social. A avaliação é positiva e Cristina destaca os avanços já conquistados e os caminhos a seguir para consolidar essa política pública de inclusão e desenvolvimento científico no país.
Mentoria e formação
O segundo seminário foi um momento estratégico de balanço e reflexão. Um destaque entre os temas debatidos foi como ampliar a inclusão das mulheres nas áreas STEM. A professora Andreza Leite de Alencar, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), que tem formação em ciência da computação e atua em projetos que usam a tecnologia para construir soluções de saúde, destacou a importância desse trabalho.
“Como professora e docente, buscando formar novos estudantes, a gente também se preocupa em incluir meninas nesse processo de formação com um olhar mais diverso e inclusivo. Um dos desafios é ensinar essas meninas a construírem uma cidadania tecnocientífica. Precisamos pensar em como essa nova geração vai ter um olhar mais direcionado aos problemas da sociedade e da saúde, pensando em soluções inovadoras, tecnológicas e, principalmente, que gerem um impacto social”, afirmou.
A pesquisadora Klena Sarges, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), destacou que o letramento digital e o desenvolvimento de soluções são fundamentais para que as mulheres alcancem cargos de liderança. “Sem letramento digital não há alcance da plena cidadania nem equidade de gênero. Para empoderar as mulheres, é preciso preparar futuras cientistas e promover o acesso ao conhecimento com paciência, de modo a evitar a dependência de figuras masculinas para a resolução de problemas pessoais e familiares”, sentenciou.
Klena apresentou projetos de formação focados no empoderamento de meninas. “A transformação digital deve ser para todos. É importante que a gente prepare as mulheres para essa era digitalmente transformada”. A pesquisadora citou dados que mostram que as mulheres representam quase 52% da população nas favelas. “Garantir o letramento digital a meninas de territórios vulneráveis é fundamental para a inclusão social e econômica, ampliando o acesso a serviços públicos, emprego e renda”, observou.
Por fim, a pesquisadora do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Valéria Castro, trouxe para o debate o impacto real das violências contra as mulheres e como elas influenciam a permanência das mulheres e meninas nessa área. “Temos poucos estudos nesse sentido, mas alguns deles apontam o assédio nos locais de trabalho como um dos fatores que levam as mulheres e meninas a não permanecerem na área STEM. Acho importante que as áreas de ciências sociais e da saúde pública contribuam com pesquisa para mudar essa realidade”, pontuou.
Link do seminário: https://www.youtube.com/live/uW9yiVF34sU?si=c_T1vDc3eX3OS-m–
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