

A maior análise global com dados primários sobre crianças com microcefalia associada ao Zika vírus revela um quadro de graves e múltiplas sequelas que vão muito além do tamanho reduzido da cabeça ao nascimento. Publicado na revista PLOS Global Public Health, o estudo descreve que essas crianças enfrentam, com alta frequência, epilepsia, calcificações cerebrais, comprometimento visual profundo e atrasos severos no desenvolvimento neurológico.
A pesquisa, intitulada “Characterization of 843 children with Zika-related microcefalia in the first three years of life” (Caracterização de 843 crianças com microcefalia relacionada ao Zika nos primeiros três anos de vida em tradução livre), reuniu informações de 843 crianças brasileiras nascidas entre 2015 e 2018, provenientes de 12 coortes do Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika. O trabalho tem participação do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira da Fiocruz.
Por meio de assessoria de imprensa, a pesquisadora do IFF/Fiocruz Maria Elizabeth Lopes Moreira informou que o tamanho da amostra permitiu observar que existe um amplo espectro de gravidade entre as crianças com a síndrome. “Até o momento, a caracterização da Síndrome Congênita do Zika se baseava em séries de casos e estudos com poucos participantes. Este estudo consolida um conhecimento construído desde o início da epidemia”, complementa Demócrito Miranda, professor da Universidade de Pernambuco.
Os dados mostram que 71,3% das crianças já nasceram com microcefalia, sendo que 63,9% desses casos eram graves. Outras 20,4% desenvolveram microcefalia após o nascimento. A professora da UFRJ Cristina Hofer destaca que os desfechos mais frequentes foram as anormalidades estruturais do sistema nervoso central, detectadas por neuroimagem.
Zica vírus causa múltiplas alterações no cérebro de crianças infectadas
Os exames de imagem cerebral revelaram achados graves: calcificações foram registradas em 81,7% das crianças, ventriculomegalia (dilatação dos ventrículos cerebrais) em 76,8% e atrofia cortical em cerca de metade dos casos. Essas alterações explicam em parte as severas complicações neurológicas observadas.
No aspecto neurológico, a epilepsia foi diagnosticada em uma média de 58,3% das crianças, com algumas coortes registrando até 80% de ocorrência. Mais da metade apresentou déficit de atenção social e 63,1% mantiveram reflexos primitivos que deveriam ter desaparecido, indicando atraso no desenvolvimento.
O comprometimento sensorial também é expressivo. Alterações oftalmológicas, que podem levar a graves deficiências visuais, foram encontradas em até 67,1% dos casos. Alterações auditivas, embora menos frequentes, também estavam presentes.
O estudo confirma que a Síndrome Congênita do Zika é uma condição complexa e permanente. “Esses graves danos ao sistema nervoso central exigem cuidados multidisciplinares e assistência de diferentes especialidades médicas e de outras áreas da saúde”, reforça o pesquisador Ricardo Ximenes, da UFPE e UPE.
Os autores do estudo destacam a necessidade urgente de políticas públicas que garantam suporte contínuo e multidisciplinar às crianças e suas famílias, que enfrentam desafios diários com uma condição que requer acompanhamento vitalício especializado.
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