Por Matheus Souza
Um estudo realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), publicado na Plos Neglected Tropical Medicine, revela que o risco de morte por dengue no Brasil está diretamente associado a desigualdades sociais. Populações vulnerabilizadas vivem sob maior risco de adoecimento e morte por dengue, e este se acentua quando a pessoa é negra e de baixa renda, conforme indicam os achados inéditos da pesquisa.
O levantamento, realizado pela pesquisadora Luciana Cardim, mostra que indivíduos negros e pobres enfrentam mais dificuldades de acesso ao diagnóstico e ao cuidado em saúde. Segundo ela, a razão do estudo foi entender a raça/etnia como parte de uma estrutura maior, que impacta diretamente o acesso e qualidade do cuidado em saúde, assim como à educação, emprego e moradia.
Na pesquisa, foram analisados mais de três milhões de casos de dengue registrados entre 2007 e 2018 na chamada Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, uma grande base de dados de saúde criada e mantida pela Fiocruz. Foi realizado um cruzamento de dados socioeconômicos, com atenção especial para informações das populações com baixa renda inscritas no CadÚnico, com os casos de dengue e registros de óbitos pela doença no país.
O levantamento ainda proporcionou uma identificação de mortes por dengue que acabaram não sendo registradas no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), produzindo estimativas de letalidade ainda mais precisas.
Populações Afetadas
Segundo o estudo, homens, negros, residentes da região Nordeste, com baixa ou sem escolaridade, com 60 anos ou mais, aposentados ou pensionistas, além de famílias em condições de moradia desfavorável e infraestrutura precária tem mais chances de morrer pela doença.
“Na prática, pessoas em situação de maior vulnerabilidade têm menos chance de acessar o cuidado adequado no tempo certo, o que aumenta a chance de morrer nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas”, explica Luciana Cardim. A análise também aponta falhas no registro das causas de morte, o que indica subnotificação de óbitos pela doença.
Combate e Prevenção
O estudo aponta a necessidade de políticas públicas não só para a prevenção da infecção pelo vírus da dengue, mas também na assistência médica para populações vulneráveis.
Ações de controle para evitar a reprodução do mosquito Aedes aegypti são fundamentais na prevenção de surtos e novos casos. Para o combate, o estudo afirma que é preciso ampliar e qualificar a equipe da Atenção Primária à Saúde para reconhecer precocemente os sinais de gravidade da doença e oferecer o tratamento mais eficiente o mais rápido possível.
“Nos demais níveis de atenção, é essencial também garantir o cuidado em tempo oportuno, como a hidratação rápida nos quadros graves. Além disso, é imprescindível investir em saneamento, intensificar o controle do mosquito, especialmente nas áreas mais vulneráveis, além de ampliar, claro, o acesso à vacina contra a dengue. Não podemos esquecer que reduzir desigualdades pode salvar vidas”, finaliza a pesquisadora.
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