Celebrado no Rio de Janeiro nesta terça-feira (10/2), o Dia Estadual de Saúde nas Favelas ganha, em 2026, um sentido ainda mais profundo ao reafirmar que o cuidado produzido nos territórios populares é fundamental para a saúde de toda a sociedade. Com o tema Políticas de cuidado nas favelas produzem saúde para todas as pessoas, a data será marcada por uma ampla programação coordenada pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa da Fiocruz que articula organizações sociais, universidades e coletivos comunitários em diferentes regiões do estado.
O ponto central da programação acontece no dia 10 de fevereiro, a partir das 14h, no Museu de Favela (MUF), no Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, em Ipanema, reunindo organizações dos territórios para um encontro de escuta, troca de experiências e construção coletiva. No entanto, as atividades começaram antes: entre os dias 6, 7 e 9 de fevereiro, diversas ações simultâneas ocupam favelas e comunidades do Rio de Janeiro, mostrando, na prática, como o cuidado se materializa no cotidiano.
Para o coordenador executivo do Plano Integrado de Saúde nas Favelas da Fiocruz, Richarlls Martins, o Dia Estadual é mais do que uma data simbólica. “As políticas de cuidado que nascem nas favelas são estratégicas para a promoção da saúde no estado como um todo. Elas partem da vida real, das necessidades concretas, e demonstram que a saúde não se produz apenas dentro das unidades formais, mas também nas cozinhas comunitárias, nas hortas, nas rodas de conversa, na comunicação popular e na organização coletiva”, afirma. Segundo Martins, a centralidade do cuidado nos territórios populares amplia o próprio conceito de saúde pública. “As favelas historicamente produzem respostas solidárias, inovadoras e eficientes diante das desigualdades. Valorizar essas práticas é reconhecer que o [Sistema Único de Saúde] SUS se fortalece quando dialoga com os saberes comunitários e com quem vive o território”, completa.
Programação reúne escuta, arte e diagnóstico coletivo
O encontro do dia 10 de fevereiro, no Museu de Favela, começa com a mesa institucional de abertura. Na sequência, os participantes se dividem em grupos simultâneos para uma exposição guiada pelo MUF e para a Oficina de Cartografia do Cuidado, atividade que convida as organizações a mapearem práticas, afetos e redes que sustentam a saúde nos territórios.
Durante o evento, será apresentado ainda um Diagnóstico do Plano Integrado de Saúde nas Favelas, reunindo reflexões sobre os impactos, desafios e caminhos futuros da iniciativa. O encontro se encerra com uma confraternização entre as lideranças, reafirmando o espírito de convivência e partilha que marca o plano desde sua criação.
Saúde em movimento nos territórios
Paralelamente ao evento do dia 10, organizações que integram o Plano realizam ações descentralizadas em diferentes municípios, traduzindo o tema do cuidado em práticas concretas. No dia 6 de fevereiro, a organização Reaprender promoveu um Dia de Vacinação, com aplicação de doses contra Influenza, Covid-19, Febre Amarela, Tríplice Viral e Hepatite, na Ilha do Governador. No mesmo dia, a SOS Ilha Grande realizou um encontro especial do projeto Cozinhas e Hortas Solidárias, no território onde atuam em Angra dos Reis, fortalecendo a relação entre alimentação saudável, território e saúde.
Já no dia 10 de fevereiro, além da programação no MUF, acontecem a distribuição de enxovais e fraldas para gestantes e adolescentes, organizada pela Casa da Criança e do Adolescente de Saúde nas Favelas, em Volta Redonda; o desfile do Bloco Loucos Pela Vida, que une cultura, saúde mental e ocupação do espaço público, em Niterói; e uma roda de conversa sobre saúde nas favelas com mutirão da Farmácia Viva, promovida pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.
A agenda segue nos dias seguintes com rodas de conversa e mutirões agroecológicos, como o mutirão de manejo agroflorestal no Museu Bispo do Rosário (11/02) e a ação na horta da Clínica da Brisa, em Guaratiba (12/02), também organizada pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia.
Cuidado como política pública
Criado durante a pandemia de Covid-19, o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro se consolidou como uma das maiores iniciativas do país voltadas à saúde integral em territórios populares. A partir do fortalecimento de organizações locais, o plano atua em áreas como segurança alimentar, saúde mental, educação popular em saúde, comunicação comunitária, agroecologia e geração de renda, impactando favelas de dezenas de municípios fluminenses.
Para a assessora de relações institucionais da presidência da Fiocruz, Zélia Profeta, o Dia Estadual de Saúde nas Favelas reafirma essa trajetória coletiva. “Essa data é um convite para toda a sociedade reconhecer que as favelas não são apenas espaços de vulnerabilidade, mas também de produção de soluções, saberes e políticas de cuidado. Celebrar esse dia é afirmar que a saúde se constrói com participação, solidariedade e justiça social”, conclui.
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