Fiocruz – Jornal Panorama-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

05/12/2025

A pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) que desenvolve dois novos testes para diagnóstico da doença de Chagas conquistou o primeiro lugar no 17º Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS, anunciado no dia 2 de dezembro de 2025 durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), em Brasília. O prêmio é promovido pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A tese vencedora, intitulada Desenvolvimento de protótipos de Elisa e teste rápido para a doença de Chagas crônica, foi liderada pelo biomédico Evandro da Rocha Dias, do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do IOC/Fiocruz. A pesquisa contou com a orientação dos pesquisadores Angela Junqueira e David William Provance Junior, do Laboratório de Doenças Parasitárias e do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, respectivamente. O projeto resultou no desenvolvimento de dois tipos de testes: um teste rápido, que oferece resultados em apenas 15 minutos e pode ser aplicado em áreas remotas, e um teste do tipo ELISA, para análise em laboratórios com infraestrutura adequada.

O impacto da nova tecnologia para o diagnóstico da doença de Chagas

A doença de Chagas, causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, afeta entre 2 milhões e 4,9 milhões de pessoas no Brasil, conforme estimativas do Ministério da Saúde. Sua forma crônica, que se desenvolve após anos de infecção silenciosa, é muitas vezes diagnosticada tardiamente, o que pode levar a graves problemas cardíacos e digestivos. A inovação apresentada pelos pesquisadores da Fiocruz visa resolver as dificuldades no diagnóstico, especialmente na região Amazônica, onde testes comerciais frequentemente apresentam resultados inconclusivos.

Os novos testes têm um excelente desempenho, com 94% de sensibilidade para o ELISA e 95% para o teste rápido, além de alta especificidade: 99% para o ELISA e 96% para o teste rápido. Isso significa que há um baixo percentual de resultados falso-positivos, um problema crítico no diagnóstico da doença de Chagas. A pesquisa foi realizada utilizando amostras consideradas padrão de referência pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e foi testada em amostras de cinco estados brasileiros, incluindo Amazonas, Ceará, Maranhão, Paraíba e Sergipe.

Desafios e inovações no diagnóstico da doença de Chagas

A premiação foi um reconhecimento pelo esforço científico em melhorar o diagnóstico da doença de Chagas, especialmente em áreas remotas. Angela Junqueira, uma das responsáveis pelo projeto, destacou a importância de desenvolver testes eficazes para a região amazônica, onde a logística e o acesso a unidades de saúde são desafiadores. “Na logística da Amazônia, quando há um resultado inconclusivo, é difícil o paciente retornar para novo exame. Ter um teste eficaz, principalmente um teste rápido, que pode ser aplicado em áreas remotas, é fundamental para essa população”, afirmou a pesquisadora.

Os testes também foram aplicados em comunidades ribeirinhas de Barcelos, no Amazonas, e mostraram um bom desempenho mesmo em locais de difícil acesso. Para Evandro da Rocha Dias, a premiação simboliza a contribuição da ciência brasileira para a saúde pública. “Os testes foram desenvolvidos para ampliar o acesso ao diagnóstico da doença de Chagas crônica e têm o potencial de reduzir custos para o SUS”, comemorou.

O projeto contou com financiamento de instituições como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Programa Inova Fiocruz, além do apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Barcelos e do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro.

Futuro e perspectivas

A pesquisa desenvolvida pelo IOC/Fiocruz apresenta uma grande inovação tecnológica, especialmente no uso de proteínas recombinantes para diagnóstico, uma técnica que foi aprimorada ao longo de mais de dez anos de pesquisa. Além disso, a parceria com Bio-Manguinhos/Fiocruz, estabelecida em 2022, permitiu a fabricação dos testes em moldes industriais. A expectativa é que, no primeiro semestre de 2026, o Bio-Manguinhos solicite o registro dos testes junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O projeto não só representa um avanço significativo no diagnóstico da doença de Chagas, mas também contribui para a introdução de novas tecnologias no Brasil, com potencial de beneficiar a saúde pública e reduzir custos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Da redação do Jornal Panorama

Com informações: Agência Fiocruz

Imagem:  Fiocruz/ Divulgação


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