Fiocruz lamenta a morte do seu pesquisador emérito João Carlos Pinto Dias-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

03/01/2026

A Presidência da Fiocruz lamenta profundamente o falecimento, em 31 de dezembro, do médico e cientista João Carlos Pinto Dias, pesquisador emérito da Fundação desde 2009 e referência em medicina tropical, sobretudo no campo da doença de Chagas. Pinto Dias era especializado em doenças infecciosas e parasitárias, com mestrado e doutorado em medicina tropical, dirigiu o Posto Avançado de Estudos Emmanuel Dias (Paeed), em Bambuí (MG), ligado à Fiocruz, e foi protagonista das primeiras campanhas para erradicar a doença de Chagas. Ele atuou nas áreas de epidemiologia, clínica, diagnóstico, vigilância e controle da doença de Chagas na América Latina, na dinâmica populacional de triatomíneos e nos ciclos de transmissão de Trypanosoma cruzi. Ele tinha 87 anos.

Pinto Dias, junto com professor Chris Schofield, foi o idealizador da proposta de eliminação do Triatoma infestans dos países do Cone Sul, posteriormente assumida e implementada pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas), em 1991. Ele também criou, na década de 1980, antes da existência do Hemominas, um programa estadual de cadastramento de doadores de sangue em Minas Gerais, inclusive com renovação semestral de “carteirinha do doador”. Por meio do programa, exames para diferentes doenças eram realizados. Igualmente de sua autoria foi o laboratório estadual para o diagnóstico de doenças transmitidas pelo sangue (Chagas inclusive e principalmente) na Fundação Ezequiel Dias (Funed), que se transformaria em referência nacional. Sua trajetória deixou um legado de expressivas contribuições para a ciência, a assistência e a formação de gerações de profissionais.

Pinto Dias criou o primeiro sistema de controle da doença de Chagas com participação da comunidade e teve papel fundamental para que o controle dos vetores fosse considerado prioridade no final da década de 1970, principalmente pelos seus resultados de pesquisa epidemiológica, que também revelavam a importância social da doença. O cientista chefiou o Laboratório de Triatomíneos e Epidemiologia da Doença de Chagas da Fiocruz Minas, de 1978 a 1985, e implementou a missão de desenvolvimento de uma pesquisa social e politicamente comprometida e engajada na concretização do que no futuro seria o Sistema Único de Saúde (SUS).

Membro do Comitê de Doenças Negligenciadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Academia Mineira de Medicina, Pinto Dias produziu centenas de trabalhos científicos. Ele foi diversas vezes condecorado com prêmios e títulos, como a Medalha da Ordem do Mérito Médico e Científico Carlos Chagas, concedida pelo Ministério da Saúde, e a Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida pela Presidência da República.

O pesquisador era filho do médico Emmanuel Dias (1908-1962) e foi em Bambuí que deu continuidade aos trabalhos do pai. Em 1980, o Centro de Estudos e Profilaxia da Moléstia de Chagas (CEPMC), vinculado ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), passou para a responsabilidade da Fiocruz Minas e passou a se chamar Posto Avançado de Pesquisas Emmanuel Dias, em homenagem ao pesquisador que esteve à frente de suas atividades desde a fundação até 1962, ano de sua morte, quando João Carlos Pinto Dias assumiu o comando.

Durante a gestão de João Carlos Pinto Dias houve um aprofundamento de estudos clínicos, além da realização de testes de inseticidas contra os barbeiros. Houve ainda a implementação do primeiro programa de vigilância epidemiológica com participação comunitária para o controle da doença de Chagas (pioneira no mundo), por meio do engajamento das escolas rurais da região, que se tornaram polos aglutinadores da mobilização da comunidade no combate à doença. O programa foi replicado por todo o Brasil e serviu de modelo para outros países da América Latina. Outros destaques foram a descrição pioneira de novos inseticidas piretroides, os estudos evolutivos da doença crônica, com casos seguidos durante décadas, os estudos locais de morbidade e atenção à saúde (projeto Bambuí Saudável), os estudos de biologia de espécies silvestres do vetor e pesquisas no aprimoramento de métodos de diagnóstico parasitológico.


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