Evento no Rio de Janeiro reúne participantes do primeiro ciclo da Rede a fim de aprofundar o intercâmbio entre os participantes, fortalecer a aprendizagem colaborativa e refletir sobre os avanços e efeitos já produzidos nos territórios
Thathiana Gurgel
Entre os dias 25 e 27 de fevereiro de 2026, o Rio de Janeiro sediará o II Encontro Nacional da Rede ColaboraAPS, reunindo integrantes das 30 experiências que compõem o primeiro ciclo da Rede, além de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde. Este encontro é considerado um momento estratégico para o primeiro ciclo, ocorrendo logo após a rodada inicial de visitas de intercâmbio, iniciadas após o 1º encontro que aconteceu em outubro de 2025.
O caráter estratégico do evento reside na capacidade de transformar o conhecimento aplicado no cotidiano em respostas concretas aos desafios da Atenção Primária à Saúde (APS). Por meio de oficinas temáticas conduzidas por especialistas sobre temas fundamentais para a APS na atualidade, o segundo Encontro oferece a oportunidade de criação de novos aportes teórico-práticos para as experiências, que desde o início do ciclo vêm passando por um processo de (auto)reflexão e sistematização escrita. Segundo Eduardo Melo, vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz e coordenador-geral da Rede, o encontro nacional possibilita a experimentação de novas estratégias de intercâmbio entre experiências que respondem à desafios comuns da APS. “Será uma oportunidade para ampliar os aportes teórico-práticos por meio de oficinas temáticas, permitindo que as experiências enfrentem desafios comuns, especialmente no atendimento a populações vulnerabilizadas e questões de saúde mental”, afirma.
A mesa de abertura está marcada para às 9h e contará com a participação de Marco Menezes, diretor da ENSP/Fiocruz, José Eudes, diretor da SAPS/MS e do vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz e coordenador geral da Rede Colabora APS, Eduardo Melo, além de representantes das instituições parceiras que integram a governança da Rede. A presença das lideranças reafirma a parceria institucional entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, fortalecendo o compromisso conjunto com a inovação e o aprimoramento da Atenção Primária à Saúde (APS). Na sequência será realizada a mesa redonda “Reconhecimento social de sistemas de saúde baseados na APS e os efeitos da APS na vida das pessoas e populações” que terá como participantes o convidado internacional Sérgio Minué Lorenzo, médico e professor da Escola Andaluza de Saúde Pública e Centro Colaborador da OMS em APS e a médica de família e comunidade Andreia Beatriz Silva Santos, para trazer uma perspectiva de quem vive e usa a APS no SUS. O encontro será organizado como um espaço de diálogo e compartilhamento de experiências entre os participantes. A iniciativa busca ampliar repertórios e inspirar novas estratégias de atuação.
Entre as novidades, a programação do segundo encontro prevê momentos de visualização das vitrines virtuais, recém-construídas pelas experiências da rede e cujos portfólios serão matéria-prima para visitas virtuais de intercâmbio. O encontro inaugura também uma nova etapa da produção audiovisual sobre as experiências. “O clima é de muita expectativa, animação e aposta neste importante dispositivo de cooperação técnica que é a rede, combinando experiências, inovação e processos colaborativos”, completa Eduardo Melo.
Intercâmbio e aprendizagem colaborativa
Exclusivo para os integrantes da Rede, o encontro consolida o processo iniciado em 2025, que mobilizou quase 500 experiências inovadoras na Atenção Primária à Saúde (APS) pelo país. O objetivo agora é aprofundar a troca e fortalecer a aprendizagem coletiva. A Agente de Cooperação de Referência em Pernambuco, Alessandra Reis, destaca que o evento simboliza essa maturidade: “Será uma oportunidade de fortalecer as redes de compartilhamento que estão se constituindo. Pudemos avançar na compreensão sobre inovações e modos de fazer diferentes, aprendendo uns com os outros e aperfeiçoando as experiências já existentes”, afirma. Para ela, o encontro terá um caráter tanto celebrativo quanto reflexivo sobre os avanços da rede nacional. Alessandra reforça que o evento possui um viés celebrativo e reflexivo sobre os avanços da rede nacional, permitindo que os profissionais analisem como o conhecimento aplicado no dia a dia responde aos desafios concretos do SUS. Essa dinâmica de intercâmbio é fundamental para a disseminação de práticas que tornam a Atenção Primária mais resolutiva e equitativa nos territórios.
Programação integra os pilares da Rede
A agenda do II Encontro Nacional foi estruturada com base nos três pilares que sustentam a Rede Colabora APS: intercâmbios, gestão do conhecimento e comunicação. Estes pilares funcionam de forma integrada para transformar as experiências locais em conhecimento coletivo e inovação para o SUS.
O evento contará com mais de 20 atividades, totalizando 60 horas de programação, incluindo oficinas formativas, mesas-redondas e visitas técnicas ao sistema de saúde do Rio de Janeiro. Além das sessões teóricas e oficinas, a agenda inclui visitas técnicas ao sistema de saúde do Rio de Janeiro, proporcionando uma imersão prática na realidade da saúde pública carioca e reforçando a potência do trabalho em rede.
As atividades permitirão aos participantes refletir sobre como o conhecimento aplicado no cotidiano responde aos desafios concretos da APS. Stefania Soares, coordenadora executiva do encontro, ressalta a expectativa positiva: “Esperamos que deste momento surjam novas ideias e motivação para seguir fortalecendo a Atenção Primária no dia a dia de quem faz o SUS acontecer”. A programação será encerrada com uma plenária de perspectivas, dedicada aos próximos passos da Rede até o fim do primeiro ciclo, previsto para maio deste ano.
Inovação e Impacto nos territórios
A Rede ColaboraAPS, fruto da parceria estratégica entre a ENSP/Fiocruz e a SAPS/MS, dedica-se à disseminação e ao fortalecimento de práticas que tornam a Atenção Primária à Saúde (APS) mais resolutiva, equitativa e conectada às realidades dos territórios em todo o Brasil. O aprendizado construído ao longo do ciclo não se restringe aos espaços de debate e intercâmbio, ele se desdobra em impactos concretos na ponta do sistema, qualificando o trabalho cotidiano das equipes, aprimorando as respostas aos desafios do SUS e ampliando a capacidade de inovação na gestão e no cuidado.
Para a coordenadora de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ), Patrícia Heras, a iniciativa fortalece diretamente a gestão local ao se constituir como um espaço qualificado de intercâmbio. “Trata-se de um espaço qualificado de intercâmbio. A troca de saberes e o apoio na construção de estratégias para a APS carioca
fortalecem nossa atuação. Cada aprendizado reafirma que inovar na saúde pública é, acima de tudo, acreditar na potência do trabalho em rede”, conclui. Nesse contexto, o trabalho colaborativo promovido pela Rede evidencia como a articulação entre diferentes territórios, gestores e equipes amplia a capacidade de resposta do SUS, ao integrar saberes, compartilhar soluções e sistematizar experiências.
O II Encontro Nacional consolida-se como um espaço de articulação e visibilidade para 30 práticas inovadoras da Atenção Primária à Saúde no SUS, oriundas de 14 estados e 27 municípios, incluindo nove capitais, conectando gestores, gestoras e profissionais estratégicos de diferentes territórios em uma ampla rede de colaboração na APS. As iniciativas foram escolhidas por meio de chamada pública nacional, que recebeu 472 propostas de diferentes regiões do país. O processo de seleção, conduzido entre junho e agosto de 2025, envolveu análise documental e entrevistas, com a participação de especialistas da área. Organizadas em seis eixos temáticos: Acesso, Equidade, Formação, Planejamento, Resolutividade e Sustentabilidade, as experiências evidenciam a pluralidade regional e os múltiplos desafios da APS no Brasil.
A programação do encontro será encerrada com uma plenária de perspectivas, dedicada exclusivamente a traçar o roteiro das ações que guiarão a Rede até a conclusão de seu primeiro ciclo. Com o encerramento desta etapa previsto para maio de 2026, o foco dos próximos meses será consolidar os resultados colhidos desde o início das mobilizações em 2025. A expectativa é que o amadurecimento coletivo alcançado no Rio de Janeiro se traduza em uma Atenção Primária cada vez mais resolutiva e equitativa, reafirmando que inovar na saúde pública é, acima de tudo, acreditar na potência do trabalho em rede. Assim, o fortalecimento das redes de compartilhamento, amadurecido durante o evento, deverá seguir gerando novas ideias, engajamento e motivação para os profissionais que fazem o SUS acontecer no dia a dia.
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