A Fiocruz realizou na última semana (9 a 11/3), na cidade de Tabatinga (AM), mais uma etapa do processo de defesas de dissertações dos discentes indígenas do Mestrado em Saúde Coletiva, oferecido pela primeira vez na modalidade turma estendida, exclusiva para indígenas do Alto Solimões, na Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), no Amazonas. A atividade marca o processo de consolidação da política de ações afirmativas da Fiocruz na Amazônia, com o êxito obtido no processo formativo da turma composta por 13 dos 15 alunos que ingressaram no curso.
Iniciada em 2023, a primeira turma de mestrado fora da sede da Fiocruz Amazônia é também um marco da interiorização das ações afirmativas da pós-graduação da Fiocruz (foto: Fiocruz Amazônia)
“Chegarmos a essa etapa final do processo, com a apresentação de trabalhos de pesquisa de qualidade que refletem a transformação vivenciada pelos alunos, é motivo de muito orgulho e uma grande conquista para todos nós que fazemos o Programa de Pós-graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia”, comemorou a médica sanitarista Luiza Garnelo, pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia e coordenadora especial da turma de mestrado.
Iniciada em 2023, a primeira turma de mestrado fora da sede do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) é também um marco da interiorização das ações afirmativas da pós-graduação da Fiocruz, que se tornou possível a partir de parcerias e do apoio fundamental das vice-presidências de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz) e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Durante três dias, foram realizadas atividades de avaliação – com debates e reflexões acerca das vivências e processos de aprendizado no curso –, defesas de três dissertações (todas aprovadas), juntamente com um evento comemorativo e uma mesa de debates que reuniu lideranças indígenas, docentes de pós-graduação e representante discente, para abordar o tema Vozes indígenas em diálogo com os formadores em saúde coletiva.
Luiza Garnelo explica que o objetivo da programação em Tabatinga foi “demarcar” esse momento com uma atividade que permitisse o fortalecimento e a proximidade entre as instituições. “As defesas estão acontecendo por módulos, que nos permitirão também estabelecer outros importantes momentos de discussão acerca das políticas de ações afirmativas no Brasil, e decidimos fazer aqui em Tabatinga um debate reunindo dirigentes institucionais, lideranças indígenas, docentes e discentes para demarcar nossa presença nesse território”, enfatizou Garnelo.
O evento contou com a presença da vice-presidente adjunta de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Eduarda Ângela Pessoa Cesse; da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Costa Pinto Lopes; do diretor do Centro de Estudos Superiores de Tabatinga da UEA, Edilson de Carvalho Filho; do vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Cláudio de Oliveira Peixoto; da coordenadora do PPGVIDA, Ani Beatriz Jackisch Matsuura; e do apoiador de saúde Nilson Alexandre, da Coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Alto Solimões). Participaram da mesa Vozes Indígenas em Diálogo com os Formadores em Saúde Coletiva: Luiza Garnelo; o médico e coordenador da área de Saúde Coletiva na Capes Bernardo Lessa Hort, pesquisador visitante sênior da Fiocruz Amazônia; o cacique da comunidade indígena Tauaru, Flávio Curico Lopes, da etnia Kokama; Gilson Mayoruna, representante do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Estado do Amazonas; Taffarel Nogueira de Carvalho, representante discente da turma de Sanitaristas Indígenas; e a chefe do AgSUS Tabatinga e egressa do PPGVIDA, Cristiane Ferreira da Silva.
“Hoje faço parte da mesa com muito orgulho e feliz de ver a parenta Tikuna fazer a defesa de seu trabalho”, disse, emocionado, Gilson Mayoruna, destacando a necessidade de novas iniciativas de formação para estudantes indígenas que desejam se desenvolver e atuar em outros territórios indígenas do Estado. “Nessa turma, temos alunos das etnias Kanamari, Mati, Kulina e Mayoruna, mas muitos outros esperam uma oportunidade e não podem estar aqui. Agradeço a Fiocruz e a UEA pela iniciativa do curso e por terem acolhido os nossos parentes, mas queremos dizer que somos capazes e somos inteligentes como vocês. Sonhamos um dia ter a nossa língua falada numa universidade”, defendeu.
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