Bater a meta da imunização contra a gripe tem desafiado os gestores da saúde nos últimos anos — e, na maioria dos casos, com desfechos desanimadores do ponto de vista sanitário. Há duas semanas nas ruas, a campanha de 2026 se dá em um cenário aparentemente mais delicado: o de mobilizar uma população ainda contaminada por ideias antivacina e em um momento em que as infecções do tipo fugiram da curva.
Há um aumento de complicações respiratórias durante o inverno — por isso, a concentração de esforços para a vacinação dos brasileiros na estação anterior. As águas de Março, porém, trouxeram um outono com circulação de vírus atípica e preocupante, como têm alertado órgãos ligados à saúde coletiva.
O boletim mais recente da Fiocruz, divulgado na última quinta-feira, indica que a influenza A “ainda apresenta níveis elevados de incidência” no país e que 13 das 27 unidades da Federação seguem com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, com sinal de crescimento nas últimas seis semanas. São elas: Acre, Pará, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.
O Distrito Federal está em situação menos crítica, mas longe de ser confortável. A Fiocruz classifica o cenário da capital federal como de risco. São 1.445 casos descobertos de SRAG de 4 de janeiro a 4 de abril — o equivalente a 16 por dia. Houve um pico na primeira semana de março, com 208 diagnósticos, e, desde então, os registros vêm diminuindo, chegando a 60 confirmações entre 29 de março e 4 de abril. Preocupa no caso dessa síndrome o fato de ela ser desencadeada por uma diversidade de vírus — influenza, coronavírus, rinovírus, sincicial respiratório, todos em circulação no momento — e de levar a complicações respiratórias que exigem hospitalização, sobretudo de idosos e bebês.
Não é preciso exigir muito da memória para trazer à tona os efeitos de um aumento da pressão sobre as unidades de saúde em razão de infecções virais. Em 2024, o país enfrentou a pior epidemia de dengue da história — com 6,4 milhões de casos diagnosticados e 5,9 mil mortes —, ainda se recuperando da devastação sanitária causada pela pandemia da covid-19. Em ambos os casos, a escalada de infectados foi acompanhada por escassez de leitos públicos e privados, sobrecarga de trabalho para profissionais de saúde e superlotação em espaços de acolhimento temporário, entre outras gravidades.
Agora, há um arsenal mais completo de fórmulas protetivas — boa parte delas disponíveis gratuitamente pelo SUS — que reduz significativamente o risco de infecções respiratórias evoluírem para quadros críticos. Chega a ser irracional não aderir a um pacto coletivo cujos efeitos aumentam dos anticorpos ao Produto Interno Bruto, passando pela expectativa de vida da população. Já são 1.621 mortes registradas por SRAG desde o início do ano, em um país com expertise em imunização em massa reconhecida internacionalmente. Passou da hora de, internamente, essa competência voltar a ser valorizada.
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