A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira, 5, alerta para os cuidados que devem ser adotados no Carnaval. A atualização mostra manutenção da queda do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, causada pela baixa atividade de diversos vírus respiratórios, como influenza A, Covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR), na maioria dos estados. A exceção são estados da Região Norte, como Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia, que têm apresentado incidência elevada de SRAG e tendência de crescimento nas últimas semanas. A análise é referente à Semana Epidemiológica 4, período de 25 a 31 de janeiro.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, chama a atenção para as recomendações que devem ser seguidas no Carnaval, em especial nos estados do Norte. Pessoas com sintomas de gripe ou resfriado devem permanecer de preferência em casa, em repouso. Caso participem dos festejos carnavalescos, apesar dos sintomas, a orientação é usar uma boa máscara e ficar em locais bem arejados, a fim de diminuir as chances de transmissão do vírus.
Diante do cenário de alta de casos de influenza A no Norte, Tatiana alerta que é fundamental que a população prioritária da região – como idosos, indígenas, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde – se vacine o quanto antes contra o vírus. Além disso, com a aproximação do período sazonal do VSR, ela ressalta que é essencial que gestantes a partir da 28ª semana se vacinem, garantindo que seus filhos estejam protegidos contra o vírus após o nascimento.
A análise mostra que nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a Covid-19 (Sars-CoV-2) foi responsável por 22,3% dos casos dos vírus respiratórios e 45% das mortes pela doença. A atualização aponta que nesse período a prevalência entre os casos positivos foi de 19,3% de influenza A, 2,0% de influenza B, 11,2% de vírus sincicial respiratório, 32% de rinovírus e 22,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal são 24,3% de influenza A, 5,4% de influenza B, 1,8% de vírus sincicial respiratório, 16,2% de rinovírus e 45% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Estados e capitais
No Acre e no Amazonas o estudo sinaliza que o aumento de SRAG continua sendo motivado pela influenza A, especialmente entre idosos, jovens e adultos, e pelo VSR, que tem sido responsável pelo aumento de SRAG sobretudo em crianças pequenas. Em Roraima, o crescimento de SRAG ocorre principalmente em crianças pequenas, enquanto em Rondônia o aumento é observado entre os idosos. No entanto, informa Portella, ainda não há dados laboratoriais suficientes nesses estados para identificar o vírus responsável por esse crescimento.
Apenas 4 das 27 unidades federativas apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 4 – Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia. O aumento de SRAG no Amazonas e Acre continua sendo impulsionado pela influenza A, atingindo especialmente jovens, adultos e idosos, e pelo VSR, que afeta principalmente as crianças pequenas.
Em Roraima o crescimento de SRAG ocorre principalmente em crianças pequenas, enquanto em Rondônia o aumento é observado entre os idosos. Contudo, ainda não há dados laboratoriais suficientes nesses estados para determinar o vírus responsável por esse crescimento.
Duas das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 04: Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Além disso, três capitais ainda apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Brasília (DF), Boa Vista (RR) e São Luís (MA).
Dados epidemiológicos
Em nível nacional, o cenário atual sugere que os casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), apresentam sinal de queda nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). No ano epidemiológico de 2026 já foram notificados 4.667 casos de SRAG, 1.371 (29,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.952 (41,8%) negativos e ao menos 995 (21.3%) aguardando resultado.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 19,3% de influenza A, 2,0% de influenza B, 11,2% vírus sincicial respiratório, 32% de rinovírus e 22,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência e mortalidade
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.
ASC/FIOCRUZ
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