A edição mais recente do Boletim InfoGripe da Fiocruz, publicada nesta quinta-feira (15/1), destaca o aumento bastante acelerado do número de casos graves por influenza A no Acre e no Amazonas, que tem impulsionado o aumento das hospitalizações por SRAG, atingindo níveis de incidência elevados para a região. A análise é referente à Semana Epidemiológica 1, no período de 4 a 10 de janeiro de 2026.
Além disso, alguns estados do Nordeste, como Ceará, Pernambuco e Sergipe, também têm apresentado leve aumento dos casos graves por influenza A, porém ainda sem impacto nas hospitalizações por SRAG. Enquanto no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul o aumento das hospitalizações por influenza A apresenta sinais de desaceleração.
A pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, informa que a campanha de vacinação contra a influenza já começou na Região Norte. “Por isso, é fundamental que a população de risco da região, como idosos, crianças e pessoas com comorbidades, procure um posto de saúde o quanto antes para se proteger contra o vírus”, enfatiza.

Incidência por faixa etária
Em nível nacional, observa-se uma manutenção da tendência de queda ou estabilidade dos casos de SRAG em todas as faixas etárias. Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a redução ou estabilidade do número de novos casos nas diferentes faixas etárias se deve à baixa atividade de diversos vírus respiratórios. A exceção é a influenza A que, apesar da baixa atividade na maioria dos estados, tem impulsionado o aumento de SRAG nas crianças pequenas, adultos e idosos do Amazonas e nas crianças pequenas e idosos do Acre.
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos. A incidência de SRAG por Sars-CoV-2 e influenza A é maior entre crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.
Dados epidemiológicos e óbitos
O indicador de nível de atividade atual aponta o nível de atividade da SRAG nas últimas duas semanas em comparação com o histórico de incidência da SRAG após a implementação da vacinação contra a Covid-19 no país. Os limiares de baixo risco e segurança indicam que a incidência de SRAG ocorre em níveis relativamente baixos e seguros para a região. O limiar de alerta sinaliza uma atividade acima do nível moderado, mas ainda abaixo do considerado alto. Já os limiares de risco e alto risco apontam que os casos estão em patamares elevados e muito elevados, respectivamente. Para auxiliar na interpretação dessas tendências, o mapa mostra os indicadores relativos aos dados até a semana mais recente, levando em conta a estimativa de casos, e a evolução desses indicadores nos gráficos das séries temporais de cada localidade.
Em nível nacional, o cenário atual mostra que apenas 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 1: Manaus (AM) Cuiabá (MT) e São Luís (MA).
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 21,9 % de influenza A, 3,1% de influenza B, 6,9% de vírus sincicial respiratório, 36% de rinovírus, e 14,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 29,8% de influenza A, 3,3% de influenza B, 4,1% de vírus sincicial respiratório, 20,7% de rinovírus, e 38,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Sinal de queda na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) e de estabilização ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas 3 semanas). Referente ao ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 552 casos de SRAG, sendo 84 (15,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 168 (30,4%) negativos e ao menos 254 (46,0%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26,2 % são de influenza A, 6% de influenza B, 7,1% de vírus sincicial respiratório, 34,5% de rinovírus e 17,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 21,9 % de influenza A, 3,1% de influenza B, 6,9% de vírus sincicial respiratório, 36% de rinovírus, e 14,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.
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