Laboratório conjunto China-Brasil em doenças infecciosas é inaugurado em Pequim-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

02/01/2026

Foi inaugurado na segunda-feira (29/12), em Pequim, o Laboratório Conjunto China-Brasil Cinturão e Rota sobre Microrganismos Tropicais, baseado no Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências (CAS). A iniciativa é uma parceria bilateral entre os países liderada pela Fiocruz e a CAS, que se iniciou em 2023 na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dirigente chinês Xi Jinping. Na ocasião, os parceiros assinaram um memorando de entendimento para a criação do Centro Sino-brasileiro de Prevenção e Pesquisa em Doenças Infectocontagiosas (IDRPC), com sede nos dois países – sendo o laboratório a sede chinesa.

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Durante a cerimônia, foi celebrada a colaboração entre Brasil e China como fundamental na crise sanitária de Covid-19 e relembrado o histórico que deu origem ao laboratório conjunto (Foto: Divulgação)

“O marco celebrado hoje representa um avanço na relação bilateral Brasil-China e na cooperação em saúde no âmbito do Sul-Global”, afirmou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, durante participação remota em um vídeo na inauguração. “O governo brasileiro, por meio do presidente Lula e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vem reforçando alianças estratégicas com a China, no contexto dos Brics, e a Fiocruz foi convocada a desempenhar papel central desta aliança no campo da saúde”. No Brasil, o IDRPC é hospedado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

A iniciativa se dá em um contexto em que a cooperação científica é fundamental frente às doenças infecciosas – especialmente após a pandemia de Covid-19 e das mudanças climáticas. Moreira pontuou que a cooperação é um eixo estratégico de atuação da Fiocruz, com foco na construção de capacidade produtiva e inovativa local e na aceleração de projetos de pesquisa para ampliar o acesso à saúde no Sul Global. “O laboratório reafirma a importância da ciência e a capacidade de colaborar entre países em prol da saúde pública como pilares de um mundo mais equilibrado”, salientou o presidente da Fiocruz.

O ministro-conselheiro Rafael Leme, representando a embaixada do Brasil em Pequim, destacou o laboratório como um capítulo promissor na história de cooperação entre os países.  “Tal progresso não é uma coincidência, é o resultado de cinco décadas de confiança, estabilidade, diálogo e trabalho duro de todos os cientistas”, disse ele. ”A pesquisa desempenhada aqui ajudará a salvar não apenas vidas brasileiras e chinesas, mas contribuirá para prevenção, preparação e respostas a pandemias, assim como a pautar os efeitos das mudanças climáticas – isso tem o potencial de salvar vidas mundialmente”.

Agradecimentos

Na cerimônia, o presidente Mario Moreira saudou a atuação do ex-presidente da Fiocruz e diretor do CDTS, Carlos Morel, e do cientista George Fu Gao, que foi diretor do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/China), pela liderança e empenho na parceria que deu origem ao laboratório. Por vídeo, Morel também agradeceu a Moreira, a ex-presidente da Fundação, Nísia Trindade, e lembrou o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, que faleceu em 2025, pelo apoio e dedicação na cooperação. “Espero que essa colaboração traga bons resultados não só para os dois países, mas para o Sul Global”, afirmou Carlos Morel.

O assessor da Presidência da Fiocruz para China, André Lobato, representou a Fundação na cerimônia presencialmente. Ele destaca que o laboratório é fruto de um trabalho de muitos anos que reuniu acadêmicos e cientistas dos dois países tratando de doenças infecciosas. Lobato ressalta ainda que essa parceria foi determinante na pandemia para desenvolvimento de vacinas, além do fortalecimento da capacidade genômica da Fiocruz. “É um grande marco na história da cooperação entre Brasil e China”, afirma.

Durante a cerimônia, George Fu Gao também celebrou a colaboração entre Brasil e China como fundamental na crise sanitária de Covid-19 e relembrou o histórico que deu origem ao laboratório conjunto, ressaltando desafios atuais, como a resistência antimicrobiana. “Nós precisamos trabalhar juntos. Precisamos lembrar disso, da importância da colaboração entre os países do Sul Global e, por isso, temos hoje a inauguração desse laboratório”.

Foi saudado o papel fundamental também do governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde e das embaixadas, localizadas em Pequim e em Brasília, e dos cientistas dos dois países que se dedicaram ao longo dessa trajetória de parceria. O evento foi uma celebração dupla: além da inauguração do laboratório, foi celebrado o 17º aniversário de fundação do Laboratório Principal de Microbiologia e Imunologia de Patógenos da Academia Chinesa de Ciências.

Centro Sino-Brasileiro de Pesquisa e Prevenção de Doenças Infecciosas

Em abril de 2023, a Fiocruz e o Centro de Excelência CAS-TWAS para Doenças Infecciosas Emergentes (CEEID, na sigla em inglês), por meio do Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências (CAS), assinaram um memorando de entendimento para a criação do Centro Sino-Brasileiro de Pesquisa e Prevenção de Doenças Infecciosas (IDRPC).

Ficou estabelecido que o centro teria uma sede em Pequim e outra na Fiocruz. O objetivo da iniciativa é, a partir do trabalho conjunto, fortalecer a cooperação na área de ciência e tecnologia relacionada à saúde, com foco na prevenção e controle de pandemias e epidemias. Desde então, os cientistas envolvidos no projeto têm se reunido em um grupo de trabalho formado para o estabelecimento do centro.

Parcerias e cooperação

Em uma outra frente de cooperação recente, em outubro, o Ministério da Saúde enviou uma missão oficial à China para debater a integração entre os dois países, conhecer projetos e firmar parcerias no setor, no âmbito de uma estratégia acordada pelos dois governos. Na pauta, a ampliação da parceria da Fiocruz com a Biomm e Gan & Lee, o projeto do primeiro “hospital inteligente” do Brasil, as cooperações científicas, tecnológicas e de produção com instituições chinesas e a integração entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Administração Nacional de Produtos Médicos. A Fiocruz fez parte da missão.


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