A vida para quem é alinhado com o sistema é assim: quando você fracassa, é para cima. É o caso de Dilma Rousseff, que após um governo desastroso, tão ruim quanto uma pandemia para a nossa economia, agora tem posição de chefia no mesmo setor, no banco do BRICS.
Perder 22 pacientes em um estudo, em tese, deveria ser um resultado ruim para colocar no currículo de um médico. Foi o que aconteceu no estudo da cloroquina em Manaus, realizado em 2020 com quase 100 pacientes e chefiado pelo infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz Amazônia.
Desde então, contudo, Lacerda só ganha louros. Em dezembro de 2021, ganhou medalha do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas. Em julho de 2023, ganhou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a medalha do Mérito Científico.
Agora, como Dilma, Lacerda subiu mais um degrau internacionalmente: foi nomeado como o novo diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A nomeação veio do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Lacerda “influenciou direta e profundamente as estratégias de eliminação da malária e o campo mais amplo da Saúde Global”, disse a Fiocruz ao comunicar o novo cargo do até então coordenador de seu Laboratório Instituto de Pesquisas Clínicas Carlos Borborema (IPCCB).
A fundação citou um burocrata da saúde europeu que afirmou que Lacerda realizou um “trabalho incrivelmente rigoroso com a Covid-19 durante as dificuldades da pandemia”.
Há, contudo, perguntas ainda não respondidas sobre o estudo de Manaus.
Lacerda parou de falar com a imprensa não alinhada
A última vez que Marcus Lacerda parece ter falado com a imprensa com postura mais crítica ao atual governo (que tende a ser também a imprensa crítica aos abusos autoritários da pandemia, como passaportes vacinais e imposição de máscaras ineficazes) foi em 2021.
Em entrevista na época à Gazeta do Povo, o médico pesquisador disse, sobre os pacientes do estudo, que “as pessoas que vão para a UTI com Covid estão gravíssimas, elas morrem mesmo. Eu estou trabalhando com uma doença que mata”.
Uma acusação feita por outros médicos e pesquisadores foi que a possível causa da morte dos 22 pacientes foi não apenas a Covid, mas também uma dose exagerada de cloroquina usada no estudo, de 600 miligramas de 12 em 12 horas. Os pacientes tinham sobrepeso. Na entrevista, Lacerda rebateu que quem fazia essa acusação e lê seu artigo “sabe que não foi nada disso”.
A Academia Americana de Oftalmologia afirma que a cloroquina apresenta risco à vida dos pacientes a partir de 2,3 miligramas por quilo. Dessa forma, uma pessoa com 100 kg poderia tomar no máximo 230 miligramas, quase três vezes menos que a dose do estudo.
Lacerda alega ter se baseado numa prescrição de dose dos chineses em seus estudos do uso de cloroquina como possível tratamento para Covid-19. Especificamente, a Comissão de Saúde da Província de Guangdong estava usando pílulas de fosfato de cloroquina 500 mg duas vezes por dia, por dez dias.
Em 10 de novembro de 2021, seis médicos e pesquisadores brasileiros mandaram uma carta à revista que publicou o artigo de Lacerda pedindo que o artigo fosse retratado (desabonado após publicação) por causa de um erro na conversão da dose chinesa. Segundo eles, “as pílulas chinesas de cloroquina estão descritas em sal, não em base, o que significa que 500 mg de difosfato de cloroquina contêm aproximadamente 310 mg de base de cloroquina”.
Por isso, continuaram, a conversão da dose exigia que os comprimidos chineses fossem “substituídos por dois comprimidos brasileiros de 150 mg, mas os brasileiros [do estudo de Lacerda] usaram quatro comprimidos em vez disso”. O resultado foi que Lacerda e colegas “quase dobraram a dose diária usada nos estudos chineses”.
A revista, JAMA Network Open, ignorou a crítica e não retratou o estudo. Na página do trabalho, há um comentário aceito pela revista apontando o problema da superdosagem. No PubPeer, rede social de comentários de cientistas sobre artigos técnicos que já revelou milhares de casos de fraude, há também comentários sem resposta dos autores falando que “a ‘dose maior’ poderia ter sido descrita melhor como dose superalta”.
Questões não respondidas
Em julho de 2021, o jornalista investigativo David Ágape publicou na Gazeta do Povo uma reportagem na qual relatou o que disseram as famílias de dois dos pacientes mortos no estudo, o músico Robson de Souza Lopes (43 anos) e o agricultor Ozaniel Almeida Rosa (55 anos).
Segundo Ágape, os entrevistados “acreditam que a superdosagem foi responsável pela morte de seus familiares e denunciam uma possível tentativa de fraude dos pesquisadores”.
Lacerda nunca quis responder às perguntas de Ágape sobre as denúncias das famílias, apesar de contatos repetidos. Esta coluna, também, oferece espaço para explicações, se elas existem.
Até lá, o que parece é que o lado que politizou a pandemia para proteger o Estado e, muitas vezes, defender autoritarismo, e usou “a ciência” para tentar silenciar e punir o “outro lado” (do ceticismo e da hesitação vacinal, que também teve seus excessos) continua fracassando para cima.
Source link
Você pode se precisar disso:
Produtos Recomendados

Ômega 3 1000mg Rico em EPA DHA com Selo IFOS e Vitamina E – 60 cápsulas Vhita-radardasaude
Ver na Amazon* Links de afiliado. Podemos receber uma comissão por compras qualificadas.
Conteúdo Indicado



