Morar em Liberdade lança novo episódio do Diários de Sampa
Por Juliana Vargas e Fernanda Severo (Nusmad/Fiocruz Brasília)
Websérie destaca experiências de ocupação cultural carnavalesca da cidade
Vivenciar São Paulo é construir rotas alternativas no cotidiano. Quem nunca se perdeu na cidade? Quem nunca se achou nas harmonias do samba e da alegria?
A cultura popular é sempre uma forma de expansão. Longe dos estereótipos que enquadram a arte – e a loucura – a vida pulsante das comunidades constitui a melhor forma de fazer reverberar a cultura de um povo. O carnaval é uma dessas expressões brasileiras que abraçam as pessoas que passam, que param ou que seguem. Está na rotina, numa batucada, num adereço, no samba no pé, nas marchinhas. É por natureza o lugar de inclusão e ressignificação de si e do outro. Quem acredita que os afetos podem fazer morada nos movimentos do cuidado integral? Por outros carnavais e por sociedades sem manicômios contamos essa história paulistana.
Neste segundo episódio da Websérie Diários de Sampa – Morar em Liberdade: Onde moram os afetos?, trabalhadoras da Rede de Atenção Psicossocial do SUS em São Paulo, Elisabete Meola e Flavia Blikstein contam a história do nascimento do Cordão Bibitantã que em 2026 completa 20 anos, reuniu usuários, profissionais de saúde mental e sambistas em oficinas semanais de percussão, dança, adereços e confecção de sambas. As tardes vivas de sexta-feira eram compostas, ainda, de rodas de conversa sobre os atravessamentos da música e da arte no cotidiano de todos. Um espaço de afetos onde todos ensinam e se mobilizam.

Foi assim, que os desfiles – realizados atualmente na Rua do Samba, local onde grandes cordões se apresentam durante o carnaval paulistano – permitiram levar o Caps para além dos muros. Como disse Elisabete Meola, isto permitiu retomar o desafio da Reforma e “construir um outro lugar social para as pessoas. Ocupar outros lugares e a cidade”.
Projeto de inclusão pela cultura, o Bibitantã resulta da parceria entre o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Butantã, CAPS Itaim, CAPS Lapa, CAPS AD Butantã e Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO) Previdência. Bibitantã é uma apropriação. Foi o fenômeno que convidou os usuários e trabalhadores a dançar, uma integração fluida, como comentou Flavia Blikstein “Se o samba tá bom todo mundo se achega (…) se agrega de uma maneira fluida”. É assim que as expressões culturais promovem o empoderamento e transformam a loucura em estandarte da cidadania.
Saiba mais
Websérie Diários de Sampa – Morar em Liberdade: Onde mora a dignidade?/Episódio 01
Playlist da Websérie no Canal “Morar em Liberdade” (Todos os episódios em português e as versões em inglês e italiano)
Websérie Retratos da Reforma Psiquiátrica Brasileira
Acervo em Ciência Aberta (Arca Dados Fiocruz)
Memórias da Saúde Mental (Nusmad) no Arca Dados
Instalação Virtual Morar em Liberdade
Histórico da pesquisa
Pesquisa de vertente sócio histórica longitudinal, iniciada em 2017, que prioriza os dispositivos das políticas públicas contemporâneas de Saúde Mental em suas múltiplas interfaces com a garantia de Direitos Humanos. Configura-se como um projeto interdisciplinar de resgate, guarda e difusão de histórias de vida da Reforma Psiquiátrica Brasileira que inclui histórias de si e narrativas dos formuladores e gestores de políticas públicas, trabalhadores da atenção psicossocial, representantes do legislativo, do executivo federal, dos movimentos sociais e usuários da Saúde Mental. Como experiência comunicacional da ciência, consolida um acervo histórico de pesquisa qualitativa sobre políticas de Saúde Mental, especificamente os desdobramentos históricos da Reforma Psiquiátrica Brasileira (1991-2025).
Atualmente tem acervo de cerca de 40 horas de documentação audiovisual, com entrevistas realizadas entre 2017 e 2025 com ex-internos e trabalhadores da Atenção Psicossocial de Juiz de Fora (MG), Barbacena (MG) e Paracambi (RJ) e com gestores, formuladores e trabalhadores das políticas públicas de Saúde Mental. No último ano, a pesquisa estendeu sua área de abrangência para dialogar com usuários e trabalhadores da saúde mental de grandes capitais brasileiras, visando construir histórias do tempo presente do cuidado em liberdade. Seu banco de dados multimídia, desde 2020, é depositado em repositório institucional (Ciência Aberta) no Arca Dados da Fiocruz, sendo a primeira pesquisa qualitativa de ciências humanas inserida neste repositório para reuso das fontes. Esta ação fomenta diálogos em comunidades técnico-científicas e em disciplinas do Mestrado em Políticas Públicas em Saúde da Escola de Governo Fiocruz.
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