O seu esgoto revela se você está doente antes de qualquer sintoma aparecer: dá para enxergar o avanço do vírus de forma antecipada
Antes da febre e da dor no corpo, os vírus já aparecem no esgoto. Essa vigilância ajuda a prever surtos e proteger você.
O que sai pelo ralo da sua casa pode dizer muito mais sobre a sua saúde do que você imagina. Antes mesmo de alguém procurar um posto médico ou apresentar febre, dor no corpo ou mal-estar, o esgoto já pode estar “denunciando” que um vírus está circulando naquela região. É isso que vem mostrando a chamada vigilância por águas residuais, uma estratégia que analisa o material genético de vírus presentes nos resíduos humanos.
No Brasil, onde a dengue segue como um desafio de saúde pública, essa tecnologia surge como uma aliada para antecipar surtos e orientar decisões. Estimativas do projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz e a FGV, indicam que o país pode fechar 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis da doença. Nesse cenário, olhar para o esgoto virou uma forma de enxergar o problema antes que ele exploda.
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Por meio da tecnologia de PCR digital, é possível identificar a presença do vírus da dengue nas redes de esgoto antes do aumento de casos com sintomas. Na prática, funciona como um aviso antecipado para as autoridades de saúde.
Segundo Arthur Silva, Gerente Regional LATAM de Marketing para PCR digital da QIAGEN, essa análise ajuda a agir mais rápido. “Enquanto os dados clínicos, provenientes de pacientes com dengue, mostram o problema quando ele já está instalado, o monitoramento de águas residuais permite enxergar o avanço do vírus de forma antecipada. Esse monitoramento fornece aos gestores públicos indicadores que auxiliam na definição de medidas conforme os protocolos locais”, explica.
A PCR digital é uma técnica de alta sensibilidade, capaz de detectar fragmentos do material genético do vírus (RNA) eliminados pelas pessoas infectadas, inclusive aquelas que não apresentam sintomas. Com a coleta de amostras feita por equipes especializadas, os resultados permitem mapear a circulação do vírus em bairros ou cidades inteiras.
“A PCR digital constitui um instrumento de alta sensibilidade para a vigilância epidemiológica, capaz de detectar quantidades muito pequenas de material genético de agentes virais ou bacterianos presentes no esgoto”, afirma Arthur. Segundo ele, esses dados ajudam no planejamento de ações de saúde pública antes que os surtos se consolidem.
Além disso, a tecnologia pode ser usada para acompanhar a evolução da doença ao longo do tempo e, em alguns casos, identificar variantes em circulação, o que amplia a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.
O uso da PCR digital em águas residuais já acontece em países da Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. A estratégia ganhou força durante a pandemia de COVID-19, quando se mostrou eficaz para rastrear o coronavírus e passou a integrar o controle de diferentes doenças infecciosas.
Um estudo realizado na Itália, durante o maior surto de dengue já registrado no país, mostrou que o vírus pôde ser detectado no esgoto com sensibilidade maior do que a de métodos tradicionais. Isso indica que a vigilância ambiental é viável em situações reais de transmissão.
“A experiência da pandemia demonstrou que o monitoramento de águas residuais pode funcionar como um radar sanitário. Em um país com dimensões e desigualdades como o Brasil, essa abordagem pode complementar os sistemas tradicionais e contribuir para respostas mais rápidas e eficientes”, destaca o executivo.
Especialistas reforçam que essa estratégia não substitui a vigilância tradicional, baseada em exames e notificações médicas, mas amplia a capacidade de prevenção e controle.
“O monitoramento de águas residuais não substitui as estratégias existentes, mas amplia a capacidade de prevenção. Trata-se de uma solução com grande alcance populacional, execução relativamente rápida e potencial para apoiar políticas públicas de saúde de forma contínua, e não apenas em momentos de emergência”, conclui Arthur Silva.
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