O número de adultos com sobrepeso aumentou nas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) entre os anos de 2024 e 2025, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde (Sisvan) analisados pelo Hora Campinas. Os registros foram realizados em 331 estabelecimentos de saúde municipais distribuídos pelos 20 municípios da região.
No total, 174.573 adultos tiveram o estado nutricional avaliado em 2025, dos quais 132.165 foram classificados com sobrepeso, o que representa 75,7% dos casos. No ano anterior, haviam sido analisados 147.169 adultos, com 107.774 acima do peso, proporção de 73,2%.
Na comparação entre os dois períodos, houve aumento proporcional de cerca de 3,4% nos registros de sobrepeso na região. O sistema também apontou crescimento no número de pessoas acima do peso em todos os graus verificados pelo monitoramento nutricional.
Entre os 20 municípios da RMC, 18 registraram aumento proporcional no número de adultos com excesso de peso, enquanto apenas dois apresentaram redução: Vinhedo e Morungaba.
Entre os aumentos mais expressivos estão Hortolândia (+12,9%), Valinhos (+7,7%), Americana (+6,8%), Engenheiro Coelho (+5,4%), Nova Odessa (+4,3%) e Santa Bárbara d’Oeste (+4,2%).
Para a classificação do estado nutricional da população, o parâmetro mais utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), indicador calculado a partir da relação entre peso e altura.
De acordo com os critérios adotados pelo Ministério da Saúde, valores de até 25 são considerados dentro da faixa normal, enquanto índices entre 25 e 30 indicam sobrepeso. Já os resultados acima de 30 caracterizam obesidade, condição que ainda é subdividida em três níveis de gravidade: obesidade grau 1, 2 e 3, conforme o avanço do excesso de peso.

Vinhedo registra queda no índice de sobrepeso
Apesar da tendência de alta na maior parte da região, Vinhedo foi o município que apresentou a maior redução proporcional de adultos com excesso de peso, com queda de cerca de 12,2% entre 2024 e 2025, segundo os dados do Sisvan.
A Secretaria Municipal de Saúde atribui o resultado a um conjunto de ações voltadas à promoção da saúde e ao acompanhamento contínuo da população na rede pública.
Segundo a pasta, o município mantém atendimento com equipe multidisciplinar, formada por nutricionistas, médicos clínicos e especialistas endocrinologistas, que realizam acompanhamento ambulatorial individualizado dos pacientes.
“Esse acompanhamento permite avaliar cada paciente de forma personalizada, orientando mudanças no estilo de vida, na alimentação e no controle do peso.”
A secretaria também destaca que as estratégias de enfrentamento à obesidade incluem campanhas de orientação e ações de prevenção, além de iniciativas voltadas ao público infantil.
“A prevenção também começa ainda na infância. Por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação, são realizadas ações de promoção da saúde e incentivo a hábitos alimentares saudáveis e estilos de vida mais ativos entre crianças e adolescentes, fortalecendo a conscientização.”

Especialista alerta para impacto na saúde pública
Para especialistas, o crescimento do excesso de peso reflete mudanças no estilo de vida da população e representa um desafio crescente para os sistemas de saúde. A nutricionista e gastróloga Isabella Ghion explica que a obesidade vai muito além da questão estética.
“A obesidade não afeta apenas o peso corporal. Ela aumenta o risco de diversas doenças, como diabetes tipo02, pressão alta, doenças cardiovasculares e a qualidade do sono. Consequentemente, a demanda por mais consultas, exames, medicamentos e cirurgias aumenta, gerando altos custos para o sistema de saúde e diminuindo significativamente a qualidade e expectativa de vida da população.”
Segundo a especialista, o próprio IMC, utilizado como base para as estatísticas do Sisvan, é um indicador importante, mas precisa ser analisado em conjunto com outros fatores.
“O IMC ainda é útil como ferramenta de triagem populacional, porque é simples, barato e rápido. Ele ajuda a identificar pessoas que podem ter risco aumentado de problemas de saúde. Porém, para avaliar a saúde de forma mais completa, ele deve ser combinado com outros indicadores, como circunferência abdominal, percentual de gordura corporal, exames laboratoriais, avaliação clínica e hábitos de vida.”
A nutricionista também ressalta que o excesso de peso é resultado de diversos fatores combinados.
“A obesidade surge pela combinação de vários fatores, principalmente alimentação inadequada, sedentarismo, predisposição genética, fatores emocionais e condições sociais do ambiente moderno. Por isso é de extrema importância a conscientização da população através, principalmente, de políticas de saúde pública.”
O tratamento da obesidade deve ser multidisciplinar (médico, nutricionista, psicólogo e educador físico) envolvendo mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional, para garantir resultados mais seguros, eficazes e duradouros, explicou Isabella.

Cenário nacional
O avanço do excesso de peso também aparece em estudos de abrangência nacional. Dados da World Obesity Federation, divulgados no Atlas Mundial da Obesidade 2025, indicam que 31% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, enquanto cerca de 68% apresentam excesso de peso, considerando sobrepeso e obesidade.
As projeções do relatório indicam que, mantida a tendência atual, até 2044 aproximadamente 48% da população adulta brasileira poderá estar obesa. O estudo também relaciona o problema a mais de 60 mil mortes prematuras por ano no país, devido à associação do excesso de peso com doenças crônicas como diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC).
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia lançou, em setembro de 2025, uma campanha nacional defendendo a inclusão de medicamentos específicos para o tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde.
A iniciativa conta com o apoio de entidades médicas como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, a Sociedade Brasileira de Diabetes, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Segundo as entidades, o objetivo é ampliar o debate público e pressionar pela criação de políticas que garantam acesso a tratamento adequado na rede pública, já que, embora a obesidade seja reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença crônica multifatorial, ainda não há medicamentos específicos incorporados ao SUS para seu tratamento.

Sobrepeso na Região Metropolitana de Campinas (RMC) – comparativo de 2024 e 2025, disponibilizados pelas unidades públicas de saúde dos 20 município
Americana
7.935 de 11.176 ADULTOS (2025)
4.468 de 6.721 ADULTOS (2024)
Artur Nogueira
141 de 186 ADULTOS (2025)
274 de 372 ADULTOS (2024)
Campinas
44.707 de 58.234 (2025)
35.850 de 47.363 (2024)
Cosmópolis
6.390 de 8.385 (2025)
5.488 de 7.498 (2024)
Engenheiro Coelho
2.357 de 3.432 (2025)
2.382 de 3.656 (2024)
Holambra
1.083 de 1.431 (2025)
2.596 de 3.509 (2024)
Hortolândia
3.607 de 5.125 (2025)
7.636 de 12.248 (2024)
Indaiatuba
9.546 de 12.383 (2025)
6.358 de 8.297 (2024)
Itatiba
14.492 de 19.213 (2025)
11.729 deE 16.028 (2024)
Jaguariúna
4.877 de 6.332 (2025)
3.629 de 4.783 (2024)
Monte Mor
3.224 de 4.214 (2025)
1.696 de 2.250 (2024)
Morungaba
1.493 de 2.034 (2025)
704 de 933 (2024)
Nova Odessa
2.638 de 3.423 (2025)
1.738 de 2.354 (2024)
Paulínia
7.834 de 10.007 (2025)
6.381 de 8.375 (2024)
Pedreira
5.633 de 7.825 (2025)
5.604 de 8.090 (2024)
Santa Bárbara d’Oeste
5.981 de 7.489 (2025)
4.638 de 6.052 (2024)
Santo Antônio de Posse
2.943 de 3.880 (2025)
552 de 757 (2024)
Sumaré
4.756 de 6.176 (2025)
3.535 de 4.642 (2024)
Valinhos
247 de 322 (2025)
292 de 410 (2024)
Vinhedo
2.281 de 3.306 (2025)
2.224 de 2.831 (2024)
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