A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou seis mortes por pancreatite possivelmente relacionadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Em entrevista, Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, esclareceu que esse risco consta na bula desses medicamentos desde o lançamento do primeiro deles, a liraglutida, há cerca de 20 anos.
Segundo Hohl, os dados apresentados pela Anvisa não diferem dos números registrados em outros países. “Os dados do Brasil não são diferentes do resto do mundo. Desde o início isso consta em bula”, explicou.
O especialista comparou a situação brasileira com o Reino Unido, que registrou 19 mortes entre 2007 e 2025 possivelmente associadas a esses medicamentos. “Precisa, sim, alertar a população que esse é um risco e que precisa ter cuidado com a utilização desses medicamentos”, ressaltou.
Uso inadequado e medicamentos de origem duvidosa
Hohl demonstrou preocupação com o uso indiscriminado dos medicamentos, especialmente aqueles de procedência desconhecida. “Nosso cenário principal são essas medicações que vêm de outros países, de origem desconhecida, manipulação que não se sabe de onde vêm, de medicamentos que muitas vezes nem caiu a patente”, afirmou.
O médico alertou que os casos relatados oficialmente referem-se apenas aos medicamentos adquiridos em farmácias regulamentadas, que possuem farmacovigilância. Quanto aos produtos de origem obscura, ele foi enfático: “A gente não tem nem ideia do que possa acontecer”.
Recomendações e contraindicações
A principal recomendação do especialista é buscar acompanhamento médico adequado. “Ter um médico para fazer o tratamento adequado. Isso é condição indispensável”, enfatizou. Ele ressaltou que esses medicamentos podem mudar positivamente a vida de pessoas com diabetes, obesidade ou sobrepeso, mas o problema está no uso desnecessário ou sem indicação.
Entre as contraindicações destacadas por Hohl está o histórico de pancreatite de repetição. Ele também mencionou um dado importante do estudo Select, que liberou recentemente um desses medicamentos para doença cardiovascular: “Quando de um lado se deu o remédio e do outro se deu o placebo, o risco de pancreatite nos dois grupos foi igual. Não teve aumento nenhum. As pessoas que usam esses remédios já têm maior risco de pancreatite”.
Tratamento integrado e perspectivas futuras
Hohl enfatizou que o tratamento para obesidade e doenças metabólicas deve ser integrado, não dependendo apenas de medicamentos. “A base do tratamento de doença metabólica é alimentação, atividade física, bom sono, diminuição do nível de estresse e medicamento”, explicou.
Sobre o futuro desses medicamentos, o especialista informou que a patente da liraglutida já caiu e a da semaglutida cairá no próximo mês, o que deve aumentar a disponibilidade de versões mais baratas. “A gente espera que as empresas que vão fazer os competidores lancem no mercado esses medicamentos com preço mais barato que o original”, comentou, destacando a importância do acesso ao tratamento.
Hohl também previu um avanço contínuo nessa área: “O que nós temos hoje, daqui a cinco anos, teremos o dobro de empresas para poder ajudar as pessoas”. Ele ressaltou, porém, a necessidade de garantir a qualidade dos novos produtos, já que se trata de medicamentos complexos baseados em proteínas.
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