Ondas de calor mais frequentes, enchentes, secas prolongadas e o avanço de doenças como a dengue para regiões antes não afetadas já fazem parte do cotidiano no Brasil e no mundo. Esses fenômenos evidenciam o avanço das mudanças climáticas e seus efeitos sobre a saúde. Diante desse contexto, o Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), do Icict, oferece a disciplina “Impactos das Mudanças Climáticas na Saúde”, idealizada pelo Observatório de Clima e Saúde e integrante das disciplinas eletivas do primeiro semestre de 2026.
“Essa disciplina foi pensada para atender a Fiocruz como um todo. Em diferentes espaços de discussão sobre clima e saúde, ficou evidente a necessidade de uma formação que fosse além dos cursos de análise de situação de saúde, que eram voltados principalmente à atualização técnica de profissionais das secretarias de Saúde. Identificamos, então, a importância de ampliar essa formação para o nível stricto sensu, oferecendo um percurso estruturado de aprendizado sobre o tema”, explica Renata Gracie, uma das coordenadoras da disciplina.
Clima e saúde: abordagem interdisciplinar
Além da pesquisadora, a disciplina é coordenada por Christovam Barcellos — ambos coordenadores do Observatório de Clima e Saúde —, Danielle Cintra e Nathália Saldanha, pós-doutorandas do PPGICS. O corpo docente é composto por pesquisadores de diferentes áreas que integram a equipe do Observatório, sinalizando o caráter interdisciplinar da proposta.
Para Christovam, a interdisciplinariedade que o tema exige é uma oportunidade para ampliar o diálogo entre discentes de diferentes pós-graduações e áreas, além de reunir a produção científica que vem sendo desenvolvida na Fiocruz, tanto pelo Observatório quanto em outras unidades.
“Esse tema precisa da ciência humana, social, ambiental, da natureza, do clima, da estatística, da geografia, das ciências biológicas e da vida, entre outras. A Fiocruz, no Rio de Janeiro, reúne pelo menos cinco unidades que trabalham com clima e saúde, mas, muitas vezes, de forma dispersa. Essa disciplina é uma forma de aproximar e articular as pesquisas e atividades de ensino que já estão acontecendo na Fundação”, relata.
Conteúdo, metodologia e atuação nos territórios
Idealizada por pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde, que em 2026 completa 17 anos de atuação na análise das relações entre clima e saúde, a disciplina propõe analisar a interface entre mudanças climáticas e saúde humana, articulando fundamentos conceituais, metodológicos e práticos. As aulas combinam exposições teóricas e atividades práticas, com exercícios voltados ao desenvolvimento de habilidades analíticas, senso crítico e compreensão integrada dos temas, culminando na realização de seminário e trabalho final.
A partir de referenciais da epidemiologia, dos sistemas de informação em saúde e das políticas públicas, a disciplina busca preparar os estudantes para avaliar os efeitos diretos e indiretos das mudanças climáticas sobre a saúde, além de propor e monitorar impactos e intervenções por meio de indicadores essenciais à tomada de decisão em saúde.
A formação também pretende desenvolver capacidades para articular indicadores relacionados ao clima, à saúde, à mitigação e à adaptação, bem como trabalhar conceitos como risco, perigo, vulnerabilidade e exposição, fundamentais para compreender como as mudanças climáticas afetam de forma desigual diferentes territórios e populações.
Para Diego Xavier, integrante da coordenação do Observatório e professor da disciplina, o curso, neste momento, é extremamente necessário devido ao aumento da ocorrência de eventos extremos e intensificação dos impactos, especialmente para a população mais vulnerável.
“Formar e capacitar profissionais para que realizem esses tipos de estudos, analisem dados e proponham intervenções nos diferentes municípios e nos contextos do país ajudará a diminuir esses impactos. A expectativa é que essas pessoas retornem para as suas localidades e para o serviço de saúde aptas a implementar, além das análises, estratégias específicas que considerem as vulnerabilidades locais, dada a dimensão continental do país”, explica.
Inscrições e datas
As aulas serão realizadas entre os dias 11 de março e 17 de junho de 2026, às quartas-feiras, das 9h às 13h, em modo presencial, no Campus Fiocruz Maré (Av. Brasil, 4.036 – Rio de Janeiro/RJ).
As inscrições devem ser feitas neste link, entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 2026, e são voltadas para discentes externos.
Conheça aqui a ementa completa da disciplina “Impactos das mudanças climáticas na saúde” e a chamada pública com a lista das disciplinas oferecidas pelo PPGICS neste semestre.
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