A Fiocruz realizou no dia 28 de novembro, em Brasília, no pré-congresso da Abrasco (Abrascão), oficina para discutir os desdobramentos da 30ª Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) e os caminhos para fortalecer a atuação do setor saúde no enfrentamento da crise climática.
Guilherme Franco Netto, da coordenação de Saúde e Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), ao abrir o encontro destacou que esse Congresso faz uma interface importante entre a defesa da democracia, o direito à saúde e a crise ecológica e climática.

“É a oportunidade de renovar o debate sobre o direito à saúde no país, inclusive sobre o financiamento e o modelo de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). A saúde coletiva está abraçando a necessidade de compreender que a dimensão da crise climática tem proporções extremamente importantes no campo da saúde. Temos dito que a crise climática é também uma crise da saúde”, disse.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (SVSA/MS), Mariângela Simão, destacou o Plano de Ação de Saúde lançado na COP30 – documento brasileiro que propõe um mutirão global pela saúde em resposta à crise climática – e na avaliação dela, abre-se uma nova fase de integração entre clima e saúde. “A agenda climática assumiu a saúde e nós da saúde estamos assumindo a agenda climática”, afirmou.
Mariângela também destacou que o Brasil segue presidente da COP até novembro de 2026 e que ainda há desafios pela frente, como por exemplo, tornar o AdaptaSUS operacional. “Passamos pela fase de consultas, e agora estamos chegando no momento de implementá-lo. Precisamos de soluções que não sejam acadêmicas, que elas sejam práticas e que elas ajudem a colocar essa agenda para frente”, ressaltou.
Também presente no debate, Agnes Soares da Silva, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, lembrou que desde a COP26, o tema da saúde passou a aparecer, mas quase sempre como argumento para fortalecer outras políticas climáticas e na lógica da consequência e não como protagonista. “Agora conseguimos colocar a saúde dentro da agenda oficial da COP”, afirmou.
Para o presidente da Abrasco, Rômulo Paes, “a saúde deixou de ser um tema marginal na COP” e que nesta edição o Brasil assumiu protagonismo de debater o assunto e apresentar uma agenda de políticas públicas para os países. “Isso coloca uma responsabilidade adicional para o Brasil e expectativa de liderança nessa temática”, completou.
Rômulo chamou atenção para desafios centrais, entre eles a construção de parcerias internas e transversais. “Precisamos de uma aproximação real com áreas que tratam dos macro determinantes ambientais. Não podemos mais ficar restritos ao paciente, ao vetor”, disse. Ele também ressaltou a necessidade de qualificar o sistema de saúde para responder a múltiplas crises que são cada vez mais complexas.
Segundo o coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, Paulo Gadelha, a COP30 deixa dois legados: a criação da Rede de Clima e Saúde, lançada durante a Cúpula dos Povos, com ampla participação de diferentes organizações e entre elas a Fiocruz; e a implantação do Centro de Clima e Saúde de Rondônia, com previsão para inauguração em dezembro de 2025. “Esses dois legados representam a capacidade de avanço que tivemos na agenda de clima e saúde. “Rondônia é um estado muito atingido por eventos extremos e o Centro terá um papel estratégico”, destacou.
Putira Sacuena, do Povo Baré e diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena (Dapsi) da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/MS), lembrou que durante a COP a secretaria participou de 21 mesas e promoveu formação em atendimento intercultural (respeito entre diferentes culturas) de todos os profissionais da saúde que atuaram na Convenção. “Nós (indígenas) estávamos em todos os ambientes da COP e na Cúpula dos Povos. Foi emocionante ver representantes do Ministério da Saúde participando da Marcha Global junto com os povos indígenas”, ressaltou.
A oficina também contou com a participação de Celia Neves, liderança extrativista e representante do Grupo da Terra, que trouxe para o debate a perspectiva dos territórios e a centralidade dos povos da floresta na agenda climática. Ela ainda defendeu uma sociobioeconomia que beneficie diretamente as comunidades locais, garantindo que a floresta tenha mais valor em pé. A fala reforça as estratégias de adaptação e saúde que precisam dialogar com as comunidades.
Para a vice-presidente do Cebes, Lenaura Lobato, as negociações climáticas são extremamente complexas. “É preciso ter um bom plano de adaptação, mas não é o suficiente. Temos capacidade técnica e o desafio não é só saber, mas nos unir para que isso aconteça”, concluiu.
A presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano, compartilhou com os presentes experiências vividas na COP30 e destacou que a agenda climática exige novas formas de pensar o SUS, especialmente na Atenção Primária e na construção de serviços de saúde resilientes.
O encontro convergiu para a necessidade de que, em 2026, sejam criados espaços estratégicos dedicados à internalização das ações de saúde e clima no âmbito do SUS.
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