A campanha nacional Janeiro Branco chama a atenção para a importância da saúde mental e para a busca por ajuda especializada quando necessária. Entre os indígenas, a taxa de suicídios é quase três vezes maior que a da população em geral, segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade de Harvard.

O avanço do garimpo ilegal, além da invasão e da destruição dos territórios indígenas estão entre as causas de adoecimento dos povos originários. Os transtornos podem ser físicos e mentais. O estudo da Fiocruz e de Harvard, publicado na revista científica The Lancet em 2023, aponta que a maioria das vítimas são homens jovens.
Nos territórios indígenas na Serra da Bocaina, entre os litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a ocorrência de suicídios entre jovens despertou a preocupação de lideranças indígenas do povo Guarani Mbya. Para lidar com a questão, foi criado um projeto de intervenção em saúde mental, em parceria entre a Fiocruz e o Fórum de Comunidades Tradicionais.
Marília Capponi, psicóloga e coordenadora técnica do projeto Bem-Viver, explica que a iniciativa agrega saberes tradicionais e práticas científicas de saúde coletiva:
“Pajés e lideranças rezadeiras de outras comunidades, de outras aldeias Guarani, vieram para fazer essa intervenção. E, a partir de então, a gente tem organizado atividades com a juventude nos três territórios.”
Os três territórios indígenas atendidos pelo projeto ficam nas cidades de Ubatuba, em São Paulo, e em Paraty e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Liderança da aldeia Boa Vista, em Ubatuba, Patrícia Ara Jera conta os impactos que a comunidade indígena sofre no local:
“O que mais impactou na nossa região é o turismo. Agora, tem mais condomínio perto da aldeia chegando já. Então, isso vai afetando o nosso mental. No ano passado, os madeireiros começaram a entrar, quase destruíram tudo o que a gente tinha de mata. Até os turistas querem vir, entrar de uma forma que parece que é o dono de tudo, querer entrar na nossa cachoeira, que é muito sagrada. A gente respeita muito a mata, a cachoeira. A nossa terra, pra gente, é sagrada.”
Os povos indígenas também enfrentam racismo, o que contribui para o sofrimento mental. A psicóloga e coordenadora técnica do projeto, Marília Capponi, fala sobre os motivos que podem fazer com que a saúde intelectual dos jovens indígenas fique mais vulnerável:
“Os Guarani falam da fortaleza espiritual. E eu acredito que, enquanto jovens, essa fortaleza espiritual não está firme ainda. Então, há a necessidade de uma salvaguarda desse conhecimento espiritual mesmo, passar esse conhecimento de geração pra geração. Então, o jovem fica mais vulnerável, porque ele ainda não amadureceu.”
O atendimento, que começou com foco nos mais jovens, tem se ampliado para todos os moradores da comunidade, segundo Patrícia Ara Jera.
O projeto Bem-Viver destaca a preservação do território e da cultura tradicional para proteção da saúde mental dos povos originários. Segundo a Fiocruz, a iniciativa atende cerca de 2,5 mil indígenas atualmente.
*Com produção de Marcella Nogueira
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