Boato – O Rio de Janeiro estaria sofrendo um risco urgente de contaminação por urânio devido a um edital da Fiocruz de 2025.
Análise
Um vídeo que circula com intensidade em grupos de mensagens e redes sociais tem gerado apreensão entre moradores do Rio de Janeiro. Nas imagens, uma médica aparece em frente à sede da Fiocruz, na capital fluminense, alertando sobre um suposto risco iminente de contaminação da população por urânio. Segundo a narrativa, a manipulação de materiais químicos perigosos estaria ocorrendo sem o devido controle, colocando em xeque a segurança ambiental da região.
Para conferir um ar de legitimidade à denúncia, as mensagens citam um edital específico de 2025 e mencionam teses acadêmicas sobre poluentes na água. O conteúdo, que rapidamente ganhou contornos alarmistas em canais de geopolítica e temas escatológicos, sugere que o descarte incorreto desses reagentes poderia atingir a rede de esgoto e as fontes de abastecimento de água do Rio de Janeiro. Leia o texto que circula online:
Versão 1: RISCO URGENTE DE CONTAMINAÇÃO POR URÂNIO NO RIO DE JANEIRO! Denúncia de contaminação por Urânio no RJ: Edital Fiocruz BA (09/2025) cita acetato de uranila (CAS 6159-44-0), reagente com urânio. É TÓXICO: precisa de contenção e descarte especial, não deve ir pra pia/esgoto. INCQS tem tese sobre poluentes na água (Dra. Maysa Mandetta). CNEN/MPF/TCU: transparência e auditoria. Da ficção à realidade. Este canal é para quem busca discernimento no meio do caos atual. Se você gosta de acompanhar notícias sobre geopolítica, tecnologia, poder, controle, movimentos globais e temas ligados à escatologia, siga O Informante e entre no nosso grupo do Telegram. Acesse o link : https://t.me/oinformantstarday
Versão 2: Denúncia de contaminação por Urânio no RJ: Edital Fiocruz BA (09/2025) cita acetato de uranila (CAS 6159-44-0), reagente com urânio. É TÓXICO: precisa de contenção e descarte especial, não deve ir pra pia/esgoto. INCQS tem tese sobre poluentes na água (Dra. Maysa Mandetta). CNEN/MPF/TCU: transparência e auditoria. RISCO URGENTE DE CONTAMINAÇÃO POR URÂNIO NO RIO DE JANEIRO!
Versão 3: ASSUSTADOR!!! CONTAMINAÇÃO POR URÂNIO NO RIO DE JANEIRO!!! E NINGUÉM FAZ NADA!!! “ENCONTRO COM A JUSTIÇA SEM FILTRO DENÚNCIA Gente isso e muito perigoso, o instituto nuclear do Brasil fica situado em Resende, se isso acontecer a população do Rio de Janeiro será totalmente contaminado que esta denúncia chega a polícia Federal…” URGENTE!! RIO DE JANEIRO PODE SER CONTAMINADO Comentar
Checagem
Para esclarecer essa situação, vamos analisar os fatos respondendo às seguintes questões: 1) O Rio de Janeiro está contaminado por urânio previsto em edital da Fiocruz? 2) O que o edital Fiocruz BA (09/2025) que cita acetato de uranila tem a ver com contaminação por urânio? 3) Há chance de o Rio de Janeiro ser contaminado por substâncias tóxicas?
Rio de Janeiro está contaminado por urânio previsto em edital da Fiocruz?
Não há qualquer evidência ou registro técnico de que o Rio de Janeiro esteja enfrentando uma contaminação por urânio decorrente das atividades citadas. O vídeo que originou o alerta baseia-se em uma interpretação equivocada de documentos administrativos e técnicos. Embora a substância mencionada seja real, a narrativa de que existe um derramamento ou risco de contaminação em massa no estado não possui lastro em dados de monitoramento ambiental ou notificações de órgãos de vigilância sanitária.
O que o edital Fiocruz BA (09/2025) que cita acetato de uranila tem a ver com contaminação por urânio?
Na verdade, o edital utilizado como “prova” sequer pertence a uma unidade do Rio de Janeiro. O documento em questão, o Edital 09/2025, refere-se à Fiocruz Bahia (Instituto Gonçalo Moniz). Ou seja, o argumento central da denúncia já cai por terra geograficamente: um edital de aquisição de insumos para laboratórios em Salvador não poderia causar um desastre ambiental imediato no Rio de Janeiro. O acetato de uranila é um reagente comum em microscopia eletrônica, utilizado para contrastar amostras biológicas em pesquisas científicas. A Fiocruz emitiu uma nota oficial esclarecendo a situação:
“Diante de conteúdos recentes que circulam nas redes sociais sobre o uso de substâncias químicas em atividades científicas, a Fiocruz esclarece que o uso de acetato de uranila integra procedimentos laboratoriais de rotina em contextos científicos específicos. Este tipo de utilização é realizado em laboratórios de todo o mundo, seguindo parâmetros éticos e legais, de forma adequada à proteção da saúde humana e ambiental.”
Há chance de o Rio de Janeiro ser contaminado por substâncias tóxicas?
Embora o acetato de uranila seja, de fato, uma substância tóxica e que exige cuidados, o risco de uma contaminação generalizada a partir de laboratórios de pesquisa é considerado extremamente baixo. Segundo diretrizes de segurança da George Washington University, o material deve ser manuseado com proteção e o descarte deve seguir protocolos rígidos para resíduos radioativos e químicos, o que é praxe em instituições de excelência como a Fiocruz. O uso é feito em quantidades mínimas (microgramas ou miligramas), insuficientes para causar o cenário apocalíptico sugerido nas mensagens. Portanto, não há indicativo de que os protocolos de segurança tenham sido quebrados ou que a população corra perigo.
Conclusão
As mensagens que alertam para uma contaminação urgente por urânio no Rio de Janeiro são infundadas e misturam fatos técnicos com interpretações geográficas erradas. O edital citado é da unidade da Fiocruz na Bahia e refere-se à compra rotineira de reagentes para microscopia, cujo uso é controlado e seguro para a saúde pública.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)
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