Historicamente, há uma relação entre o povo das favelas e a criatividade. Para o historiador e colunista do GLOBO, Thiago Gomide, “em vários estágios, são bússolas da nossa cidade, ou seja, não dá pra pensar no Rio capital da Cultura sem pensar imediatamente na criatividade da favela”. E isso se aprofunda, na opinião do professor teatral Marcus Faustini, quando tratamos da Rocinha: “o DNA da criatividade das favelas, de geração em geração”. Potência, diversidade e inovação. Três predicados que sustentam a posição da Rocinha entre as cinco favelas elencadas no “Impulso de Gerações”, ação da Fiocruz que joga luz sobre a economia criativa mesclando jovens e longevos na promoção de feiras criativas feita por e para moradores de favelas. A gastronômica Maré e a cultural Cidade de Deus já disseram a que veio. Neste domingo é a vez da Rocinha.
— A Rocinha é esse lugar com uma vida efervescente, é muito diversa — diz Renata Codagan, coordenadora do Impulso.
Maior favela do Brasil com 72 mil habitantes, segundo o IBGE, a Rocinha detém uma característica que é muito cara à cultura brasileira: a diversidade.
Exemplos não faltam. Só para mencionar alguns exemplos garimpados pela ação da Fiocruz, tem a Lígia que trabalha com produtos de autocuidado e velas que trazem equilíbrio e harmonia para os espaços. Já Emerson retara, em murais, crianças da favela com seus pais. Também tem um mestre de capoeira, o Taturana, que empodera crianças na gira. O Tubarão criou um bolinho que ele chama de aipim selvagem. E ainda o Victor, que trocou tudo pelo biscoito de manteiga cuja receita aprendeu com a mãe e hoje é o sustento da sua família.
Por falar em família, o Impulso de Gerações coloca a família no centro da roda. De acordo com o Instituto Data Favela, as favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 202 bilhões por ano, demonstrando seu potencial econômico e a força empreendedora e produtiva de seus moradores. E o levantamento destes dados, segundo dados do governo Federal, está na conta da vida em família nestes territórios.
O termo “favela”, de acordo com os registros históricos, apareceu pela primeira vez durante a Guerra de Canudos (1896-1897). Um conflito que se eternizou em “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que se passa no interior da Bahia. Já a Rocinha surgiu no final da década de 1920, quando uma antiga fazenda de café (Fazenda Quebra-cangalha) começou a ser loteada e habitada por pequenos produtores de hortaliças, que deram origem ao nome “Rocinha” por venderem seus produtos como “legumes da rocinha”.
Para quem não lembra, é de lá que vem, por exemplo, o artista visual Maxwell Alexandre, que mais recentemente ganhou notoriedade nacional e internacional: obras de sua autoria integram acervos de instituições importantes, como o do Museu de Arte Contemporânea de Lyon, na França, Pérez Museu de Arte de Miami, Guggenheim Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, Museu de Arte Moderna do Rio e Museu de Arte do Rio. Altivo, ele foi incensado no circuito brasileiro por uma obra que oscila entre as glórias e as danações na favela onde ele nasceu. Orgulho de ser Rocinha.
A questão das favelas resvala, de acordo com o professor Luiz Antonio Simas, em duas posições antagônicas: a romantização da vida nos morros ou a criminalização de seus habitantes. Neste domingo, será a vez de a Rocinha mostrar aos cariocas e, porventura, turistas seus dotes criativos.
Local: G.R.E.S Acadêmicos da Rocinha – Rua Bertha Lutz 80 – Rocinha
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