UFJF e Fiocruz recomendam medidas ao SUS após desastres na Zona da Mata-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

04/03/2026

Docentes da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisadores da Fiocruz lançaram, na última sexta-feira (27/02), uma nota técnica com recomendações estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS). O documento surge como resposta aos graves desastres socioambientais causados por chuvas intensas na Zona da Mata mineira, que registraram, em apenas 12 horas, um volume quatro vezes superior à média mensal esperada.

​A análise foi elaborada por especialistas dos departamentos de Saúde Coletiva e Estatística da UFJF, em parceria com o Observatório de Clima e Saúde do Icict/Fiocruz. O objetivo é orientar gestores municipais, estaduais e o Ministério da Saúde sobre como mitigar os efeitos imediatos e de longo prazo na saúde da população afetada, especialmente em cidades como Juiz de Fora e Ubá.

​Impactos na infraestrutura e riscos epidemiológicos

​Em Juiz de Fora, o desastre resultou no fechamento de 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS) devido a alagamentos ou riscos estruturais. A nota técnica alerta para um possível “efeito cascata”, onde a sobrecarga nos hospitais do polo regional pode comprometer o atendimento de cidades vizinhas, agravado pela interdição de rodovias por quedas de barreiras.

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​Os pesquisadores classificaram os riscos sanitários em três etapas cronológicas. A primeira onda foca em traumas e soterramentos imediatos. A segunda, prevista para o curto e médio prazo, alerta para surtos de leptospirose, hepatite A, dengue e doenças diarreicas. Já a terceira onda abrange os impactos de longo prazo, como transtornos de saúde mental (ansiedade e depressão) e o agravamento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

​Recomendações para o Ministério da Saúde e Estado

​O documento sugere que o governo federal reforce o suporte laboratorial e envie o “Kit Calamidade”, contendo antibióticos para prevenção da leptospirose, vacinas e insumos para controle de vetores. Propõe-se também a criação de um grupo de trabalho interministerial para garantir que a reconstrução das cidades da Zona da Mata ocorra com foco na resiliência climática.

​Para a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a orientação é manter as Salas de Situação ativas para regular leitos e transporte de pacientes. O Estado deve ainda capacitar equipes municipais para a busca ativa de casos suspeitos e monitorar rigorosamente a qualidade da água distribuída à população.

​Ações nos municípios e Atenção Primária

​Às secretarias municipais de saúde, os especialistas recomendam a intensificação da busca ativa por sintomas de doenças de veiculação hídrica em abrigos. É orientada a aplicação de quimioprofilaxia para leptospirose em moradores e equipes de resgate expostos à lama.

​A nota reforça a necessidade de unidades móveis para manter atendimentos essenciais, como pré-natal e vacinação contra influenza, Covid-19 e tétano. Além disso, os pesquisadores defendem que o planejamento urbano futuro considere o mapeamento de áreas de risco para a construção de novas unidades de saúde em locais seguros.

 

 

 

 

 

 

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