A vacina da dengue da Takeda teve seu projeto de fabricação nacional rejeitado pelo Ministério da Saúde. A decisão barrou a proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) apresentada pelo laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em conjunto com a farmacêutica.
Segundo a pasta, o projeto não cumpriu os requisitos mínimos exigidos pelo programa governamental. A principal falha identificada foi a ausência de garantia sobre o acesso integral ao conhecimento para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). Sem o domínio dessa tecnologia, a autonomia brasileira na fabricação do imunizante fica comprometida, inviabilizando a aprovação da parceria nos moldes atuais.
Não houve contestação formal ao veredito do ministério. A reportagem buscou contato com a assessoria da Fiocruz, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Entraves para a vacina da dengue da Takeda no Brasil
A farmacêutica Takeda Pharma defende que possui condições técnicas para efetivar a parceria. Em nota, a empresa reiterou sua disposição para dialogar com o Governo Federal, visando encontrar soluções que permitam a produção local da vacina da dengue da Takeda. O objetivo declarado da empresa é fortalecer a capacidade de imunização do país e ampliar o acesso da população ao fármaco.
No entanto, a viabilidade industrial enfrenta obstáculos físicos. Relatórios de abril de 2024, elaborados pela própria Fiocruz, apontam que Bio-Manguinhos opera em condições críticas. O documento “Demandas do SUS e ausência de capacidade produtiva” alerta para o risco de colapso caso novas demandas sejam absorvidas sem a expansão da infraestrutura.
Para fabricar a vacina da dengue da Takeda nas instalações atuais, a Fiocruz precisaria interromper ou reduzir drasticamente a produção de outras vacinas essenciais. Essa manobra afetaria diretamente o Programa Nacional de Imunizações e compromissos com as Nações Unidas, podendo elevar o número de óbitos por outras doenças preveníveis.
Impacto na estratégia de vacinação do SUS
A produção local da Qdenga é considerada estratégica para expandir a proteção contra a dengue no Brasil. Atualmente, o imunizante é oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) com restrições severas, atendendo apenas o público de 10 a 14 anos devido à escassez de doses.
A dependência da construção de uma nova fábrica para atender à demanda do SUS coloca o projeto em um horizonte de longo prazo. A rejeição da PDP atual reforça a necessidade de reestruturação industrial antes que a incorporação da vacina da dengue da Takeda possa ocorrer de forma sustentável e com total transferência de tecnologia.
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