247 – A viagem do presidente Lula à Índia foi “histórica” e poderá representar um divisor de águas na relação bilateral, com impacto direto na redução de preços de medicamentos no Brasil. A afirmação foi feita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista concedida ao jornalista Leonardo Attuch, editor do Brasil 247, na Índia.
Segundo ele, a missão empresarial e política ampliou parcerias estratégicas, garantiu perspectiva de R$ 10 bilhões em investimentos em dez anos e abriu caminho para a produção nacional de medicamentos de alta tecnologia, incluindo a semaglutida, princípio ativo associado às chamadas “canetas emagrecedoras” – o que vai reduzir preços no Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista:
247 – O senhor classificou a viagem do presidente Lula à Índia como histórica. Por quê?
Alexandre Padilha – “A missão empresarial e política do presidente Lula à Índia é uma missão histórica que vai fazer um divisor de águas na relação do Brasil com a Índia, sobretudo na integração produtiva, pra levarmos investimentos pro nosso país, pra fortalecer a nossa economia.”
247 – Qual é o papel da saúde nessa nova fase da relação entre os dois países?
Alexandre Padilha – “Do lado da saúde [é] salvar vidas e aumentar as capacidades de produção nacional. A Índia hoje é um dos grandes produtores de princípios ativos, avançou muito na produção de medicamentos de alta tecnologia e essa missão amplia as parcerias de produção industrial indiana na área da saúde com a produção nacional – o que vai contribuir para a queda no preço dos medicamentos no Brasil”.
247 – O que mudou na balança comercial de medicamentos entre Brasil e Índia?
Alexandre Padilha – “Aumentou muito o volume de importações da Índia para o Brasil na área da saúde. Foi o país que mais aumentou o volume de importação de medicamentos, tanto medicamentos genéricos quanto princípios ativos que são desenvolvidos depois pra outros medicamentos. Essa proporção cresceu quase 50 vezes.”
247 – Como o governo pretende enfrentar essa dependência?
Alexandre Padilha – “O objetivo é levar as empresas a produzir os princípios ativos no Brasil, fazer a parceria de transferência em tecnologia — não só os princípios ativos, mas todo o processo até chegar ao medicamento final — fortalecendo a capacidade nacional de produção.”
247 – O senhor mencionou R$ 10 bilhões em investimentos. De que forma eles serão aplicados?
Alexandre Padilha – “Nós saímos daqui com cerca de 10 bilhões de reais de investimentos em 10 anos, de parcerias de empresas indianas com instituições públicas brasileiras, que vão ter o registro do medicamento, e com empresas privadas nacionais.”
247 – Por que o registro deve ficar com a instituição pública?
Alexandre Padilha – “É importante que o registro fique com a instituição pública. Isso se chama parceria de desenvolvimento produtivo. É um modelo criado pelo presidente Lula, que ficou interrompido durante outro governo e que a gente voltou a impulsionar. Você garante que a tecnologia venha pro Brasil, gere renda no Brasil e o registro do produto fique com a instituição pública.”
247 – Quais medicamentos estão no foco dessas parcerias?
Alexandre Padilha – “São 10 bilhões de investimento pra medicamentos modernos pro câncer de mama, pra câncer de pele, pra leucemia.”
247 – E no caso da semaglutida?
Alexandre Padilha – “Fizemos uma parceria com a maior empresa de biotecnologia da Índia, uma das maiores do mundo, que produz a chamada semaglutida, que ficou conhecida internacionalmente. Em março vence a patente no Brasil. O Ministério da Saúde solicitou à Anvisa, que fez um edital no final do ano passado chamando produtoras nacionais que tenham desenvolvido ou que tenham parcerias internacionais e tenham esse produto.”
247 – O que pode acontecer após o vencimento da patente?
Alexandre Padilha – “A expectativa é que tenha mais produtoras tendo esse produto, com isso derrubar o preço, ou deixar mais barato emagrecer no Brasil.”
247 – Por que o combate à obesidade virou prioridade?
Alexandre Padilha – “A obesidade está relacionada com doenças cardíacas, com alguns tipos de câncer, com piora na qualidade de vida. Em 2006 o Brasil tinha cerca de 12% a 13% da população adulta nas capitais com obesidade. Hoje isso chegou a mais de 20%. Quase dobrou. Saímos de cerca de 42% de adultos com excesso de peso pra mais de 60%.”
247 – O ministério tem outras frentes de atuação além dos medicamentos?
Alexandre Padilha – “Temos um programa chamado Viva Mais Brasil. O Ministério da Saúde está investindo na atenção primária, colocando recurso para que as equipes de saúde possam contratar professor de educação física, fisioterapeuta. A parceria com a educação tem como foco ampliar a atividade física nas escolas. Tudo isso é muito importante. Além disso, a inteligência artifical terá um papel muito importange nos ganhos de produtividade da gestão pública de saúde. Além dos hospitais inteligentes, estamos caminhando para os hospitais super conectados.
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