O caso suspeito de Ebola investigado no Rio Grande do Sul foi descartado neste sábado (13). O resultado negativo foi comunicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) após a análise das amostras coletadas de um homem de 64 anos que havia retornado recentemente de Uganda, na África Oriental.
O paciente passou a ser monitorado na última quinta-feira (11) após procurar atendimento médico em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Diante do histórico de viagem a uma área com circulação da doença, os protocolos de vigilância epidemiológica foram imediatamente acionados e o homem acabou transferido para Porto Alegre para acompanhamento especializado.
Durante a investigação, um teste rápido confirmou que o paciente está infectado por Plasmodium falciparum, parasita causador da malária. O tratamento foi iniciado e o quadro segue sendo acompanhado pelas equipes de assistência e vigilância em saúde.
Segundo a secretária estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, a rápida mobilização dos órgãos envolvidos demonstrou a capacidade de resposta do sistema de saúde diante de situações consideradas de potencial risco à saúde pública.
Amostras foram enviadas à Fiocruz
Na sexta-feira (12), o paciente foi encaminhado ao Grupo Hospital Conceição, em Porto Alegre. Já neste sábado, técnicos do Cevs e do Ministério da Saúde realizaram a coleta das amostras para análise.
O material foi transportado em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) até o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde seguiu para a Fiocruz, responsável pelos exames laboratoriais.
Com o resultado negativo para Ebola, o caso permanece sob acompanhamento médico devido ao diagnóstico de malária.
Caso em São Paulo também segue sob investigação
Além da ocorrência registrada no Rio Grande do Sul, as autoridades sanitárias acompanham outro caso suspeito de Ebola em São Paulo. A paciente investigada é uma mulher que permanece internada enquanto aguarda a conclusão dos exames laboratoriais.
Brasil nunca registrou caso confirmado
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil nunca registrou um caso confirmado de ebola. Em situações anteriores, suspeitas notificadas em diferentes estados acabaram descartadas após exames laboratoriais.
O governo federal informou que ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, reforçando a vigilância de viajantes provenientes de áreas com transmissão da doença. O protocolo prevê identificação rápida de casos suspeitos, isolamento dos pacientes e monitoramento de contatos.
O que é o ebola
O ebola é uma doença viral grave identificada pela primeira vez em 1976, na África. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas que já apresentem sintomas. Diferentemente de vírus respiratórios, como influenza e covid-19, o ebola não é transmitido pelo ar.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar. Em casos mais graves, podem ocorrer vômitos, diarreia, comprometimento de órgãos e hemorragias internas e externas. A taxa de mortalidade varia conforme a cepa do vírus e as condições de atendimento médico.
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha surtos da doença na República Democrática do Congo e em Uganda. Apesar do cenário internacional, as autoridades brasileiras classificam como muito baixo o risco de disseminação da doença no país.
Até o momento, não há confirmação de casos de Ebola no Brasil.
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