Na pesquisa feita no HC-UFU, alguns fatores se destacam pela forma que impactam a experiência das consultas médicas. Borges aponta que grupos pequenos de alunos nas consultas devem ser priorizados, pois facilitam o vínculo com o paciente e evitam possíveis constrangimentos. “Se apresentar, explicar quem é, o que vai fazer, tudo isso é importante também”, explica.
A presença do preceptor, profissional experiente que supervisiona as interações entre estudantes e pacientes, também apareceu como um ponto importante. Bonini explica que, muitas vezes, quem está sendo atendido acaba sendo excluído do diálogo quando há discussões técnicas: “A supervisão do preceptor é indispensável, mas não deve comprometer a naturalidade da interação com o paciente”. A clássica aula “à beira do leito”, em que os estudantes apresentam os casos aos seus preceptores na frente do paciente, também é apresentada como uma dinâmica que pode causar constrangimento.
O estudo também identificou diferenças entre áreas do hospital. Atendimentos em Ginecologia e Obstetrícia apresentaram avaliações mais positivas, enquanto contextos como a Cirurgia Geral tiveram resultados mais baixos, associados a situações de dor, urgência e menor tempo para comunicação. “Não se trata apenas da especialidade, mas das condições em que o cuidado ocorre”, explica Bonini.
Novos caminhos para a formação médica
Borges explica que, na última década, as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina valorizam os aspectos éticos e humanos do aprendizado da profissão. Destacando a necessidade da empatia em serviços de saúde, a pesquisadora explica que a boa relação com os pacientes não é um talento, “é uma habilidade treinável e que precisa ser treinada”.
Bonini reforça que um currículo centrado apenas em aspectos técnicos é insuficiente para a prática médica: “Não basta saber diagnosticar e tratar”. Segundo a docente, fatores como escuta qualificada, linguagem acessível e respeito à autonomia do paciente são elementos que contribuem para um cuidado mais efetivo, maior adesão ao tratamento e, consequentemente, maior satisfação dos pacientes.
Os resultados do estudo destacam positivamente o atendimento do Hospital de Clínicas da UFU, mas abrem novas possibilidades de investigação. “Será que esse resultado permanece em outros hospitais universitários?”, Borges exemplifica. Além disso, aspectos de gênero na comunicação clínica estiveram presentes nos dados da pesquisa, abrindo novas possibilidades de aprofundamento: “Alunas meninas são melhor avaliadas do que os meninos. O que na comunicação dos homens gera isso?”.
Realizada antes da reestruturação recente do Hospital de Clínicas da UFU, Borges destaca a importância dos avanços para a instituição e para a população atendida, e aponta que a pesquisa pode indicar um cenário ainda mais favorável se refeita atualmente. “Estudantes de medicina não atrapalham o atendimento. Se os hospitais públicos estão sendo atacados por algum motivo ou por outro, é essencial que a ciência esteja sempre rebatendo esses argumentos”, completa.
A pesquisa completa está disponível na Revista Brasileira de Educação Médica.
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