Um estudo da Fiocruz Bahia, publicado no The New England Journal of Medicine, revela que o vírus da dengue pode aumentar em 17 vezes o risco de síndrome de Guillain-Barré (SGB). A SGB é uma doença neurológica rara que pode causar paralisia. A pesquisa analisou dados do SUS e identificou 89 casos de SGB após dengue entre 2023 e 2024. Viviane Boaventura, da Fiocruz, destaca a importância da vacinação contra a dengue para prevenir a síndrome. Paulo Gewehr, infectologista, reforça a necessidade de monitoramento hospitalar.
O vírus da dengue pode aumentar em quase 17 vezes o risco de síndrome de Guillain-Barré (SGB), de acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia e publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.
“A SGB é uma doença neurológica rara em que o sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos. Isso provoca sintomas como fraqueza muscular progressiva, perda de reflexos e, em casos mais graves, paralisia”, destaca Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e uma das autoras da pesquisa.

Vírus da dengue é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Foto: AU USAnakul/Adobe Stock
“A doença pode progredir rapidamente e afetar músculos responsáveis pela respiração, exigindo internação em UTI. Embora muitos pacientes se recuperem com tratamento, a recuperação pode ser lenta e alguns podem ficar com sequelas motoras. O tratamento precoce tem melhor resposta”, adiciona.
Paulo Ernesto Gewehr Filho, infectologista do Hospital Moinhos de Vento e membro do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que o quadro geralmente se inicia com formigamento e fraqueza nas pernas, que podem evoluir de maneira ascendente, atingindo braços, face e músculos responsáveis pela respiração e deglutição.
“Essa evolução pode ocorrer ao longo de dias ou semanas e é um dos aspectos mais característicos da doença”, detalha o médico.
A SGB, segundo Gewehr, pode levar à morte quando não é reconhecida e tratada de forma adequada, sobretudo em casos com comprometimento dos músculos respiratórios ou complicações cardiovasculares. Mesmo com tratamento a doença é considerada potencialmente grave e exige monitoramento hospitalar.
O que a pesquisa aponta?
Pistas sobre a associação entre o vírus da dengue e a síndrome não são novas. Desde 1998 a literatura científica acumula relatos isolados de pacientes que desenvolveram SGB após uma infecção por dengue, mas nenhum estudo havia conseguido quantificar esse risco.
“Não é uma descoberta totalmente inédita, mas representa um avanço importante ao confirmar e medir essa relação com maior precisão”, cita Viviane.
Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram dados do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre notificações de dengue, internações e registros de óbitos. Foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024. Desse total, 89 ocorreram após o diagnóstico de dengue.
De acordo com a pesquisa, a cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pessoas podem desenvolver a síndrome. Embora seja uma ocorrência rara, os pesquisadores afirmam que o número ganha relevância diante das epidemias recorrentes de dengue no País.
Qual a relação entre dengue e SGB?
Segundo Viviane, além da dengue, outras infecções virais, como influenza, ou bacterianas, como as causadas por Campylobacter jejuni, são reconhecidas como gatilhos para a síndrome de Guillain-Barré. “Ainda não se sabe o mecanismo, mas acredita-se que a infecção ativa intensamente o sistema de defesa.”
“Em alguns casos, ocorre um fenômeno chamado ‘mimetismo molecular’: o sistema imune, ao combater o vírus, acaba atacando estruturas do próprio organismo — no caso, os nervos periféricos. O estudo mostra que esse risco aumenta significativamente nas primeiras semanas após a infecção”, adiciona
Gewehr complementa que “a dengue não causa a síndrome por ação direta, mas pode desencadear uma resposta autoimune que atinge os nervos periféricos, levando ao desenvolvimento da Guillain-Barré”.
Recomendações
Por conta da associação, uma das principais formas de evitar a síndrome é a prevenção contra a dengue.
“Isso inclui o controle de mosquitos e a imunização. A vacinação contra a dengue ganha ainda mais relevância como estratégia de saúde pública, pois, ao reduzir os casos da infecção, deve reduzir complicações graves como a síndrome de Guillain-Barré”, destaca Viviane.
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Mas a vacinação contra a dengue não é a única maneira de prevenir a SGB, lembra Gewehr. O imunizante pode contribuir de forma indireta ao reduzir o risco de dengue, porém a síndrome pode ser desencadeada por outras infecções.
Em relação à identificação do quadro, Viviane destaca que os resultados da pesquisa podem ajudar profissionais de saúde a suspeitar da síndrome em pacientes com diagnóstico recente de dengue que apresentem fraqueza nas pernas ou formigamento progressivo.
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