O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ), neste sábado (23/5), para agendas que fortalecem o Sistema Único de Saúde (SUS) e a ciência nacional: a inauguração das instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz) e o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, que permitirá a produção nacional de terapias celulares a preços reduzidos. As iniciativas refletem anos de investimento na estrutura da ciência e da saúde pública, permitindo a atuação do país em fronteiras de tecnologia e inovação, com foco em garantia de custos que viabilizem o acesso para a população. Na ocasião, o presidente também realiza a entrega de 42 veículos do Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e do Samu para o Estado do Rio de Janeiro.
O presidente Lula, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Fiocruz, Mario Moreira (ao centro), na inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (foto: Peter Ilicciev)
As atividades concluem as celebrações pelos 125 anos da Fiocruz, que consolida sua trajetória como uma das mais destacadas instituições científicas e de saúde pública na América Latina. O presidente Lula foi reconhecido pela Fiocruz com o título de doutor Honoris causa em 2004 – primeiro título da categoria outorgado pela Fundação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu sua fala afirmando que “o lançamento dá ao Brasil a certeza de que não somos menos competitivos que ninguém”. Segundo ele, “fazer investimento em pesquisa é uma coisa que nem todo mundo gosta de fazer, porque resultado da pesquisa pode não ser positivo. O fazer custa muito, mas quanto custa o não fazer? Tudo aquilo que a gente tiver que colocar dinheiro para comprar uma coisa que vai acrescentar conhecimento, a gente não tem que ter medo de fazer o investimento. É um investimento que tem retorno na qualidade da saúde, do transporte e do emprego”.
“Com o programa Mais Especialistas, o SUS está dando uma lição para este país. O papel do Sistema Único de Saúde é fazer com que o povo mais humilde tenha o mesmo tratamento que o governador e o presidente da República. Não pode ser diferente”, disse Lula.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sublinhou a Fiocruz como “a instituição que mais conhece e mais interage com o Brasil. Temos muito orgulho dessa instituição, que não serve mais somente ao Ministério da Saúde – a Fundação apoia, com convênios, projetos e pesquisas, 11 ministérios. Acredito que a gente não tenha nenhuma instituição brasileira com uma presença e um papel internacional tão grande quanto a Fiocruz”, ressaltou. “Estamos falando de uma instituição que combina o que tem de mais avançado e está se atualizando cada vez mais e que combina capacidade para produzir em escala”, reforçou Padilha. “Se a vacina mudou a realidade da humanidade no século 20, e a Fundação Oswaldo Cruz tem para o povo brasileiro a imagem direta da vacina, a Fiocruz está entrando cada vez mais naquilo que vai mudar a realidade da humanidade no século 21: como a biotecnologia e a garantia da soberania às pessoas”.
“É uma alegria para a comunidade da Fiocruz receber a visita do presidente Lula, doutor honoris causa desta casa”, celebrou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “O presidente, ao longo do tempo, deu numerosas demonstrações de apreço à Fiocruz e a seus trabalhadores e trabalhadoras, e sempre foi um incansável defensor do SUS e da importância da soberania nacional na ciência e tecnologia. Aqui ele verá, mais uma vez, a nossa capacidade de atender às demandas da população brasileira e conhecerá alguns dos relevantes avanços que obtivemos recentemente”.
Lula visitou o CDTS na companhia de membros do Conselho Deliberativo da Fiocruz (foto: Ricardo Stuckert /PR)
“O presidente Lula celebra mais uma vez, na Fiocruz, avanços importantes no fortalecimento do Complexo Economico e Industrial da Saúde. O CDTS e a planta de produção de terapias celular CAR-T são ativos estratégicos para acelerar a incorporação de tecnologias inovadoras no país, em parceria com outras instituições, com foco sempre em ampliar acesso à saúde para a população”, destacou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz.
Durante a visita de Lula houve uma homenagem aos sanitaristas. O presidente entregou quatro carteiras de registro de sanitarista. Um dos homenageados foi o médico e ex-presidente da Fiocruz Sergio Arouca, falecido em 2003. As filhas Luna, Nina e Lara receberam em nome dele. Os outros foram concedidos à reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Gulnar Azevedo e Silva, ao pós-doutor Gilney Costa Santos e à enfermeira Maria Alice Pessanha de Carvalho. O registro profissional de sanitaristas foi instituído pela Lei nº 14.725/2023 e oficialmente regulamentado pelo Decreto nº 12.921/2026, ambos sancionados por Lula. O Decreto foi anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em cerimônia realizada na Ensp/Fiocruz no Dia Mundial da Saúde (7/5). O ato foi uma homenagem à regulamentação de uma profissão que fortalece o SUS e reconhece oficialmente aqueles que atuam na gestão e organização das políticas de saúde.
Inauguração da sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde
O CDTS/Fiocruz, que impulsiona projetos científicos há mais de duas décadas, ganha sede em um prédio dedicado a acolher projetos inovadores e a acelerar o desenvolvimento de produtos e tecnologias para a saúde dos brasileiros. Criado em 2002 com apoio do Ministério da Saúde (MS), o CDTS/Fiocruz surgiu com a meta de preencher uma lacuna na cadeia de inovação, conectando a geração de conhecimento básico e o desenvolvimento tecnológico para a produção de novas tecnologias, produtos e serviços para o SUS. Para isso, toma como ponto de partida o conhecimento científico e tecnológico gerado na Fiocruz em parceria com universidades, centros de pesquisa e parceiros privados nacionais e internacionais. O objetivo é obter produtos inovadores: vacinas, fármacos, biofármacos, reativos e métodos de diagnóstico para o SUS, entre outras tecnologias, fortalecendo a capacidade de inovação nacional e a soberania em saúde. O Centro tem inserção em redes de pesquisa translacional e inovação, tanto no Brasil quanto no exterior.
Lula afaga o ex-presidente da Fundação e atual coordenador-geral do CDTS/Fiocruz, Carlos Morel (foto: Peter Ilicciev)
Alinhado à Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), o CDTS/Fiocruz é um ativo estratégico para o desenvolvimento de projetos em iniciativas do MS dedicadas à inovação, como o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) e o recém-lançado Programa Nacional de Inovação Radical. O Centro se consolida como um polo de inovação do Ministério da Saúde, funcionando como um hub para conectar parceiros nacionais e internacionais no desenvolvimento de tecnologias estratégicas em saúde e reduzir a dependência em medicamentos, vacinas e outras tecnologias.
“A inauguração do CDTS pelo presidente Lula representa, para a Fiocruz, um marco histórico, científico e tecnológico; para o Brasil, uma reafirmação da importância do desenvolvimento tecnológico para a saúde e a soberania de nosso país”, afirmou o coordenador-geral do CDTS/Fiocruz, Carlos Morel. “Com a inauguração do CDTS, o Brasil ganha uma infraestrutura ímpar, planejada para estimular, fortalecer e operar parcerias estratégicas para o SUS”.
O descerramento da placa alusiva à inauguração do CDTS/Fiocruz foi feito pelo presidente da República acompanhado pelo presidente da Fiocruz; pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere; pelo ministro da Saúde; pelo governador interino do Rio de Janeiro; e pelo coordenador-geral do CDTS/Fiocruz.
Projetos em andamento incluem antiviral, teste diagnóstico e próteses cranianas
Entre os projetos em andamento, um dos destaques fica por conta do candidato a antiviral MB-905, com aplicação para Sars-Cov-2 e arboviroses, como a dengue. O medicamento candidato tem potencial de gerar alternativas para doenças que não contam com alternativas de tratamento. Desenvolvido integralmente no Brasil, o MB-905 avança para estudos clínicos de fase 1. Nesta frente, o CDTS/Fiocruz tem parceria com a empresa farmoquímica Mocrobiológica e o Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP). O teste diagnóstico para doença de Chagas é mais um exemplo da atuação do CDTS. Desenvolvido em parceria com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), o novo teste está em fase de preparação para submissão de registro sanitário.
Outra iniciativa do CDTS/Fiocruz que chama atenção é dedicada à cranioplastia: em protocolos experimentais, mais de 200 pacientes já foram beneficiados pelo procedimento inovador baseado na impressão 3D de próteses cranianas altamente customizadas para cada paciente. O uso pode ocorrer, por exemplo, em casos de traumatismo craniano, quando partes da estrutura óssea do crânio sofre danos, além de cirurgias para extração de tumores cerebrais, hemorragias e encefalites. Com a técnica, uma peça em formato e tamanho exatos é construída com impressão 3D usando cimento ortopédico. A parceria articulada pelo CDTS/Fiocruz, que envolve o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer e hospitais da rede pública de saúde, impressiona não apenas pela capacidade de inovação, mas também pelo preço reduzido em relação às alternativas atuais.
O prédio do CDTS/Fiocruz foi concebido com infraestrutura tecnológica robusta e modelo de gestão inovador. São 15 mil metros quadrados, com centrais de apoio compartilhadas e espaço físico para abrigar sete co-labs compartilháveis, que serão ocupados temporariamente por parceiros no processo de aceleração de projetos de inovação em saúde. Para a construção do prédio-sede, foram investidos R$ 370 milhões. Já o investimento em equipamentos ficou na casa dos R$ 35 milhões por meio do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Brasil.
A operação das áreas laboratoriais ocorrerá de forma gradual. A previsão é de que, em setembro de 2026, os laboratórios iniciem suas atividades em regime de operação assistida com a construtora. A partir de janeiro de 2027, as áreas laboratoriais passarão a operar progressivamente, acompanhando os processos de validação e qualificação de equipamentos.
Também está no horizonte de atuação do CDTS/Fiocruz a consolidação da plataforma de desenvolvimento de vacinas com uso da tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) no país, uma das mais inovadoras tecnologias disponíveis. A Fiocruz já tem a primeira planta de produção de lotes clínicos em Boas Práticas Fabricação da América Latina. O CDTS/Fiocruz vai atuar na cadeia de inovação, acelerando as etapas iniciais de pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é fazer avançar candidatos e soluções tecnológicas até um estágio em que possam ter o desenvolvimento tecnológico concluído em Bio-Manguinhos/Fiocruz ou em outros parceiros nacionais e internacionais.
Lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T
O lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T da Fiocruz delimita um marco para o SUS: a terapia CAR-T é considerada um dos maiores avanços recentes na área de oncologia. A atuação da Fiocruz, por meio de Bio-Manguinhos/Fiocruz, poderá permitir que um produto de alto valor tecnológico se torne acessível à população, em um processo que envolve incorporação de tecnologia combinada ao desenvolvimento de estudo clínico. Assim, ao mesmo tempo em que a tecnologia estrangeira é incorporada, os estudos de avaliação clínica são conduzidos.
Atuação de Bio-Manguinhos/Fiocruz permitirá que produtos de alto valor tecnológico desenvolvidos no Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T se tornem acessíveis à população (foto: Ricardo Stuckert /PR)
A iniciativa é parte do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado à estratégia federal do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Brasil, com valor de R$ 330 milhões já investido.
O Brasil é um dos poucos países no mundo com potencial para se apropriar dessa revolução na medicina para a população de forma gratuita, pelo SUS, na medida em que dispõe de instituições públicas como a Fiocruz, com as bases científicas e tecnológicas necessárias para disponibilizar terapias avançadas, fruto de uma política longeva de investimento no Ceis e conduzir estudos clínicos de forma simultânea.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que “apesar de termos vários laboratórios e indústrias que fazem a produção de terapias celulares, mas não estão preocupadas o tempo todo com o acesso das pessoas. A diferença da Fiocruz é que, graças a ela, pessoas como o Paulo Peregrino [que passou pela terapia e já teve a remissão do câncer] vão poder receber pelo SUS, de graça, esse tratamento que hoje custa mais de R$ 2 milhões”.
A diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber, explica a Lula as inovações trazidas pela tecnologia que será implantada no Centro (foto: Ricardo Stuckert /PR)
“A atuação da Fiocruz nessa área poderá permitir que um produto de alto valor tecnológico se torne acessível à população brasileira, seja na área dos cânceres, seja na área das doenças infecciosas. O Brasil é um dos poucos países no mundo com potencial para se apropriar dessa revolução na medicina para a população de forma gratuita, pelo SUS”, explicou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “Isso porque o país tem a vantagem de dispor de instituições públicas, como a Fiocruz, que tem as bases científicas e tecnológicas necessárias para disponibilizar terapias avançadas, especialmente as de natureza gênica e celular. E não se trata apenas de um produto, mas de uma nova plataforma de produtos, pois se verifica o uso dessa inovação para aplicações fora do câncer, como no caso das doenças infecciosas e genéticas. Abre-se uma nova fronteira do conhecimento”.
Tecnologia é capaz de programar as células de defesa
A tecnologia CAR-T produzida pela Fiocruz poderá beneficiar diretamente brasileiros que enfrentam leucemia, linfoma e mieloma. Nesta abordagem, as células de defesa do paciente são removidas, modificadas geneticamente em laboratório e reintroduzidas na pessoa já “reprogramadas” para combater o câncer. Primeiro, profissionais de saúde retiram linfócitos T, que são as células de defesa, do próprio paciente. Em laboratório, essas células passam por uma modificação genética para receber um receptor especial, chamado CAR, que permite reconhecer as células cancerígenas. Assim, os linfócitos são programados para agir de forma específica nos alvos causadores da doença. Estas células são multiplicadas em grande quantidade em laboratório e reinfundidas no paciente, em um processo parecido com uma transfusão de sangue comum. No organismo do paciente, as células CAR-T identificam e atacam as células tumorais. Existe potencial de uso também para aplicação em doenças infecciosas e genéticas.
Padilha e Lula com Paulo Peregrino, paciente que utilizou terapia CAR-T e hoje comemora mais um ano de remissão. Centro da Fiocruz trabalha para desenvolver produção nacional do principal insumo do tratamento (foto: Peter Ilicciev)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem desempenhado papel estratégico para incorporação destas novas tecnologias no país. Para isso, vem criando novos instrumentos para acompanhar e acelerar o processo de análise destas novas terapias, como é o caso do uso de CAR-T. A Anvisa vem trabalhando com a Fiocruz desde o início do projeto, antecipando etapas de análise do pedido de submissão do estudo clínico no Brasil.
Hoje, o custo deste tipo de tratamento é extremamente elevado. A incorporação de uma tecnologia estrangeira para a produção nacionalizada irá baratear o valor do tratamento, reduzindo desigualdades de acesso à saúde. Nos Estados Unidos, produtos de células CAR-T aprovados para uso comercial têm custo médio de US$ 350 mil a US$ 400 mil cada dose. A partir da produção na Fiocruz, a estimativa é de que o custo poderá ser reduzido a até 10% desse valor. Na prática, a perspectiva é de economia potencial de bilhões de reais para o SUS ao longo dos próximos anos, além de visar a ampliação do número de pacientes atendidos e a incorporação gradual dessas terapias no sistema público.
Ligado a Bio-Manguinhos/Fiocruz, o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T é um marco da parceria para transferência de tecnologia e desenvolvimento de estudos clínicos firmada em novembro de 2023 entre a Fiocruz, o Ministério da Saúde e a organização norte-americana sem fins lucrativos Caring Cross.
A instalação do Centro integra a Estratégia para Terapias Avançadas e reforça o papel da Fiocruz, em alinhamento com o Ministério da Saúde, como articuladora de soluções estruturantes para o SUS. O processo de preparação para a produção dos lotes clínicos de células CAR-T já foi iniciado em um laboratório modular com aproximadamente 70 metros quadrados, onde será realizada a modificação gênica das células do paciente. Ali, as células serão “reprogramadas” para adquirirem a capacidade terapêutica e gerar o produto celular que será infundido nos pacientes.
O projeto também inclui um estudo clínico liderado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) para pacientes adultos com linfoma não-hodgkin difuso e leucemia linfoblástica aguda de difícil tratamento. Os participantes do estudo terão suas células retiradas e o material será transportado para o laboratório. As células serão transformadas e novamente levadas ao hospital para serem infundidas nos pacientes. A previsão é de que os primeiros pacientes recebam o tratamento no segundo semestre deste ano. A iniciativa também envolve outros parceiros.
Quando a transferência de tecnologia estiver com concluída, a Fiocruz será a detentora dessa tecnologia no Brasil e na América Latina, com a produção no país reduzindo os custos e visando ampliar o acesso da população às terapias genéticas.
Método atua triplamente contra o câncer
O projeto desenvolvido pela Fiocruz usa a tecnologia inovadora no Brasil conhecida como duoCAR-T triespecífico, desenvolvida pela Caring Cross. Sua principal vantagem é reconhecer e atacar simultaneamente três alvos diferentes no tratamento de câncer. Isso garante uma eliminação da doença mais robusta, abrangente e com expectativa de respostas clínicas duradouras.
A iniciativa tem o diferencial de prever a produção nacional dos chamados “vetores lentivirais”, uma chave da soberania na produção das terapias para câncer usando células CAR-T. Por serem responsáveis pelo transporte do gene do receptor CAR (Chimeric Antigen Receptor) ao DNA das células de defesa do paciente (linfócitos T), os vetores são a peça-chave da terapia. A produção de células CAR-T de alta qualidade depende de vetores lentivirais seguros e eficientes. A Fiocruz será o primeiro produtor nacional deste tipo de vetor, garantindo ao país domínio completo de toda a cadeia produtiva da terapia e eliminando a dependência de importações.
Segundo a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber, os vetores lentivirais são um dos componentes mais caros de toda a cadeia de produção da terapia CAR-T e representam um dos principais gargalos para a redução de preços e ampliação do acesso. “A produção local de vetores lentivirais é uma estratégia central para reduzir custos e garantir a sustentabilidade do tratamento. Além disso, com o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, Bio-Manguinhos entrega uma solução descentralizada que não apenas atende ao sistema público brasileiro, mas nos torna um hub de referência na produção e exportação deste modelo de terapias avançadas para toda América Latina”, destaca a diretora.
A produção do vetor lentiviral, necessário para a modificação gênica das células, ocorrerá na planta de vetores virais de Bio-Manguinhos/Fiocruz recentemente utilizada para a vacina de Covid-19. Ou seja, os avanços para a produção dessas terapias é fruto do investimento e da capacitação tecnológica realizada ao longo dos anos na política de fortalecimento do Ceis, que durante a pandemia permitiu a internalização e produção nacional da vacina da Covid-19 e agora viabiliza a incorporação e produção das terapias celular.
Micro-ônibus do Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde
Além disso, foi feita a primeira entrega para a população do Rio de Janeiro, de micro-ônibus do Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. Os veículos são destinados a garantir o deslocamento gratuito e confortável de pacientes do SUS que precisam ir até centros de radioterapia ou hemodiálise, localizados a mais de 50km de casa. A entrega destinará 40 unidades para 38 municípios fluminenses, em um investimento de mais de R$ 23,3 milhões do Governo do Brasil. Uma ambulância do Samu também será entregue ao município de São João de Meriti, no valor de R$ 292,8 mil, e duas vans serão entregues ao Estado do Rio de Janeiro, também para garantir o transporte de pacientes para outros dois municípios fluminenses, com investimento total de R$ 609,2 mil.
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