Reconhecido internacionalmente, um recente estudo brasileiro chegou à conclusão de que a dengue pode aumentar muito o risco de desenvolvimento da rara Síndrome de Guillain-Barré (SGB). A descoberta foi publicada no New England Journal of Medicine.
De acordo com o estudo, esse risco chega a ser 30 vezes maior nas duas semanas seguintes à infecção por dengue. Seis semanas após, passa a ser de 17 vezes. Os cientistas dizem que para cada 1 milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem desenvolver SGB. “Um número pequeno, mas relevante diante das epidemias recorrentes no país”, diz o comunicado da Fiocruz sobre o tema.
Mas, afinal, o que é essa síndrome? Trata-se de uma condição neurológica rara em que o sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos (células que conectam o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo). Isso gera fraqueza muscular, sensação de dormência ou queimação, que geralmente começa nas pernas e pode subir para os braços e o rosto.
Em casos graves, dificulta até a respiração. O paciente pode ficar completamente paralisado e precisar de aparelhos para respirar. “A maioria das pessoas se recupera, mas o processo pode levar meses ou até anos, e alguns pacientes ficam com sequelas permanentes”, explica a Fiocruz, instituição dos pesquisadores que realizaram o estudo.
A SGB é geralmente associada a um processo infeccioso anterior, como a dengue. Segundo o Ministério da Saúde, a infecção mais citada é causada pela bactéria Campylobacter – que causa diarreia. O órgão também menciona, além da dengue, zika, chikungunya, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, sarampo, vírus de influenza A, Mycoplasma pneumoniae, enterovirus D68, hepatite A, B, C, HIV, entre outros. “Muitos vírus e bactérias já foram associados temporalmente com o desenvolvimento da Síndrome de Guillain Barré, embora em geral seja difícil comprovar a verdadeira causalidade da doença”, diz o Ministério da Saúde.
No caso da associação com a dengue, a suspeita existe desde 1998, mas nenhum estudo aprofundado havia sido feito até então. Na recém publicada pesquisa, os autores analisaram três grandes bases de dados do SUS: internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de óbitos. Foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024. Dessas, 89 ocorreram logo após o paciente apresentar dengue.
“Enquanto não tivermos um tratamento antiviral eficaz contra a dengue, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Nosso estudo reforça que evitar a infecção evita também complicações como esse tipo de paralisia potencialmente grave”, frisam os autores.
Em 2024, o ator Reynaldo Gianecchini revelou que foi diagnosticado com SGB. Isso aconteceu enquanto ele ensaiava para um musical, o que dificultou seu trabalho na época. “Tive uma coisa que chama Guillain-Barré, que é uma doença autoimune, que seu próprio sistema imunológico, os seus nervos, vão te paralisando”, contou em entrevista ao Pod Delas.
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