A Fiocruz vem contribuindo com ações de educação em saúde para a redução do risco de transmissão da esporotricose no interior do Amazonas. O avanço silencioso da doença em todas as regiões do estado levou o projeto Educa Saúde Ambiental, com apoio da J&J Foundation, a incluir orientações sobre a doença, aos agentes de saúde que integram as turmas dos cursos de formação oferecidos pelo projeto. As formações são destinadas aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Controles de Endemias e de Controle de Zoonoses que atuam na estratégia de Saúde da Família dos municípios. A finalidade é trabalhar as noções básicas sobre monitoramento da qualidade da água, doenças de veiculação hídrica e os cuidados em relação ao risco de transmissão da esporotricose (espécie de micose que tem os animais mamíferos domésticos, principalmente os gatos, como principais hospedeiros do agente causador da doença).

Curso já capacitou mais de 1 mil agentes de saúde dos municípios do Careiro Castanho, Manacapuru, Manaus, Borba, Anamã, Autazes, Tefé e Parintins (Foto: Júlio Pedrosa/Fiocruz Amazônia)
De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Amazônia Ani Beatriz Matsuura, coordenadora do Educa Saúde Ambiental, o objetivo foi somar às atividades já desenvolvidas pelo projeto informações referentes aos cuidados a serem tomados em relação à esporotricose, tais como a observação dos animais, por parte dos tutores e cuidadores, ao se depararem com casos suspeitos de animais debilitados nas ruas, apresentando feridas cutâneas. A orientação é comunicar imediatamente aos setores de Zoonoses das secretarias municipais de Saúde. A doença acomete animais mamíferos como gatos, cães, macacos, e pode contaminar seres humanos, por meio do contato com as feridas e locais onde o animal contaminado teve acesso. O contato com feridas, arranhões ou mordidas de animais doentes, especialmente gatos, que transportam o fungo na boca e unhas, é uma das formas mais frequentes.
Lesões traumáticas com espinhos, madeira ou solo contaminado também podem ocasionar a contaminação humana. Há também registros de casos da doença entre profissionais da área de medicina veterinária, o que vem levando as autoridades de saúde a reconhecerem a esporotricose como uma doença ocupacional. “No curso de formação oferecido pelo Educa Saúde Ambiental, visamos combater a desinformação acerca dos processos de adoecimento e reforçar a importância dos cuidados com a qualidade da água e a consciência sanitária na região amazônica. Neste sentido, nada mais oportuno do que incluir os cuidados em relação à esporotricose, numa formação continuada em saúde e ambiente na Amazônia”, observa Ani Matsuura.
Na formação oferecida recentemente, pelo Educa Saúde Ambiental, no município de Parintins – localizado na Bacia do Rio Amazonas, a 369 quilômetros de Manaus –, houve a participação de mais de 300 agentes de saúde, entre ACS das zonas urbana (147) e rural (141), 31 Agentes de Combate a Endemias (ACE) e 11 Agentes de Zoonoses. Os alunos foram divididos em dez turmas, na sede da Fametro-Parintins.
O curso é oferecido com carga horária de 20 horas e aborda o monitoramento da qualidade da água utilizada em comunidades rurais ribeirinhas, localizadas em áreas remotas do estado. Desde o lançamento do projeto, no último mês de fevereiro, até agora, já foram realizadas formações em oito municípios. O projeto conta com a parceria do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e Escola de Saúde Pública da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Manaus). O curso já capacitou mais de 1 mil agentes de saúde dos municípios do Careiro Castanho, Manacapuru, Manaus, Borba, Anamã, Autazes, Tefé e Parintins. No mês de maio, as capacitações ocorrerão em Tabatinga, Benjamin Constant, Atalia do Norte e Maués.
Estruturado em cinco módulos, o curso é presencial, e está previsto para abranger, inicialmente, 22 municípios do Amazonas. São eles: Autazes, Atalaia do Norte, Benjamim Constant, Borba, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Coari, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Rio Preto da Eva, Santo Antonio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tefé. O material didático utilizado foi produzido exclusivamente para o projeto, levando em consideração a vivência dos agentes nos seus territórios.
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