Governo suspendeu temporariamente o imunizante do Butantan após 42 registros de reações adversas severas
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou, nesta 2ª feira (8.jun.2026), durante entrevista a jornalistas, a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O motivo foram os 42 episódios de reações adversas severas registrados depois do uso do imunizante. O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas recentemente fiquem atentas a possíveis sintomas e procurem atendimento em casos específicos.
Padilha afirmou que as pessoas que já receberam a vacina continuam protegidas e destacou que os dados de eficácia mostram proteção contra os 4 sorotipos da doença. Segundo o ministro, a suspensão temporária se aplica apenas à estratégia de vacinação, não significando que quem foi imunizado esteja em risco e que mais de 90% deles não apresentaram efeitos colaterais após a aplicação.
A recomendação do Ministério da Saúde é que profissionais de saúde mantenham atenção especial aos vacinados nos últimos 21 dias, monitorando o surgimento de possíveis reações adversas para que elas possam ser registradas e acompanhadas adequadamente pelas autoridades sanitárias.
Deve-se procurar atendimento imediatamente se apresentar:
- febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
São efeitos adversos esperados:
- dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios.
Depois de 21 dias, não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
Assista à declaração do Ministério da Saúde (16min39s):
O que aconteceu até agora:
- 501 mil doses foram aplicadas em profissionais de saúde que atuam na linha de frente do SUS e em pessoas de 15 a 59 anos nos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) e da região de Araguaína (TO). Desses, foram registrados 42 casos (0,008% do total de vacinados) de reações raras não previstas nos estudos clínicos. Também foram identificados 3 casos graves, dos quais 2 evoluíram para morte. Nenhum deles ocorreu nas 3 cidades e região onde a vacinação foi ampliada para a população;
- os estudos clínicos apontaram eficácia geral do imunizante de 65% e de 80,5% (para casos graves);
- o SUS segue oferecendo imunização contra a dengue para crianças entre 10 e 14 anos com a vacina Qdenga, produzida no Japão e oferecida na rede pública desde 2024.
De acordo com o Ministério da Saúde, não se pode afirmar que as mortes foram causadas pela vacina, mas os casos justificaram uma investigação aprofundada. Serão investigadas comorbidades, fatores de risco e outras situações que possam ter contribuído para as reações. O ministério garante também que a vacina passou por todas as etapas necessárias para aprovação.
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