Sistema nervoso: o que é, função, anatomia (e principais doenças)-radardasaude

Joabe Antonio de Oliveira

10/05/2026

O sistema nervoso é a rede de comunicação do corpo, responsável por receber, processar e enviar informações, dividindo-se em sistema nervoso central, formado pelo cérebro e medula espinhal, e sistema nervoso periférico, que conecta essas estruturas a órgãos, músculos e tecidos.

Entre suas principais funções estão o controle de movimentos voluntários e involuntários, como respiração e digestão, o processamento de informações sensoriais, além da memória, aprendizado, emoções e comunicação.

O sistema nervoso pode ser afetado por doenças, como epilepsia, Parkinson, paralisia cerebral, meningite e tumores cerebrais, que podem comprometer movimentos, cognição, sensibilidade, postura e funções automáticas do corpo.


Imagem ilustrativa número 1

Divisão do sistema nervoso

O sistema nervoso é dividido em duas grandes partes, que são:

1. Sistema nervoso central (SNC)

O sistema nervoso central é formado principalmente pelo cérebro e pela medula espinhal, que funcionam como o centro de comando do corpo. 

O cérebro interpreta informações vindas dos sentidos, controla pensamentos, emoções, memória e movimentos voluntários. 

Já a medula espinhal atua como um caminho de comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, transmitindo impulsos nervosos que permitem sentir estímulos, mover músculos e reagir rapidamente a determinadas situações. 

2. Sistema nervoso periférico (SNP)

O sistema nervoso periférico inclui todos os nervos que se estendem para fora do sistema nervoso central e se distribuem por todo o corpo. 

Esses nervos conectam o cérebro e a medula espinhal aos órgãos, músculos e tecidos, permitindo que informações sejam enviadas e recebidas constantemente. 

O sistema nervoso periférico pode ainda ser dividido em sistema nervoso somático, que está relacionado às ações voluntárias, como caminhar, pegar objetos ou mover os braços e as pernas, além da percepção do toque, da dor e da temperatura.

E o sistema nervoso autônomo, que atua principalmente no controle das funções involuntárias do corpo, ou seja, aquelas que acontecem sem que a pessoa precise pensar nelas. Veja o que é o sistema nervoso autônomo.

O sistema autônomo é subdividido em:

Além disso, existe o sistema nervoso entérico, que é a rede de neurônios que controla o trato digestivo, funcionando de forma relativamente independente do cérebro e da medula espinhal.

O sistema entérico regula os movimentos do intestino, a secreção de enzimas e os processos de digestão, garantindo que os alimentos sejam processados corretamente.

Leia também: Sistema digestório: órgãos, função (e possíveis doenças)

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Apesar de sua autonomia, mantém comunicação com o sistema nervoso autônomo, recebendo influência do simpático, para reduzir a atividade digestiva em situações de estresse, e do parassimpático, que o estimula durante o descanso. 

Função do sistema nervoso

O sistema nervoso desempenha funções essenciais para a sobrevivência e o bem-estar do organismo. Entre as mais importantes estão:

  • Receber informações do ambiente através dos sentidos, como visão, audição, tato, olfato e paladar;
  • Interpretar e processar essas informações no cérebro e na medula espinhal;
  • Enviar respostas para o corpo, controlando movimentos voluntários dos músculos:
  • Regular funções involuntárias, como batimentos cardíacos, respiração, digestão e pressão arterial;
  • Manter o equilíbrio interno do corpo, por meio do sistema nervoso autônomo;
  • Controlar emoções, pensamentos e memória, permitindo aprendizado e tomada de decisões;
  • Coordenar reflexos rápidos, que ajudam a proteger o corpo de perigos imediatos.

Além disso, o sistema nervoso coordena-se com o sistema endócrino, estimulando a produção de hormônios como a oxitocina e o hormônio antidiurético, que participam de diversos processos fisiológicos e influenciam o comportamento. Saiba quais são as glândulas e funções do sistema endócrino.

Em conjunto, essas funções permitem que o corpo perceba o ambiente, responda adequadamente, mantenha seu equilíbrio interno e se comunique, garantindo a coordenação de órgãos, músculos e sistemas.

Anatomia do sistema nervoso

As principais estruturas que compõem a anatomia do sistema nervoso incluem:

1. Cérebro

O cérebro é o principal órgão do sistema nervoso central e funciona como o centro de comando do corpo, processando informações sensoriais, controlando movimentos voluntários e regulando funções vitais, emoções, memória e pensamento.

Localizado dentro do crânio, o cérebro é protegido pelas meninges, pelo líquido cefalorraquidiano e pela barreira hematoencefálica, que impede a entrada de substâncias nocivas.

O cérebro é dividido em diferentes regiões, como o córtex cerebral, responsável por funções cognitivas e sensoriais, e estruturas internas, como o tálamo e o hipotálamo, que integram sinais e regulam processos automáticos do organismo.

É formado por milhões de neurônios organizados em dois tipos de tecido: a substância cinzenta, onde os sinais são processados, e a substância branca, que conecta diferentes regiões e permite a rápida transmissão de informações.

Leia também: 7 curiosidades sobre o cérebro humano

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2. Cerebelo

O cerebelo está localizado na parte posterior e inferior do cérebro e sua principal função é coordenar e suavizar os movimentos voluntários, manter a postura e o equilíbrio e garantir que as contrações musculares sejam precisas e harmoniosas.

3. Tronco encefálico

O tronco encefálico conecta o cérebro à medula espinhal e funciona como uma ponte para transmitir informações entre o cérebro e o resto do corpo.

Sua principal função é controlar processos automáticos essenciais à sobrevivência, como respiração, frequência cardíaca e pressão arterial, além de controlar movimentos e sensações.

4. Medula espinhal

A medula espinhal é uma estrutura que conecta o cérebro ao resto do corpo. Ela está localizada dentro da coluna vertebral e se estende da base do tronco encefálico até a parte inferior das costas.

Sua principal função é transmitir sinais entre o cérebro e o corpo, controlando movimentos voluntários, reflexos automáticos e algumas funções involuntárias, como a respiração e os batimentos cardíacos. 

Além disso, ele gerencia reflexos rápidos que não exigem intervenção direta do cérebro, garantindo assim respostas imediatas aos estímulos. Entenda mais a função da medula espinhal.

5. Nervos cranianos e espinhais

Os nervos cranianos e espinhais constituem a maior parte do sistema nervoso periférico, conectando o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo.

Leia também: Nervos cranianos: o que são, pares (e funções)

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Os nervos cranianos conectam-se diretamente ao cérebro e controlam principalmente a cabeça e o pescoço, incluindo visão, audição, olfato, movimentos faciais e algumas funções viscerais.

Os nervos espinhais se estendem a partir da medula espinhal, alcançando braços, pernas e órgãos internos, e são responsáveis ​​por controlar movimentos voluntários, reflexos automáticos e funções involuntárias, como batimentos cardíacos e digestão.

6. Gânglios nervosos

Os gânglios nervosos são conjuntos de células nervosas localizados fora do cérebro e da medula espinhal, funcionando como pequenas “estações”, onde os sinais do corpo podem ser processados antes de seguir para outros nervos ou órgãos.

Alguns gânglios transmitem informações do corpo para o sistema nervoso central, enquanto outros ajudam a controlar funções automáticas, como o coração, a digestão e as respostas de alerta.

Como funciona

O sistema nervoso funciona enviando sinais elétricos que percorrem os neurônios até chegarem às células responsáveis por executar uma ação, como músculos, glândulas ou órgãos. 

Esse envio de mensagens entre neurônios ocorre através das sinapses, pequenas conexões onde os sinais são transmitidos de uma célula para outra.

Quando um impulso chega a um neurônio, ele entra pelos dendritos e percorre o axônio até a extremidade, onde são liberados neurotransmissores, que são mensageiros químicos responsáveis em passar a informação adiante. 

O neurônio receptor transforma novamente esse sinal químico em impulso elétrico, garantindo que a mensagem continue seu caminho até o órgão ou tecido que deve reagir.

Existem diferentes tipos de neurônios com funções específicas, como os neurônios motores que levam ordens do cérebro e da medula espinhal para os músculos, permitindo movimentos voluntários e funções automáticas, como respirar ou engolir. 

Além dos neurônios sensoriais, que coletam informações do corpo e dos sentidos, como toque, dor e temperatura, e as enviam para o cérebro. E os interneurônios que contribuem para o pensamento, a memória e o aprendizado.

O sistema nervoso também conta com as células da glia, que dão suporte e proteção, produzem mielina para acelerar os impulsos e regulam os neurotransmissores, mantendo a comunicação eficiente e segura entre as células.

Com essas estruturas, o corpo consegue perceber o ambiente, reagir a estímulos, coordenar movimentos e manter funções essenciais, como respiração, digestão e pressão arterial, integrando de forma organizada o sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico.

Doenças do sistema nervoso

O sistema nervoso pode ser afetado por doenças, que variam desde distúrbios dos neurônios até problemas nos nervos periféricos ou nas estruturas de proteção do cérebro e da medula espinhal. Entre as principais estão:

  • Epilepsia, causada por descargas elétricas anormais no cérebro que provocam convulsões e alterações de consciência;
  • Doença de Parkinson, que afeta o controle dos movimentos, causando tremores, rigidez muscular e dificuldade para caminhar;
  • Demência, incluindo a doença de Alzheimer, que leva à perda progressiva da memória, dificuldade de raciocínio e alterações no comportamento, causada pela degeneração de neurônios e conexões cerebrais;
  • Esclerose múltipla, que destrói a mielina dos neurônios, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o corpo;
  • Neuropatias periféricas, que afetam os nervos fora do cérebro e da medula, causando dor, fraqueza e perda de sensibilidade;
  • Acidente vascular cerebral (AVC), que ocorre quando o fluxo de sangue no cérebro é interrompido, podendo gerar sequelas motoras e cognitivas.

Além disso, lesões na medula espinhal podem interromper a comunicação entre o cérebro e o corpo, causando perda parcial ou total da sensibilidade e do movimento abaixo do local afetado. Saiba o que é lesão medular.

O sistema nervoso também pode ser afetado por condições como a paralisia cerebral, que compromete movimentos e postura; a meningite, que é a inflamação das meninges; e os tumores cerebrais, capazes de provocar alterações cognitivas.

Leia também: Tumor cerebral: sintomas, tratamento e principais tipos

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