“A experiência ensina, o respeito protege” foi lema de campanha que norteou “Tecnologias e Ancestralidades para o enfrentamento às violências contra pessoas idosas”, evento realizado no auditório da Fiocruz entre 9 e 10 de junho. Promovido pela Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI), braço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o encontro discutiu direitos e acesso à informação, em meio ao crescimento da violência contra pessoa idosa no Brasil.
Mais de 92 mil denúncias e 535 mil violações de direitos contra pessoas idosas foram registradas pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) entre janeiro e maio deste ano. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve cerca de 20 mil denúncias e 116 mil violações de direitos a mais no país.
“Esse aumento está relacionado ao crescimento da população com 60 anos ou mais no Brasil”, explicou o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI/MDHC), Alexandre da Silva. Até 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá 65 anos ou mais, total de 2 bilhões de pessoas nessa faixa etária estima a ONU.

A coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Atenção à Saúde do Idoso, Betânia Santos, participou do evento representando o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). “Os enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem atuam no cuidado às pessoas idosas no dia a dia. Nosso esforço é garantir que tenham informação e formação humana necessárias para exercer esse papel”, afirmou Betânia.
“As oportunidades de envelhecer com saúde no Brasil são desiguais”, destacou a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania substituta, Caroline Reis. “Dignidade e qualidade de vida continuam marcadas por desigualdades sociais, econômicas e territoriais. Por isso, é fundamental que as políticas públicas cheguem a todos os territórios e alcancem quem mais precisa”.
“Precisamos garantir uma vida mais digna para as pessoas idosas”, enfatizou a diretora da Fiocruz, Fabiana Damásio.
Lançamento do Estatuto da Pessoa Idosa

O Estatuto da Pessoa Idosa em cordel foi lançado na ocasião e faz parte das ações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para compor a campanha Junho Violeta de 2026 “Experiência ensina, o respeito protege” e ampliar o acesso à informação sobre direitos da pessoa idosa.
“A comunicação é um pilar importante dos direitos humanos. As pessoas precisam conhecer seus direitos para que eles possam ser de fato garantidos e acessados”, afirmou Manoel Cavalcante, cordelista do Estatuto da Pessoa Idosa em cordel. “O cordel é uma linguagem muito próxima da fala, muito próxima da oralidade da nossa comunidade. É uma leitura divertida e fluida, que aproxima o conteúdo das pessoas no dia a dia”.
Práticas tradicionais e saberes ligados às ancestralidades estiveram presentes na programação, com atividades culturais, rodas de saberes, apresentações de expressões populares e vivências comunitárias. Ações reuniram diferentes formas de cuidado e transmissão de conhecimentos entre gerações, valorizando tradições mantidas em diversos territórios.
Fonte: Ascom/Cofen
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