O que nasceu como um socorro emergencial diante da maior crise sanitária do século consolidou-se como uma das maiores e mais potentes políticas públicas de saúde territorial do Brasil. O Plano Integrado de Saúde nas Favelas acaba de completar seis anos de existência, acumulando uma marca histórica: mais de um milhão de moradores beneficiados em 175 comunidades, espalhadas por 33 municípios do estado do Rio de Janeiro.
O balanço desse impacto e os próximos passos da iniciativa foram apresentados em um evento na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reunindo cientistas, parlamentares e lideranças comunitárias. Ao todo, o plano já viabilizou 146 projetos voltados para a promoção da saúde e para a segurança alimentar de populações em situação de vulnerabilidade social.
A Força da Parceria e o Financiamento Inicial
O programa começou a desenhar sua trajetória em 2020, fruto de uma articulação entre a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e a Fiocruz. Para tirar a ideia do papel no momento mais crítico da pandemia de Covid-19, foi mobilizado um aporte financeiro inicial expressivo:
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R$ 20 milhões repassados pela Alerj;
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R$ 3 milhões investidos pela Fiocruz;
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R$ 700 mil oriundos de emendas parlamentares federais.
Mais do que o suporte financeiro, a governança compartilhada foi o diferencial para que o projeto se espalhasse com sucesso. A equipe operacional realizou cerca de 450 visitas presenciais e mais de 60 reuniões de coordenação, garantindo que o diálogo com os territórios fosse constante e assertivo.
“A proposta surgiu em um momento muito difícil, na pandemia, quando as populações das favelas estavam ainda mais vulneráveis. Hoje, a iniciativa se firma como um instrumento indispensável, que promove a saúde e salva vidas no dia a dia das comunidades”, André Ceciliano, ex-presidente da Alerj, homenageado pelo comitê do projeto.
Uma Mudança Histórica de Paradigma
Para além dos números de atendimentos, o Plano Integrado é celebrado por promover uma verdadeira “virada de chave” na forma como o poder público enxerga as periferias. Durante o encontro na Fiocruz, a deputada Renata Souza enfatizou que, por décadas, o Estado insistiu em olhar para as favelas exclusivamente pelo prisma da segurança pública. O plano inverte essa lógica ao colocar a vida, o cuidado e o bem-estar no centro do debate.
Richarlls Martins, coordenador do comitê executivo pela Fiocruz, apontou que o grande trunfo do programa é a sua construção “de dentro para fora”. Em vez de pacotes de medidas prontos, a iniciativa valoriza o saber local e capacita os próprios moradores para serem agentes de transformação. “O apoio da Alerj foi o divisor de águas que transformou uma ação de socorro em uma política pública potente e duradoura”, destacou Martins.
O Futuro do Projeto: Educação e Cinema
Os horizontes do Plano Integrado de Saúde nas Favelas continuam se expandindo. Durante o evento de celebração, foram anunciadas as novas metas para fortalecer a rede nos próximos anos:
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Novos Editais: Abertura de novas chamadas públicas para financiar projetos comunitários inéditos.
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Capacitação: Lançamento de cursos de atenção básica comunitária, voltados para a formação de lideranças locais.
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Memória e Registro: Produção de um documentário institucional que vai registrar o impacto socio-espacial e as histórias de vida transformadas pelo programa ao longo desses seis anos.
O fechamento das celebrações desses seis anos de trajetória ganhará as telas com a produção de um documentário institucional inédito. Mais do que um registro técnico, o vídeo final promete ser um manifesto visual sobre a potência das periferias, eternizando os rostos, as vozes e as transformações sociais provocadas pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas.
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