Uma oportunidade de encontros, troca de conhecimento e fortalecimento do trabalho em rede. Com esse propósito, a Fiocruz realizou o XIX Fórum de Vigilância e Laboratórios de Referência, consolidando o evento como um espaço estratégico para alinhar a excelência científica da instituição às políticas públicas do Ministério da Saúde. O encontro deste ano trouxe um alerta fundamental: a indissociabilidade entre a vigilância em saúde e os desafios impostos pela crise climática e pelas persistentes desigualdades sociais.
Saúde global, desigualdades e crise climática
A conferência de abertura, ministrada pelo coordenador da Plataforma Climática e Ambiental do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS/Clima), Maurício Barreto, traçou um panorama desafiador para o futuro da saúde pública. Barreto argumentou que o mundo está se tornando cada vez mais desigual e que a crise climática não é apenas um fenômeno ambiental, mas uma ‘crise de justiça’, pois os mais vulneráveis são os mais atingidos pelos eventos gerados.
O pesquisador mostrou, por meio de dados do CIDACS, que o aumento da temperatura afeta diretamente a mortalidade e a desnutrição de forma heterogênea. Além disso, destacou que crianças de mães negras e populações indígenas sofrem impactos desproporcionalmente maiores com o calor extremo, ainda que não sejam os únicos responsáveis.
O debate foi moderado pelo ex-presidente da Fiocruz e atual coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030), Paulo Gadelha, que reforçou a importância da Agenda 2030 e das novas estratégias institucionais. “A crise climática exige uma reformulação profunda do setor da saúde. Não há possibilidade de ter o mesmo sistema de saúde depois que a crise climática vem com a força que ela tem, ressaltou”.
Cenário atual e perspectivas de atuação do DEDT
A diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT/MS), Marília Santini, apresentou as metas brasileiras para a eliminação de doenças tropicais negligenciadas até 2030, no âmbito do programa Brasil Saudável.
Santini explicou que o país lida com doenças determinadas socialmente, também conhecidas como doenças negligenciadas. Diferente de patologias que dependem apenas de um fator biológico, essas enfermidades são caracterizadas por serem “intrinsicamente ligadas a determinantes sociais, como baixa renda, condições de moradias ruins, falta de acesso a água potável e saneamento”, esclareceu Marília, enfatizando a necessidade de a saúde caminhar de mãos dadas com políticas de infraestrutura e assistência social para o combate a esses agravos.
A Fiocruz no ecossistema de vigilância em saúde e o fortalecimento da rede nacional de laboratórios (CGLAB)
No período da tarde, a coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Tânia Fonseca, detalhou a capilaridade e a importância da Fundação no sistema nacional. “Atualmente, a Fiocruz responde por pouco mais de 55% dos Laboratórios de Referência Nacional, número que pode chegar a 70% se incluídas as referências regionais”, enfatizou a pesquisadora, alertando para a necessidade de um trabalho sinérgico e rigoroso que a posição exige.
Karen Machado, da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), falou sobre o papel da Coordenação e a atualização da portaria do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab), e enfatizou o movimento em direção à abordagem de ‘Uma Só Saúde’, integrando as vigilâncias epidemiológica, ambiental e de vetores.
Karen detalhou, também, os novos processos de habilitação para laboratórios de referência, que incluirão avaliações anuais e visitas técnicas in loco para garantir a manutenção dos padrões de qualidade e tecnologia.
O evento ainda contou com uma sessão dedicada à tríade ‘Vigilância, Qualidade e Inovação’, com participação da diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, do diretor de desenvolvimento tecnológico e informação, Fabrício Marchini, e de Renata Almeida, representando a Coordenação da Qualidade (CQuali). A moderação do debate ficou por conta da vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Alda Cruz.
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