
Texto e foto da Subdivisão de Comunicação do CCSH da UFSM
A intensificação de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul vem mobilizando especialistas, gestores públicos e lideranças comunitárias em torno da elaboração de estratégias de prevenção e mitigação de impactos. É o caso do projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos para prevenção de desastres em Santa Maria”, desenvolvido pela professora Francielle Benini Agne Tybusch, do Departamento de Direito da UFSM, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O projeto foi apresentado durante o seminário “Impactos, Resiliência e Justiça Climática em Santa Maria”, realizado na tarde do dia 11 de maio, no auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH). Participaram da mesa de abertura a reitora da UFSM, professora Martha Adaime; a chefe do Departamento de Direito, professora Nina Trícia Disconzi Rodrigues; a coordenadora da Especialização em Mudanças Climáticas da UFSM, professora Nathalie Boiaski; a coordenadora do projeto, professora Francielle Tybusch; o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias de Santa Maria, Edson Roberto das Neves Júnior; e o pesquisador e epidemiologista da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier.
Participação comunitária esteve no centro dos debates
“Desde o início, nosso foco era elaborar um projeto que centralizasse os atingidos”, destacou Diego Xavier ao abrir a programação do seminário. Para o pesquisador, o desafio de articular diferentes campos de conhecimento – como o direito, a psicologia, a ciência da computação, a epidemiologia e a saúde pública – se justifica pela busca de estratégias capazes de antecipar cenários de desastre e, ao mesmo tempo, responder às características específicas de Santa Maria e região. “Santa Maria é uma cidade com múltiplos riscos: inundações, alagamentos, deslizamentos. E o impacto disso tudo não é o mesmo para todos”, comentou Diego em entrevista.
Na sequência da programação, o secretário municipal Edson Roberto das Neves Júnior pontuou algumas das particularidades que tornam Santa Maria suscetível a eventos extremos. “Além da estrutura geográfica, por estar em uma área de encostas, houve também um crescimento urbano desordenado em locais de curso d’água”, afirmou. A convergência desses fatores se reflete em dados preocupantes: “Só nos seis primeiros meses de criação da Secretaria de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, entre dezembro de 2024 e junho de 2025, Santa Maria teve três decretos de situação de emergência nível 2. Ou seja, desastres ou incidentes de média intensidade”, exemplificou o secretário.
A primeira mesa temática foi encerrada com as falas de Elizangela Ribeiro Machado, representante da Associação Comunitária Tancredo Neves, e Tito Rodrigues, da Associação Comunitária Estação dos Ventos (do Km 3). Em suas intervenções, ambos ressaltaram a importância de reconhecer e valorizar os saberes das populações diretamente atingidas pelos eventos climáticos extremos, sobretudo na construção de estratégias de prevenção e resposta a desastres. “O morador conhece a região, conhece os vizinhos, conhece a comunidade. Na hora da emergência, ninguém quer abandonar sua casa. Então, é mais fácil ouvir quem já conhece, já confia”, comentou Tito em entrevista.
Desastres climáticos ressaltam desigualdades sociais
“A chuva pode ser natural, o desastre não”, frisou a professora Francielle Benini Tybusch ao abrir a segunda etapa de palestras do seminário. Durante a fala, a docente apresentou parte da literatura que fundamenta o projeto, especialmente a compreensão de que eventos extremos se tornam desastres ao atingirem populações vulnerabilizadas por desigualdades históricas, ausência de planejamento e exclusão territorial. “O risco aumenta em cenários de moradias frágeis, serviços distantes, poucos recursos e baixo acesso à informação”, explicou.
Em contextos desiguais, os impactos são amplificados de tal forma que as perdas materiais, territoriais e humanas se tornam desproporcionalmente maiores entre as populações mais pobres. “Quem pode decidir morar longe dos locais de risco?”, questionou Francielle. A vulnerabilidade não é, portanto, uma escolha individual, mas resultado de décadas de omissão e desigualdade.
O conceito de justiça climática é, então, utilizado pelos pesquisadores e pesquisadoras como uma “lente de análise”. A perspectiva orienta desde a definição das perguntas de pesquisa até a construção de metodologias, a interpretação dos dados e a devolução dos resultados às comunidades atingidas e ao poder público.
Sobre o projeto
O projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos para prevenção de desastres em Santa Maria” tem o objetivo de investigar o impacto das enchentes de 2024 nos diferentes grupos socioterritoriais do município. Na fase atual de diagnóstico, além de identificar os principais locais atingidos, a proposta é reunir dados a partir dos relatos de moradores e moradoras.
Ao longo da semana passada, foram realizadas oficinas de capacitação com a equipe do projeto. Já na quinta-feira (14), os participantes iniciaram o trabalho de campo com a aplicação de questionários. O local escolhido foi a Estação dos Ventos, no Bairro Km 3. Na sequência, os dados serão organizados de forma que possibilitem a formulação e implementação de políticas públicas orientadas pela justiça climática e pela construção de cidades mais resilientes.
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