Rafaele de Souza Queiroz, doutoranda em antropologia social na Universidade Federal do Amazonas e pesquisadora do Cosmopolíticas do Cuidado, projeto da FSP-USP, publicou um trecho da sua pesquisa de mestrado como capítulo no livro “Racismo e saúde: perspectivas antropológicas contemporâneas, da Editora Fiocruz”. O excerto, intitulado “Cor Visível, Corpo Desumanizado — experiências de mulheres negras e racializadas na assistência médica”, trata das experiências de descaso e violência vividas pela sua irmã e por mulheres da comunidade do Purupuru, em Carreiro (AM), que confidenciaram a ela suas experiências como gestantes e parturientes no Sistema Único de Saúde.
A autora relaciona estudos que discorrem sobre mulheres negras e as conversas com parentes e outras mulheres da comunidade feitas em caminhadas e outros espaços de convivência que são chamadas pela autora de “conversas de varanda”. Ao mesmo tempo que se entrelaçam em uma rede de apoio, as conversas que Rafaele traz em seu texto as conectam através de experiências de assistência em saúde que ficaram marcadas pelo trauma em seus corpos e recordações.
“As narrativas das demais mulheres minhas parentas reforçam a recorrência de práticas como toques vaginais excessivos, episiotomias sem consentimento, humilhações verbais e o controle do corpo por meio do medo e do silenciamento”, conta a autora. Para ela, esses relatos evidenciam que a violência obstétrica opera de forma interseccional, articulando raça, gênero, classe, território e acesso desigual às políticas públicas de saúde.
“A escrevivência de Gabriele Queiroz, mulher negra amazônida minha irmã, ocupa lugar central nesta reflexão. A sua morte, decorrente de uma sucessão de negligências, deslocamentos forçados e procedimentos desumanizados durante o parto”, diz Rafaele. Ela enfatiza que foi a recusa em se distanciar no texto e em buscar conciliação com práticas violentas que são naturalizadas como procedimentos médicos normais que a motivou a traduzir sua experiência em escrevivência, fazendo dessa escolha um posicionamento político antirracista.
O livro, publicado em 2025, foi organizado pela professora da Rosana Castro, da Universidade de Brasília, e Ana Cláudia Rodrigues, da Universidade Federal de Pernambuco. A publicação encontra-se disponível para ser adquirida impressa ou digital no site da Fiocruz.
Divulgação: Camila Montagner
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