A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) completa 126 anos de existência, consolidando-se como uma das instituições científicas mais relevantes da América Latina e referência mundial em políticas públicas de saúde. Criada em 25 de maio de 1900 com a missão de produzir medicamentos para conter epidemias no Brasil, a fundação é responsável atualmente por uma parte expressiva dos imunizantes distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A origem da Fiocruz está vinculada à epidemia de peste bubônica que assolou o país no final do século XIX, trazida por navios europeus. Diante da dificuldade de importar o soro antipestoso, as autoridades decidiram iniciar a produção nacional, levando à inauguração do Instituto Soroterápico na Fazenda Manguinhos, no Rio de Janeiro.
O médico Pedro Afonso Franco assumiu a direção geral do instituto, enquanto o bacteriologista Oswaldo Cruz foi nomeado diretor técnico. Em 1908, a unidade passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz e, em 1972, tornou-se a Fundação Oswaldo Cruz. Sob a liderança de Cruz, que também foi nomeado diretor-geral de Saúde Pública, a instituição expandiu sua atuação.
Cruz organizou campanhas contra mosquitos transmissores da febre amarela e ações de extermínio de ratos para conter a peste bubônica. Apesar da resistência popular, as reformas sanitárias erradicaram a febre amarela no Rio de Janeiro e controlaram a peste e a varíola em 1907.
Oswaldo Cruz e os pesquisadores da Fiocruz receberam a medalha de ouro no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia, em Berlim, em 1908. A fundação consolidou uma tradição de pesquisas pioneiras, como a primeira patente da instituição, obtida por Alcides Godoy ao desenvolver a vacina contra o carbúnculo.
Em 1909, Carlos Chagas realizou um feito na história da medicina ao descrever o ciclo completo da tripanossomíase americana. Pesquisadores da fundação também foram os primeiros a detalhar o ciclo da esquistossomose e, em 1916, Henrique da Rocha Lima descobriu a bactéria causadora do tifo.
Carlos Chagas assumiu a direção da Fiocruz e também a gestão do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) em 1920, estruturando o atendimento à saúde no Brasil. Sob sua liderança, a União assumiu a responsabilidade pela promoção e fiscalização dos serviços sanitários no país.
A partir da década de 1930, a Fiocruz ampliou a produção de medicamentos imunizantes e inaugurou seu Serviço Especial de Profilaxia em 1937, iniciando a vacinação contra a febre amarela em escala nacional.
O golpe militar de 1964 representou um revés para a fundação, que sofreu uma campanha persecutória. O chamado Massacre de Manguinhos, em 1970, cassou os direitos políticos de dez pesquisadores e forçou a aposentadoria de vários outros, resultando em um retrocesso para a pesquisa científica nacional.
Com a redemocratização, a Fiocruz retomou seu protagonismo e, em 1987, uma equipe isolou o vírus HIV. A instituição continuou se expandindo, criando o Instituto Leônidas e Maria Deane na Amazônia em 1994 e inaugurando o Museu da Vida em 1999.
De acordo com a Opera Mundi, a fundação mantém os laboratórios Bio-Manguinhos, maior centro produtor de vacinas da América Latina, e Far-Manguinhos, responsável por 1,6 bilhão de unidades de medicamentos por ano. A Fiocruz teve contribuição na luta contra a covid-19, produzindo testes e vacinas.
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