Divulgada nesta quarta-feira (29/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta que a maioria das unidades federativas (UF) do país apresenta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco. As exceções são Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Este cenário reflete o período de sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A no país. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 16, período de 19 a 25 de abril.
Outro quadro preocupante é que os casos de SRAG por VSR, que afetam principalmente crianças de até 2 anos, continuam aumentando em UF de todas as regiões. É o caso do Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. Por outro lado, apresentam sinal de queda no Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Goiás, Maranhão e Tocantins têm indícios de estabilidade ou de estabilização.
“A principal forma de proteção contra os casos graves de VSR e influenza é a vacinação. Por isso, é essencial que a população que faz parte dos grupos prioritários, como crianças, idosos e pessoas com comorbidade, tomem a dose atualizada da vacina durante o período da campanha, para ficarem protegidas no momento de maior circulação desses vírus. A vacina contra o VSR pode ser administrada em qualquer época do ano e é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, garantindo a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida”, ressaltou a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Estados e capitais
A análise constatou que 16 estados apresentam sinal de aumento de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 16: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins.
O Boletim aponta que as ocorrências de SRAG associadas à influenza A mantém crescimento em estados do Centro-Sul (DF, ES, MG, MS, PR, SC, RS e SP), em alguns estados do Norte (AC, RO e RR) e Nordeste (AL e PB). No entanto, apresentam tendência de queda em boa parte das regiões Norte (AM, AP, PA, TO), Nordeste (BA, CE, MA, PR, PI, RN), além do MT. Goiás e Sergipe e sinalizam interrupção do aumento.
O InfoGripe verificou que 13 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 16. É o caso de Belém (PA), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (NA), Natal (RN), Palmas (TO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Teresina (PI) e Vitoria (ES).
Dados epidemiológicos
Em relação aos casos positivos registrados este ano, a análise verificou que 26,4% foram de influenza A, 1,9% de influenza B, 21,5% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 8,5% de Sars-CoV-2. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 31,6% de influenza A, 2,9% de influenza B, 36,2% de vírus sincicial respiratório, 26% de rinovírus e 3% de Sars-CoV-2.
O estudo mostra ainda que, nas últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 31,6% de influenza A, 2,9% de influenza B, 36,2% de vírus sincicial respiratório, 26% de rinovírus e 3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,9% de influenza A, 4,3% de influenza B, 8,3% de vírus sincicial respiratório, 20,5% de rinovírus e 16,9% de Sars-CoV-2. Em 2026 já foram notificados 46.344 casos de SRAG, sendo 20.523 (44,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 17.702 (38,2%) negativos e ao menos 4.816 (10,4%) aguardando resultado laboratorial.
Óbitos
Em 2026, foram registrados 1.960 óbitos de SRAG, sendo 852 (43,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 880 (44,9%) negativos, e ao menos 50 (2,6%) aguardando resultado laboratorial. Em 2026, entre os óbitos positivos, o InfoGripe constatou que 39,1% foram por influenza A, 3,2% de influenza B, 5,8% de vírus sincicial respiratório, 22,2% de rinovírus e 27,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos foi de 46,9% de influenza A, 4,3% de influenza B, 8,3% de vírus sincicial respiratório, 20,5% de rinovírus e 16,9% de Sars-CoV-2
Incidência e mortalidade
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, eles têm apresentado maior impacto nas crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade continua apresentando maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos.
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.
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