O Ministério da Saúde emitiu nesta quinta-feira, 23, uma nota técnica alertando para o risco de contaminação por sarampo na Copa do Mundo, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

Funcionário trabalha na reforma do Estádio Azteca, no México, um dos palcos da Copa 2026; países que receberão o torneio vivem epidemia de sarampo. Foto: Marco Ugarte/AP
Segundo a pasta, eventos internacionais como a Copa reúnem muitas pessoas e aumentam o fluxo de viajantes entre países e continentes, o que pode facilitar a disseminação de doenças transmissíveis.
A nota lembra que, em 2025, o Canadá somou 5.062 casos de sarampo e, em 2026, registra 124, mantendo-se como área de circulação endêmica.
“Situação semelhante foi observada no México, que passou de 7 casos em 2024 para 6.152 em 2025 e 1.190 casos em janeiro de 2026, conforme dados preliminares”, continua o documento.
Nos Estados Unidos, foram notificados 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026.
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A situação faz com que o risco regional nas Américas seja classificado como “muito alto”. Apesar disso, o Brasil mantém o status de ‘país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo’.
Em 2025, o Brasil registrou 3.952 casos suspeitos. A maioria (3.841) foi descartada. Outros 46 seguem em investigação e 38 foram confirmados.
Entre os casos confirmados, 10 vieram de fora do País, 25 têm relação com viagens internacionais e três ainda não têm origem identificada. Quase todos os infectados não tinham se vacinado.
Em 2026, foram registrados 232 casos suspeitos no Brasil. Dois foram confirmados. Um deles é de uma criança que mora em São Paulo e viajou para a Bolívia. O outro é de uma jovem de 22 anos, do Rio de Janeiro. Nenhuma das duas tinha histórico de vacinação contra a doença.
“Nós precisamos manter a população vacinada, o que funciona como uma barreira para a transmissão do vírus”, destaca Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). O médico também chama atenção para a importância da vigilância ativa para a detecção precoce dos casos.
Na nota, o ministério orienta que estados e municípios intensifiquem a vacinação, a vigilância e a notificação rápida de casos suspeitos.
Quem deve se vacinar?
A vacinação, reforça Kfouri, é a principal forma de prevenção contra a doença. A recomendação é que os viajantes verifiquem se a carteira de vacinação está em dia antes de sair do País e fiquem atentos a sintomas após a viagem.
A nota orienta que todos aqueles com destino aos países da Copa do Mundo estejam com a vacinação contra o sarampo atualizada. A recomendação também vale para quem não pretende viajar, já que a maioria dos casos confirmados no Brasil ocorreu entre pessoas sem imunização.
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Crianças de seis a onze meses devem receber uma dose da vacina, com aplicação ao menos 15 dias antes do embarque. A partir de um ano até os 29 anos, o esquema prevê duas doses do imunizante. Quem ainda não completou a imunização precisa iniciar o processo cerca de 45 dias antes da viagem, já que há intervalo entre as doses e tempo para resposta do organismo.
Adultos de 30 a 59 anos precisam ter ao menos uma dose registrada, aplicada com antecedência mínima de 15 dias. Mesmo fora do prazo ideal, a orientação é tomar a vacina antes do embarque.
Sarampo
O sarampo é causado por um vírus do gênero Morbillivirus. A transmissão ocorre por via respiratória, assim como a gripe e outras infecções virais.
Os sintomas iniciais costumam, inclusive, ser parecidos com os da gripe: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar. Depois de alguns dias, porém, surgem manchas vermelhas pelo corpo, a principal marca da doença.
Algumas das complicações da infecção são pneumonia, infecção no ouvido e inflamação no cérebro. Especialmente entre crianças, a doença também pode levar à morte.
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