O debate sobre saúde pública em escala global ganha mais um capítulo na 79ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS), que teve início nesta segunda-feira (18/5) na sede europeia da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra (Suíça). Considerado a instância máxima de decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), o evento tem tradicionalmente a Fiocruz como parte da comitiva do governo brasileiro.

Abertura da 79ª Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, na Suíça (foto: Raquel Aguiar)
“Nossa presença na maior reunião de saúde pública do planeta reforça o trabalho da Fiocruz em temas que são relevantes para o Brasil e dialogam diretamente com a nossa missão institucional. O papel da Fundação é olhar para estes desafios e entregar conhecimento científico, respostas, produtos e serviços para a sociedade”, afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. Neste ano, a Assembleia ocorre na esteira de declaração de uma emergência sanitária, desta vez por conta dos casos de ebola no Congo e Uganda. “O fortalecimento da OMS e de seu ecossistema de resposta a emergências sanitárias e pandemias é tema necessário e sempre atual”, destaca o presidente.
A comitiva da Fiocruz integra a delegação oficial do Ministério da Saúde e também é composta pelas vice-presidentes de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, e de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira. Durante a missão, os representantes acompanham discussões de interesse para o Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a preparação e resposta a pandemias e emergências sanitárias e o desafio de ampliação de coberturas vacinais. Estão previstos, ainda, temas como o impacto do clima sobre a saúde das pessoas e do planeta e os riscos do consumo de alimentos ultraprocessados. A resposta às arboviroses e a pactuação de metas globais para enfrentamento das doenças negligenciadas também estão na agenda.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhado do embaixador Tovar da Silva Nunes; na segunda fileira, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira (foto: Raquel Aguiar)
Além de nomes do Ministério da Saúde e da Fiocruz, o Brasil é representado por autoridades do Conselho Nacional de Saúde (CNS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Missão Permanente do Brasil junto à ONU em Genebra.
A vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira, destaca que a missão em Genebra envolve uma articulação fundamental. “Estamos participando ativamente das agendas paralelas à AMS e de espaços estratégicos de diálogo e cooperação – o que amplia o alcance do trabalho da Fiocruz no cenário internacional”, explica.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, acompanhado das vice-presidentes de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, e de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira (foto: Raquel Aguiar)
A agenda envolve a comemoração de um ano de criação da Coalizão Global para a Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. “Este é um legado da presidência brasileira no G20 e reúne instituições de muita relevância no cenário internacional da saúde pública. Com a Secretaria-Executiva exercida pela Fiocruz, o objetivo é estimular que as nações possam ter soberania na produção de insumos estratégicos em saúde”, comenta a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz. A data será celebrada nesta terça-feira (19/5), em evento paralelo à AMS, para apresentar os avanços concretos da iniciativa. O destaque fica por conta da primeira chamada de propostas aberta pela Coalizão, com foco em dengue.
Preparação para pandemias
O papel da Fiocruz no cenário da segurança sanitária global foi destaque nesta segunda-feira (18). Lourdes Oliveira foi painelista no evento O futuro da segurança sanitária e o papel do Hub da OMS para Inteligência Pandêmica e Epidêmica, organizado pelo Ministério da Saúde da Alemanha e pelo hub da OMS para Inteligência Pandêmica e Epidêmica, conhecido como Hub de Berlim. A sessão reuniu representantes dos Estados-membros, instituições multilaterais e regionais e parceiros estratégicos.

A vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz destacou os mais de 125 anos de expertise da Fundação em vigilância, pesquisa em saúde pública, inovação e resposta em todo o Brasil e na América Latina (foto: Raquel Aguiar)
O diretor-executivo do Programa de Emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, destacou que, além do hantavírus e do ebola, existem mais 36 emergências de saúde categorizadas ao redor do mundo. “Essas ameaças não são isoladas, não são ocasionais e estão todas conectadas. E não se trata apenas de vírus. Envolve o clima, os conflitos e os patógenos”, disse. “Estamos nos reunindo em um momento realmente desafiador – países enfrentam incerteza política e restrições de recursos. No entanto, as ameaças à segurança em saúde não vão esperar que a política se acerte ou que a crise financeira passe”.
Diante desse cenário, a vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz destacou os mais de 125 anos de expertise da Fundação em vigilância, pesquisa em saúde pública, inovação e resposta em todo o Brasil e na América Latina. “A colaboração com o Hub tem sido extremamente estratégica, não apenas para o Brasil, mas também para o fortalecimento das capacidades globais, regionais e locais de preparação e resposta. O fomento a iniciativas inovadoras tem sido uma marca registrada do Centro, executada de maneira aberta, inclusiva e cooperativa”.
A experiência da Fundação no enfrentamento da pandemia resultou, em 2023, no início da cooperação internacional com o Hub de Berlim. A parceria tem avançado nos campos da vigilância genômica, com ênfase em bioinformática, e da vigilância baseada em dados. Nessa frente, a instituição aporta tecnologias como o InfoGripe, o InfoDengue e o ÆSOP [Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico], que monitoram e preveem doenças virais respiratórias e arboviroses, para subsidiar a tomada de decisão baseada em evidências.
A fala da ministra da Saúde da Alemanha, Nina Warken, no encontro foi marcada pelo anúncio da destinação de um novo aporte financeiro para a OMS. “Sem as redes da OMS, dados críticos ficam ausentes e os riscos à saúde são identificados tarde demais […] O fortalecimento da Organização e do Hub continua sendo um dos nossos principais objetivos politicamente, financeiramente e por meio de expertise em saúde de liderança mundial”, comentou.
Investimentos estratégicos para prevenção global
Coorganizado pela Fiocruz com a Fundação das Nações Unidas (UNF, na sigla em inglês), a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NAM, na sigla em inglês) e a Agência de Doenças Transmissíveis de Singapura (CDA, na sigla em inglês), o evento intitulado Compreender o risco pandêmico para direcionar melhores investimentos antecedeu a AMS e aconteceu no último domingo (17/5).
“Os desafios para a preparação diante de futuras crises sanitárias são complexos, mas acreditamos que o esforço coletivo é o caminho para fortalecer nossa prontidão para o futuro”, sublinhou a vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, Lourdes Oliveira, durante a sessão de abertura do evento.
Compromisso com o futuro
Os desafios para o futuro da preparação global para pandemias pautaram a participação de Mario Moreira no evento Cumprindo a Missão de 100 Dias (100DM): Avanços, Transição e Próximos Passos, organizado pelo Secretariado Internacional de Preparação para Pandemias (IPPS). A iniciativa 100DM é central para o plano quinquenal da Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias (Cepi), de 2022 a 2026, e estabelece a tarefa de reduzir o tempo necessário para desenvolver vacinas seguras, eficazes e globalmente acessíveis contra novas ameaças.
Como membro do grupo diretor do IPPS, a presença de Mario Moreira na reunião reforça a atuação estratégica da Fundação na iniciativa. A instituição colaborou ativamente na elaboração do 5º Relatório de Implementação da Missão de 100 Dias, que alerta que a prontidão global contra pandemias está cada vez mais vulnerável diante do aumento dos riscos geopolíticos e de biossegurança.
“A 100DM segue como um dos sinais políticos coletivos mais importantes que emergiram das lições da Covid-19. Não apenas pela ambição técnica de acelerar o desenvolvimento de diagnósticos, terapêuticas e vacinas, como por ter ajudado a criar uma linguagem comum entre instituições, países e iniciativas que trabalham na preparação e resposta a pandemias”, afirmou o presidente na ocasião.

A presença de Mario Moreira na reunião reforça a atuação estratégica da Fundação na iniciativa (foto: Raquel Aguiar)
Ele destacou que, em um panorama global de saúde cada vez mais competitivo, a coerência e o alinhamento estão se tornando tão importantes quanto a própria inovação. “À medida em que o mandato do IPPS termina, acreditamos que os princípios centrais que nortearam este trabalho devem continuar: integração entre iniciativas, clareza de papéis, complementaridade entre mecanismos e uma coordenação robusta entre os esforços globais, regionais e nacionais”.
Mobilização pela saúde
Às vésperas da Assembleia Mundial da Saúde, a 6ª edição da iniciativa Walk the Talk: Saúde para Todos aconteceu com a participação da comitiva da Fiocruz ao lado delegação brasileira no último domingo (17/5).

Representantes do Ministério da Saúde, da Fiocruz, de outras instituições da ciência e da sociedade civil reafirmam o compromisso do Brasil com as metas da OMS (foto: Divulgação)
A marcha global, que reúne pessoas de todo o mundo, tem o objetivo de celebrar a importância de estilos de vida saudáveis e inclui outras atividades.
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